Cinco países. Dezenas de jogadores de alto nível. Um torneio que começa em 11 de junho de 2026 — e que já nasceu marcado por ausências que doem. Itália, Polônia e Nigéria ficaram fora da Copa do Mundo que será realizada no México, nos Estados Unidos e no Canadá, e levaram junto figuras que mudariam qualquer prateleira de favoritos. Somam-se a eles os jogadores derrubados por lesões dentro de seleções classificadas. O que sobra é uma Copa mais enxuta em talento — e mais imprevisível do que nunca.
A dor da Azzurra — mais uma vez
O silêncio que tomou conta da Itália nas repescagens de março de 2026 foi ensurdecedor. A Azzurra, uma das seleções mais tradicionais do planeta, ficou de fora do Mundial pela segunda vez em três edições — uma ferida que o futebol italiano teima em reabrir. E o preço desta vez foi alto: Gianluigi Donnarumma, goleiro do PSG e eleito melhor do mundo em sua posição em múltiplas temporadas, não vai à Copa. Federico Dimarco, lateral-esquerdo do Inter de Milão que dominou a Serie A com cruzamentos precisos e gols de falta, também fica em casa. Nicolo Barella, o motor criativo do meio-campo nerazzurro, completa o trio de perdas que tirariam o sono de qualquer técnico rival.
"A Itália tem qualidade para chegar longe em qualquer Copa. Ver esses jogadores ficarem em casa é uma tragédia para o futebol", afirmou um analista da UEFA, segundo apuração do SportNavo junto a veículos europeus especializados.
Donnarumma, aos 26 anos, estava no auge físico e mental. Ser titular do PSG na Champions League e não disputar a Copa do Mundo é o tipo de ironia cruel que o futebol às vezes impõe.
Lewandowski e Osimhen — os centroavantes que desapareceram do mapa
A Polônia também não estará em 2026. Robert Lewandowski, o goleador do Barcelona que acumula mais de 600 gols na carreira, encerra mais um ciclo sem Copa. Aos 37 anos na data do torneio, esta seria sua última chance real de brilhar num Mundial — e ela foi embora com a eliminação polonesa nas repescagens europeias. Lewandowski marcou 82 gols pela seleção polonesa, mas o coletivo nunca acompanhou o nível do camisa 9.
Na África, a Nigéria decepcionou nas Eliminatórias do continente e deixou Victor Osimhen sem palco. O atacante do Galatasaray — emprestado pelo Napoli — é um dos centroavantes mais explosivos do mundo, capaz de resolver jogos com a presença física e a velocidade que poucos defesas aguentam. Aos 26 anos, Osimhen está no período mais produtivo da carreira e vai assistir à Copa pela televisão.
"É uma pena enorme. Osimhen teria sido um dos grandes protagonistas do torneio", escreveu o colunista Ademola Kuti, do jornal nigeriano Vanguard, logo após a eliminação dos Super Eagles.
As seleções classificadas que também sangraram
Nem só os eliminados sofreram baixas. Dentro das seleções que garantiram vaga, as lesões já produziram estragos concretos. O Brasil perde Rodrygo — o atacante do Real Madrid confirmou ausência por lesão —, o que obriga Dorival Júnior a reconfigurar o ataque da Seleção. A Alemanha não terá Serge Gnabry, enquanto a França lamenta o desfalque de Hugo Ekitiké, que vinha em grande fase pelo Eintracht Frankfurt com mais de 15 gols na temporada europeia.

Há ainda os casos que vivem entre a esperança e a dúvida. Estêvão, Éder Militão, Arda Guler e Lamine Yamal — este último eleito melhor jovem jogador do mundo em 2024 — estão lesionados, mas apostam em tratamentos conservadores para chegar ao torneio. O prazo é apertado: a Copa começa em 11 de junho, e os departamentos médicos de Barcelona, Real Madrid e da CBF trabalham em ritmo de emergência.
A análise do SportNavo mostra que, entre eliminações e lesões, pelo menos 11 jogadores do top 50 do ranking mundial de futebol não estarão em campo no torneio — um número incomum para uma Copa do Mundo moderna, onde o calendário de clubes e as lesões musculares têm cobrado um pedágio crescente dos atletas.
O que essas ausências mudam no favoritismo
A Copa de 2026 tem formato expandido — 48 seleções pela primeira vez na história —, mas isso não dilui a relevância das ausências. Uma Itália com Donnarumma no gol, Barella no meio e Dimarco na lateral seria finalista em potencial. Sem ela, o bloco europeu perde um adversário de peso. A Polônia com Lewandowski é uma seleção de fase de grupos; sem ela, o atacante do Barcelona simplesmente some do torneio.
Para o Brasil, a ausência de Rodrygo abre uma interrogação real: quem assume a criatividade pelo lado direito? O técnico Dorival Júnior tem até o início de junho para encontrar uma resposta — e os treinos da Seleção em maio serão o termômetro dessa equação. A lista de convocados, prevista para ser divulgada na segunda quinzena de maio, vai revelar quem preenche os buracos deixados pelas lesões.








