O acordo extrajudicial entre Conor McGregor e Artem Lobov, anunciado pelo Irish Independent, encerra definitivamente a disputa sobre os lucros da venda do Proper No. Twelve. O whiskey irlandês, vendido em 2021 por aproximadamente US$ 600 milhões, transformou McGregor no atleta mais bem pago do mundo naquele ano - não pelos punhos, mas pelos negócios.

A diferença entre os rendimentos de McGregor no octógono e sua fortuna construída através da marca de bebidas revela uma transformação radical no perfil financeiro do ex-campeão peso-pena e peso-leve do UFC. Enquanto seus combates mais lucrativos - incluindo a trilogia com Nate Diaz e as lutas contra Khabib Nurmagomedov e Donald Cerrone - somaram cerca de US$ 15 milhões em bolsas oficiais, a venda do whiskey representou 40 vezes esse valor.

Do octógono aos negócios milionários

McGregor, que iniciou sua carreira no UFC em 2013 com uma bolsa de US$ 8 mil contra Marcus Brimage, alcançou seu pico financeiro dentro do esporte na luta contra Khabib Nurmagomedov, no UFC 229, recebendo US$ 3 milhões de bolsa base. Mesmo considerando os bônus de pay-per-view - que podem ter elevado seus ganhos totais no combate para cerca de US$ 50 milhões - o montante permanece distante dos números gerados pelo Proper No. Twelve.

A marca de whiskey, lançada em 2018, rapidamente se tornou uma das bebidas irlandesas de crescimento mais rápido na história. McGregor mantinha participação majoritária na empresa antes da venda para a Proximo Spirits, proprietária da Jose Cuervo, em uma transação que o colocou definitivamente no ranking dos atletas mais ricos do planeta.

Lobov reivindicava participação nos lucros

Artem Lobov, conhecido como "The Russian Hammer" e parceiro de treinos de longa data de McGregor, alegava ter direito a uma porcentagem dos lucros da venda do whiskey. O russo, que compilou um cartel de 13-15-1 (1 NC) no MMA profissional, argumentava ter contribuído para o desenvolvimento da marca durante suas sessões de treino em Dublin.

O acordo entre os dois ex-parceiros, cujos termos financeiros não foram divulgados, põe fim a uma disputa que se arrastava desde 2022. Lobov, que teve passagem pelo UFC entre 2014 e 2018 com um cartel de 2-5 na organização, também participou de combates de boxe sem luvas contra Paulie Malignaggi, evento promovido por McGregor através da Bare Knuckle Fighting Championship.

McGregor além das lutas

A trajetória empresarial de McGregor ilustra como atletas de elite podem multiplicar exponencialmente seus ganhos através de investimentos estratégicos. O irlandês, que possui um cartel de 22-6 no MMA profissional e não luta desde julho de 2021 - quando perdeu para Dustin Poirier no UFC 264 por lesão - diversificou seus negócios para além do whiskey.

Seus empreendimentos incluem a marca de roupas August McGregor, a linha de produtos de cuidados pessoais McGregor FAST e investimentos em tecnologia e entretenimento. Esta estratégia de diversificação financeira contrasta com muitos lutadores que dependem exclusivamente das bolsas de luta para construir patrimônio.

McGregor segue oficialmente no ranking peso-leve do UFC, ocupando a 12ª posição, mas sua agenda permanece indefinida devido a questões judiciais pendentes em outros processos. O próximo card principal do UFC acontece no próximo sábado, 25 de janeiro, com o UFC 311 em Los Angeles, enquanto os fãs aguardam definições sobre o retorno do irlandês ao octógono.