Errou. Em 2010, a África do Sul foi a primeira sede da Copa do Mundo a ser eliminada na fase de grupos, incapaz de avançar mesmo jogando em casa diante de 90 mil torcedores no Soccer City. Nesta quinta-feira, 11 de junho, às 16h (horário de Brasília), o Copa do Mundo de 2026 começa exatamente onde aquela história parou — com México e África do Sul frente a frente, agora no Estádio Azteca, na Cidade do México, diante de um novo roteiro ainda sem desfecho escrito.
A coincidência histórica é rara. Pela segunda vez, as mesmas duas seleções abrem um Mundial — separadas por 16 anos e 13.500 quilômetros de distância. Em 11 de junho de 2010, o empate em 1 a 1 no estádio de Soweto gerou euforia coletiva no continente africano, mas não foi suficiente para levar os Bafana Bafana às oitavas de final. O México, por sua vez, passou daquela fase de grupos, mas repetiu o roteiro de sempre: caiu nas oitavas, desta vez para a Argentina por 3 a 1.
O Azteca como palco da terceira chance mexicana
Nenhum país recebe a Copa do Mundo pela terceira vez antes do México. Os mexicanos já sediaram o torneio em 1970 — quando o Azteca viu o Brasil de Pelé levantar a taça — e em 1986, quando Diego Maradona transformou aquele mesmo gramado em território sagrado do futebol mundial. Agora, ao lado de Estados Unidos e Canadá como países-sede desta edição de 48 seleções, o México carrega o peso do anfitrião que nunca passou das oitavas de final em nenhuma das suas participações — um bloqueio que se repete há sete Copas consecutivas e que se tornou o principal fantasma da seleção.
O técnico Javier Aguirre escala uma equipe que aposta na experiência de Raúl Jiménez como centro das atenções ofensivas. O atacante do Fulham, aos 33 anos, é o principal nome da La Tri e carrega a expectativa de ser o jogador que finalmente empurra o México além da barreira das oitavas. Atrás da meta estará Raúl Rangel, que assumiu a titularidade deixada por Guillermo Ochoa — o goleiro de 38 anos que chega à sua sexta Copa como reserva, numa trajetória que, conforme registrado pelo SportNavo em coberturas anteriores, representa um dos arcos mais longevos do futebol mexicano contemporâneo.
"Ochoa chegou à sua sexta Copa da carreira, mas dessa vez como reserva" — dado que sintetiza a transição geracional que o México tenta consolidar neste Mundial.
Os Bafana Bafana voltam sem a confiança que o momento pede
A África do Sul retorna a uma Copa do Mundo 16 anos depois de sua estreia como sede — e o retorno não veio embalado por bons resultados. Nos testes pré-Copa, os Bafana Bafana empataram com a Nicarágua e com a Jamaica, duas seleções fora do radar do futebol mundial, o que amplificou a desconfiança sobre o nível real da equipe comandada pelo técnico belga Hugo Broos.
O principal nome ofensivo da seleção sul-africana é Lyle Foster, atacante do Burnley que carrega a missão de fazer aquilo que toda a equipe de 2010 não conseguiu: marcar gols suficientes para garantir a classificação. A escalação titular prevista pelo técnico Broos coloca Foster na ponta do ataque, com apoio de Mofokeng e Appolis pelos lados. A defesa terá Mudau, Okon, Mbokazi e Modiba protegendo o goleiro Williams.
"De volta a uma Copa do Mundo depois de 16 anos, a África do Sul sonha em fazer aquilo que não fez em 2010: passar da fase de grupos para o mata-mata", como apontam as coberturas pré-torneio da imprensa especializada.
A arbitragem brasileira e o peso simbólico da abertura
Quem apita o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2026 é o árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio, com os assistentes também nacionais Bruno Pires e Bruno Boschilia. A presença de uma terna brasileira no jogo mais assistido do planeta — uma abertura de Copa costuma reunir audiências superiores a 500 milhões de espectadores simultâneos, segundo dados históricos da FIFA — tem o peso simbólico de um país que, apesar de não ser sede, marca presença técnica desde o primeiro minuto.
No Brasil, a transmissão estará disponível em Globo, SBT, SporTV, NSports e CazéTV, além do streaming pelo Globoplay. A diversidade de plataformas garante que o jogo chegue a públicos distintos — do torcedor que acompanha pelo celular no engarrafamento da Avenida Paulista ao fã que liga a televisão às 15h50 para não perder o hino.
O Grupo A, onde México e África do Sul dividem espaço, ainda conta com outras duas seleções que entram em campo nos próximos dias. Para os mexicanos, uma vitória na estreia diante de sua própria torcida no Azteca representaria o primeiro passo concreto para quebrar o ciclo das oitavas. Para os sul-africanos, qualquer resultado positivo contra um anfitrião de Copa seria a resposta mais contundente às dúvidas geradas pelos empates de preparação. O segundo jogo do Grupo A está programado para o dia 15 de junho, mantendo a pressão sobre ambas as equipes já na primeira semana do torneio.








