Quatro jogos, zero derrotas. O Mineirão tem funcionado como uma espécie de fortress para o Cruzeiro quando o adversário atravessa a fronteira com a Argentina. Em toda a sua história na CONMEBOL Libertadores, a Raposa jamais foi batida em casa por um clube portenho — três vitórias e um empate compõem um retrospecto que mistura história e pressão psicológica para o confronto desta terça-feira (28), às 21h30, diante do Boca Juniors.
Um tabu construído ao longo de décadas
A última vez que o Boca Juniors pisou no Mineirão para um duelo continental foi em 2019, e a memória não é agradável para os xeneizes. O Cruzeiro aplicou 2 a 0 naquela ocasião, um placar que compõe as duas derrotas e um empate sofridos pelo clube de La Bombonera em Belo Horizonte — números que o levantamento do SportNavo mostra como um padrão difícil de ignorar. Se há uma cidade no continente em que o Boca historicamente naufraga, ela fica em Minas Gerais.
O retrospecto ganha relevância extra quando se observa o momento dos dois clubes nesta edição da Libertadores. O Cruzeiro ocupa a 3ª posição do Grupo C com 3 pontos, pressionado após a derrota para a Universidad Católica em Belo Horizonte. Do outro lado, o Boca de Claudio Ubeda lidera a chave com 100% de aproveitamento — 6 pontos em dois jogos — e chega embalado por uma sequência invicta de 14 partidas, incluindo a vitória no superclássico diante do River Plate no Monumental de Nuñez.
A força do Boca e o que Artur Jorge precisa neutralizar
Quem acompanhou o futebol europeu nos últimos anos reconhece no Boca de Ubeda elementos de um time bastante organizado taticamente. O pressing alto com saída rápida em transição é a marca registrada da equipe portenha nesta temporada, uma abordagem que lembra — guardadas as devidas proporções — o estilo mais agressivo do gegenpressing que dominou a Premier League na era Klopp. Miguel Merentiel, referência ofensiva dos argentinos, e Luca Paredes no meio são os principais catalisadores desse jogo vertical.
Para conter essa dinâmica, Artur Jorge escalou o Cruzeiro com força máxima. Fagner, que havia desfalcado a equipe nas últimas duas partidas, retorna à lateral direita. No gol, o técnico optou pelo jovem Otávio em detrimento de Matheus Cunha, repetindo a escolha feita diante do Goiás pela Copa do Brasil. A espinha dorsal do time conta ainda com Fabrício Bruno na zaga, Lucas Romero e Gerson no meio, e Matheus Pereira como articulador ofensivo. Kaio Jorge encabeça o ataque.

Segundo apuração do SportNavo, a opção por Otávio na meta reflete uma aposta de Artur Jorge na estabilidade do jovem goleiro para partidas de alto nível, ainda que a disputa pela posição siga aberta no elenco celeste.
A vantagem psicológica que o Mineirão oferece
Há algo que os números capturam parcialmente, mas que quem viveu na Europa aprende a nomear com precisão: o peso do home record. Em Barcelona, era comum ouvir analistas descreverem o Camp Nou de determinadas épocas como um ambiente que já vencia antes do apito inicial. O Mineirão, para o Cruzeiro diante de argentinos, carrega essa aura — e o Boca sabe disso. Não à toa, as duas derrotas e o empate sofridos pelos xeneizes em BH não são dados que a comissão técnica argentina ignora ao montar o plano de jogo.
A escalação do Boca também revela cautela: Sergio Weigandt como referência defensiva na lateral, Tomás Brey no gol e Cristian Medina como pivô criativo no meio. O atacante Merentiel, artilheiro do clube no campeonato argentino, é a principal ameaça ao sistema defensivo de Fabrício Bruno e Jonathan Jesus.
O que está em jogo nesta terça-feira
A aritmética da fase de grupos é implacável. Uma derrota deixaria o Cruzeiro em situação delicada na luta pela classificação às oitavas de final, enquanto um triunfo recolocaria a Raposa no páreo com 6 pontos — empatada com o próprio Boca no topo do Grupo C. O duelo tem transmissão exclusiva pelo plano premium do Disney+ e arbitragem do uruguaio Estebán Ostojich, com auxílio do VAR a cargo de Andrés Cunha, também do Uruguai.
O Cruzeiro vem de uma sequência que inclui vitórias sobre o Grêmio por 2 a 0 e sobre o Remo por 1 a 0, além do empate em 2 a 2 com o Goiás pela Copa do Brasil — sinais de recuperação de um elenco que ainda busca consistência sob Artur Jorge. O tabu de quatro jogos invictos no Mineirão contra argentinos será posto à prova às 21h30 desta terça. Se a história pesar, Belo Horizonte voltará a ser um pesadelo para os xeneizes.








