Um ponto em duas rodadas, lanterna do Grupo D e o San Lorenzo na frente com quatro pontos. Esse é o retrato do Santos na Copa Sul-Americana antes do confronto desta terça-feira (28), em Buenos Aires, às 19h (horário de Brasília). Com o Brasileirão também entregando uma campanha preocupante — o Peixe voltou à zona de rebaixamento no último fim de semana —, Cuca não tem margem para experimentos e vai a campo com o que tem de melhor: Neymar e Gabigol juntos no ataque.
A dupla que o Santos apostou suas fichas
A contratação de Neymar e Gabigol no início desta temporada representou o maior investimento salarial da história recente do clube. Segundo apuração do SportNavo, a combinação dos vencimentos dos dois atacantes supera R$ 4 milhões mensais em encargos totais ao Santos, sem contar os bônus por desempenho previstos nos respectivos contratos. A aposta era clara: montar um ataque de nível nacional para disputar competições como a Sul-Americana com ambição real de avançar. O que ninguém esperava era que a dupla estreasse numa equipe que já figurava entre as mais fragilizadas do torneio após dois jogos.
Neymar retorna ao time após período de reintegração física, enquanto Gabigol manteve sequência com mais regularidade de minutos. Nas palavras do técnico Cuca, a prioridade agora é estabilidade: o treinador deixou claro ao grupo que qualquer possibilidade de poupar atletas para o Brasileirão está descartada diante da urgência continental.
Ausências que pesam na armação
A escalação mais provável de Cuca tem Gabriel Brazão no gol — retornando após ser preterido na última rodada — com Igor Vinícius, Lucas Veríssimo, Luan Peres e Escobar na defesa. O meio-campo será formado por Willian Arão, Christian Oliva, Gabriel Bontempo e Rollheiser, que vem de atuação de destaque contra o Bahia. A grande ausência é o volante Gustavo Henrique, que sofreu lesão muscular e não tem prazo de retorno definido. Sem ele, Arão carrega sozinho a responsabilidade de cobrir os espaços que Neymar naturalmente deixa ao se movimentar pelo campo.
O clube ainda convive com um departamento médico sobrecarregado: quatro atletas estão fora por lesões de diferentes graus, incluindo um caso de ruptura total do ligamento cruzado anterior — o tipo de baixa que compromete planejamento de elenco por meses. Com tantos desfalques, o técnico tem pouca variação de banco para mudar o jogo caso o placar não seja favorável.
O encaixe tático de Neymar e Gabigol
Tecnicamente, a convivência entre Neymar e Gabigol num mesmo sistema ofensivo exige soluções específicas. Os dois têm perfis distintos: Gabigol é centroavante de área, que vive de cruzamentos e jogadas de profundidade, enquanto Neymar opera com liberdade para sair pela esquerda e carregar a bola. O problema surge quando a equipe perde a posse — a transição defensiva fica comprometida, já que nenhum dos dois é referência de pressão alta. Rollheiser, posicionado entre os meias, deve ter a tarefa de cobrir essa transição pelo lado onde Neymar atuar.

A análise exclusiva do SportNavo sobre os dados coletivos do Santos nesta Sul-Americana aponta que o time sofreu gols em transições rápidas nas duas partidas anteriores, exatamente o padrão de jogo que o San Lorenzo costuma explorar como mandante no Estádio Pedro Bidegain.
O que o Santos precisa desta noite
A aritmética da fase de grupos é direta: o San Lorenzo lidera com quatro pontos e o Santos tem apenas um. Uma derrota nesta terça praticamente encerra qualquer possibilidade realista de classificação às oitavas de final, já que restariam três rodadas e a diferença saltaria para seis pontos. Uma vitória, por outro lado, aproxima o Peixe do líder e recoloca a chave em aberto.
O Santos volta a campo pelo Campeonato Brasileiro no próximo fim de semana, ainda precisando abandonar a zona de rebaixamento na Série A. Mas antes disso, é Buenos Aires, esta terça-feira, 19h — e a dupla Neymar e Gabigol tem a chance concreta de mostrar que o investimento do clube não foi em vão.








