O calendário marca dezembro de 2024, mas os departamentos médicos das principais seleções mundiais já vivem o pesadelo antecipado da Copa do Mundo de 2026. Em uma sequência de infortúnios que lembra os dias sombrios antes da Rússia 2018 — quando Neymar quase ficou de fora por lesão no pé —, três potências europeias e sul-americanas veem suas estratégias para o torneio nos Estados Unidos, México e Canadá sendo reescritas nos consultórios ortopédicos.

Brasil perde sua joia mais consistente

A Seleção Brasileira, que já convivia com as intermitências de Neymar aos 32 anos, agora precisa lidar com a ausência confirmada de Rodrygo, o camisa 11 do Real Madrid que se consolidou como titular indiscutível de Dorival Júnior. O atacante de 23 anos sofreu ruptura de ligamentos no joelho direito durante o Clásico contra o Barcelona, em outubro, e os médicos madrilenhos estimam recuperação completa apenas para setembro de 2025 — tarde demais para o ciclo de preparação mundialista.

O impacto transcende números, embora estes sejam eloquentes: Rodrygo marcou 8 gols em 15 jogos pela Seleção em 2024, média superior à de Vinícius Jr. (6 em 18 partidas). Mais que isso, representava a consistência que faltava ao ataque brasileiro desde a aposentadoria de Ronaldinho. Segundo apuração do SportNavo, a CBF já iniciou conversas para acelerar a naturalização do atacante Luka Romero, da Lazio, como alternativa de emergência.

França enfrenta crise no setor ofensivo

Do outro lado do Atlântico, Didier Deschamps observa com preocupação o departamento médico de Liverpool. Hugo Ekitike, a promessa de 22 anos que custou 60 milhões de euros aos Reds no último verão europeu, rompeu o tendão de Aquiles durante a vitória sobre o Milan, pela Champions League, em novembro. A lesão, considerada uma das mais graves do futebol moderno, afastará o centroavante por 9 a 12 meses.

O timing não poderia ser pior para Les Bleus. Ekitike vinha sendo lapidado como sucessor natural de Olivier Giroud, artilheiro histórico da seleção francesa que se despediu após a Eurocopa de 2024. Com Benzema aposentado da equipe nacional e Mbappé concentrado nas funções de ponta-esquerda, a França perde sua principal opção para o centro do ataque — justamente a posição que definiu seus títulos mundiais de 1998 e 2018.

Alemanha sacrifica experiência na ala

Julian Nagelsmann, técnico da Alemanha, também reescreve seus planos tatícos. Serge Gnabry, o experiente meia-atacante de 29 anos do Bayern de Munique, rompeu o músculo adutor da coxa direita durante treinamento dos bávaros em janeiro e ficará pelo menos três meses longe dos gramados. Para a Mannschaft, é a perda de um veterano com 45 jogos e 20 gols pela seleção.

O alemão representava a ponte entre as gerações de Müller e os jovens Musiala e Wirtz. Sua ausência força Nagelsmann a apostar definitivamente na juventude ou buscar alternativas no mercado de transferências — algo que preocupa a Federação Alemã, considerando que o país não vence uma Copa desde 2014 e decepcionou nas duas últimas edições.

Efeito dominó atinge outras promessas

O cenário se complica com as incertezas envolvendo duas das maiores promessas mundiais. Estêvão, joia de 18 anos do Chelsea, sofreu lesão muscular de grau 4 na coxa e precisará de no mínimo 90 dias de recuperação, segundo comunicado oficial do clube londrino. Paralelamente, Lamine Yamal, fenômeno de 17 anos do Barcelona, aguarda o diagnóstico de uma lesão muscular sofrida nesta semana.

Brasil perde sua joia mais consistente Lesões golpeiam favoritas e redesenham c
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"A Copa já está nublada por Donald Trump. Só falta faltarem as maiores estrelas", avaliou coluna publicada no portal UOL, referindo-se às incertezas geopolíticas que cercam o torneio americano.

As baixas revelam um padrão preocupante: o calendário europeu cada vez mais congestionado cobra seu preço nos momentos decisivos. A temporada 2024-25 inclui o novo formato da Champions League, com mais jogos, e a Copa do Mundo de Clubes da FIFA em junho, reduzindo o período de descanso dos atletas.

Para os técnicos das seleções afetadas, resta acelerar a preparação de reservas e ajustar esquemas táticos. O Brasil de Dorival já testa Savinho na posição de Rodrygo, enquanto Deschamps estuda a promoção de jovens do sub-21. A Copa do Mundo de 2026 começará em 11 de junho, mas suas peças fundamentais já estão sendo definidas nos consultórios médicos de Londres, Munique e Madrid.