Trinta de maio. Essa é a data em que Merab Dvalishvili, ex-campeão peso-galo do UFC, sobe ao octógono no Real American Freestyle 9 para enfrentar um ex-campeão da divisão peso-leve. A luta anterior do georgiano pelo mesmo evento foi cancelada, o que torna esse confronto ainda mais esperado — e mais carregado de perguntas táticas.
O motor que não para
Merab Dvalishvili construiu sua carreira inteira em cima de um princípio simples: volume absurdo de takedowns e pressão que não dá trégua. No UFC, o georgiano chegou a registrar médias superiores a 8 takedowns tentados por luta em alguns confrontos, com taxa de sucesso que orbitava os 50%. Não é a eficiência de um Khabib Nurmagomedov, mas o volume é tamanha que o oponente vai ao chão independentemente de querer.
O wrestling defense do ex-campeão peso-leve que ele enfrenta no RAF 9 vai ser o fator decisivo. Lutadores da divisão peso-leve tendem a ter maior força de quadril e base para resistir a quedas do que pesos-galos — e Merab, que passou anos no 135, precisa adaptar o timing dos seus disparos para uma janela que se fecha mais rápido nessa categoria de peso.
O reach e o striking contam uma história diferente
Na divisão peso-leve, a diferença de reach costuma ser mais pronunciada. Merab tem 70 polegadas de envergadura, razoável para um peso-galo, mas potencialmente inferior ao alcance de um ex-campeão peso-leve. Isso significa que o georgiano provavelmente vai receber mais dano antes de fechar a distância para os clinches e takedowns que são sua especialidade.
O striking de Merab não é sua arma — e ele sabe disso. A media de significant strikes landed dele gira em torno de 5,5 por minuto, número respeitável, mas a seleção de golpes não é a de um knockout artist. Ele usa o striking para criar confusão e abrir caminho para o grappling. Contra um ex-campeão leve com capacidade de contra-atacar com mais potência, esse ciclo pode se tornar caro.
"Eu luto para ganhar, não para fazer bonito. Minha luta é diferente, mas funciona", disse Merab Dvalishvili em entrevista após conquistar o cinturão peso-galo do UFC, resumindo a filosofia que define cada round que ele disputa.
Por que o grappling ainda pode ser suficiente
A análise exclusiva do SportNavo mostra que Merab tem um padrão claro nos rounds finais: ele fica mais forte enquanto o adversário fica mais lento. É condicionamento físico como vantagem técnica. Mesmo que os primeiros rounds sejam equilibrados no striking, o desgaste acumulado dos takedowns tentados — mesmo os que não convertem — drena o oponente.
Ex-campeões peso-leve do UFC raramente são lutadores que constroem reputação defendendo wrestling de elite. A divisão peso-leve tem seus especialistas em grappling, mas muitos títulos foram conquistados via striking ou jogo misto. Se o oponente de Merab se encaixa nesse perfil, o georgiano tem uma janela real para ditar o ritmo no chão.
A wrestling defense do adversário vai ser testada desde o primeiro contato. Merab começa a tentar takedowns no primeiro minuto do round 1 — não é estratégia, é identidade. Se o ex-campeão não tiver uma base sólida, o georgiano vai acumular pontos no grappling e controlar o placar nos cards dos juízes.
"Contra Merab, você não pode relaxar nenhum segundo. Ele vai atrás de você o tempo inteiro", afirmou o ex-campeão Sean O'Malley após sua luta com o georgiano, descrevendo a experiência de enfrentar aquele ritmo por 25 minutos.
O veredicto antes da luta
Merab Dvalishvili tem um caminho viável para a vitória no RAF 9: controlar a distância nos primeiros rounds, absorver o mínimo de dano possível no striking e transformar o combate num torneio de exaustão que ele historicamente vence. O risco está nos primeiros dois rounds, quando um ex-campeão peso-leve ainda tem o gás e a potência para punir os disparos de Merab com counter-strikes de peso.
Conforme o levantamento do SportNavo sobre o histórico recente do georgiano, Merab venceu suas últimas lutas de alto nível predominantemente por decisão — o que indica que ele mesmo reconhece os limites do seu jogo ofensivo e trabalha dentro deles com inteligência. Para o RAF 9 em 30 de maio, a previsão é de uma luta suja, física e decidida nos últimos rounds, com o georgiano levando vantagem se chegar ao round 3 com o adversário desgastado.








