A contusão no joelho direito de Éder Militão, aos 44 minutos da partida entre Real Madrid e Alavés, no último dia 21, acende o alerta na Comissão Técnica da Seleção Brasileira. Com apenas 16 meses para a Copa do Mundo de 2026, o zagueiro de 26 anos se consolidou como peça fundamental na defesa de Dorival Júnior, formando dupla de zaga com Marquinhos em 8 dos últimos 12 jogos oficiais do Brasil.

O Real Madrid ainda não divulgou o prazo de recuperação do defensor, mas lesões no joelho historicamente demandam períodos prolongados de tratamento. Entre 2019 e 2023, Militão já enfrentou três lesões graves no mesmo local, incluindo ruptura do ligamento cruzado anterior que o afastou por oito meses. A preocupação se intensifica quando analisamos que 73% dos zagueiros convocados por Dorival desde janeiro de 2024 atuam exclusivamente no futebol europeu, onde o calendário é mais intenso.

Marquinhos assume protagonismo na defesa Lesão de Militão força Dorival a repens
Marquinhos assume protagonismo na defesa Lesão de Militão força Dorival a repens

Marquinhos assume protagonismo na defesa

Com Militão em dúvida, Marquinhos do PSG emerge como o líder natural da zaga brasileira. O capitão de 30 anos disputou 78 partidas pela Seleção, sendo titular absoluto nos últimos 24 jogos sob comando de Dorival Júnior. Sua experiência em Copas do Mundo - participou de 2018 e 2022 - representa vantagem decisiva sobre concorrentes mais jovens como Gabriel Magalhães, do Arsenal, que soma apenas 4 jogos pela Amarelinha.

A dupla Marquinhos-Militão apresentou números defensivos consistentes: em 8 jogos juntos, o Brasil sofreu apenas 6 gols, média de 0,75 por partida. Para comparação, quando Marquinhos atuou ao lado de outros zagueiros no mesmo período, essa média subiu para 1,2 gols sofridos por jogo, segundo levantamento do SportNavo com base nos dados oficiais da CBF.

Bremer desponta como principal alternativa

Gleison Bremer, da Juventus, surge como candidato natural para formar dupla com Marquinhos. O zagueiro de 27 anos foi convocado para 6 dos últimos 8 jogos da Seleção, estabelecendo-se como terceira opção na hierarquia defensiva. Sua adaptação tática ao sistema de Dorival mostrou progressão: nos primeiros 3 jogos como titular, o Brasil sofreu 4 gols, enquanto nas 3 partidas seguintes, apenas 1.

O perfil físico de Bremer (1,88m) se assemelha ao de Militão (1,86m), mantendo características aéreas importantes para a marcação em bolas paradas. Estatisticamente, ambos apresentam índices similares de desarmes por jogo - 2,3 para Bremer e 2,1 para Militão nas respectivas ligas nacionais da temporada atual. Beraldo, do PSG, aparece como quarta opção, mas sua pouca experiência internacional (2 jogos pela Seleção) pode pesar contra em momento decisivo.

Impacto na estratégia para 2026

A possível ausência prolongada de Militão obriga Dorival Júnior a acelerar o processo de lapidação de novos nomes. Gabriel Magalhães, apesar da regularidade no Arsenal, ainda busca consolidação na Seleção após atuações irregulares contra Uruguai e Argentina nas Eliminatórias. Lucas Beraldo, por sua vez, precisa conquistar mais espaço no PSG para justificar convocações futuras.

Dados da FIFA mostram que seleções campeãs mundiais mantiveram, em média, 85% de seus titulares por pelo menos 18 meses antes do torneio. O Brasil, que já enfrenta instabilidade no meio-campo e ataque, não pode se dar ao luxo de improvisar na defesa. A próxima Data FIFA, em março de 2025, será crucial para testar alternativas e definir a melhor formação defensiva.

A Seleção Brasileira volta a campo nos dias 20 e 25 de março, contra Colômbia e Argentina, respectivamente, pelas Eliminatórias da Copa 2026. Serão os primeiros jogos oficiais para avaliar como Dorival estruturará a defesa sem contar com Militão como opção garantida.