Seis gols, seis artilheiras diferentes e uma mensagem clara: a renovação da Seleção Brasileira Feminina não é mais promessa, é realidade. A goleada por 6 a 1 sobre a Zâmbia, na Arena Pantanal, pela segunda rodada da FIFA Series, colocou em evidência nomes como Kerolin, Vitória Calhau e Raíssa Bahia – jogadoras que representam o futuro próximo de uma equipe em plena transformação geracional.

Os números desta nova fase são eloquentes. Das seis marcadoras contra a Zâmbia – Yasmim, Tainá Maranhão, Angelina, Raíssa Bahia, Kerolin e Vitória Calhau –, apenas duas têm mais de 25 anos. O contraste com a geração dourada é evidente: enquanto Marta acumula 199 jogos pela Seleção e Formiga encerrou a carreira aos 43 anos, a atual média de idade do elenco gira em torno dos 23 anos, reflexo de um investimento em categorias de base que finalmente mostra resultados concretos.

Kerolin lidera a nova safra de talentos

Aos 24 anos, Kerolin se consolidou como a principal referência ofensiva desta transição. Seu gol contra a Zâmbia foi o 15º em 32 jogos pela Seleção, números que a colocam entre as artilheiras mais eficientes da atual geração. Formada nas categorias de base do São Paulo e hoje defendendo o North Carolina Courage, na NWSL americana, ela representa o modelo ideal da nova jogadora brasileira: técnica apurada, experiência internacional e mentalidade vencedora.

Vitória Calhau, de apenas 22 anos, também chamou atenção na goleada. A atacante do Palmeiras, que marcou seu terceiro gol em oito jogos pela Seleção principal, exemplifica como o investimento em futebol feminino no Brasil tem gerado frutos. O Verdão investiu R$ 2,3 milhões em sua equipe feminina em 2024, valor 400% superior ao de 2020, criando um ambiente profissional que permite o desenvolvimento de atletas como Vitória.

Dados mostram revolução em curso

A FIFA Series, competição criada em 2023 para dar mais oportunidades de jogos às seleções femininas, tornou-se laboratório ideal para esta renovação. O Brasil disputou 18 partidas em 2024, número recorde para a categoria, permitindo que técnicos testem diferentes formações e atletas. O resultado: 14 vitórias, três empates e apenas uma derrota, com 52 gols marcados e 12 sofridos.

Tainá Maranhão, zagueira de 26 anos que também balançou as redes contra a Zâmbia, simboliza a evolução tática desta nova Seleção. Formada no Corinthians – clube que investiu R$ 8 milhões no futebol feminino nos últimos três anos –, ela representa uma geração de defensoras que não apenas marcam, mas participam ativamente da construção ofensiva, característica fundamental do futebol moderno.

Herança técnica em transformação

Angelina, meio-campista de 23 anos que atua no Orlando Pride, da NWSL, demonstra como a internacionalização das atletas brasileiras acelera seu desenvolvimento. Seu gol contra a Zâmbia foi marcado com a mesma precisão técnica que a fez ser titular em uma das ligas mais competitivas do mundo. A NWSL hoje conta com 12 brasileiras entre suas principais estrelas, número que era de apenas quatro em 2020.

Kerolin lidera a nova safra de talentos Nova geração marca seis gols contra Zâmb
Kerolin lidera a nova safra de talentos Nova geração marca seis gols contra Zâmb

Raíssa Bahia, aos 25 anos, completa este quarteto de destaque da nova geração. Sua trajetória – das categorias de base do Internacional ao profissionalismo no exterior – espelha a evolução estrutural do futebol feminino brasileiro. O Colorado, que não tinha equipe feminina em 2018, hoje conta com centro de treinamento exclusivo e orçamento anual de R$ 1,5 milhão para a modalidade.

Números projetam futuro promissor

A preparação desta nova Seleção para os próximos ciclos olímpicos e de Copa do Mundo baseia-se em dados concretos de crescimento. A CBF aumentou em 180% o investimento no futebol feminino entre 2019 e 2024, atingindo R$ 45 milhões anuais. Este valor permite não apenas a manutenção de calendário regular para a Seleção principal, mas também o fortalecimento das categorias de base.

Yasmim, aos 20 anos, a mais jovem artilheira contra a Zâmbia, representa exatamente este investimento em formação. Revelada pelo Santos – clube que criou seu departamento feminino em 2020 e já colhe frutos –, ela acumula títulos em todas as categorias inferiores da Seleção, mostrando continuidade no processo de desenvolvimento.

A goleada sobre a Zâmbia não representa apenas mais uma vitória, mas a consolidação de um projeto que começou há cinco anos. Com público médio de 15 mil pessoas nos jogos da Seleção Feminina em 2024 – crescimento de 85% em relação a 2022 –, e audiência televisiva que supera os 8 milhões de espectadores em jogos decisivos, esta nova geração encontra ambiente favorável para escrever seu próprio capítulo na história do futebol brasileiro. A próxima partida da FIFA Series, contra a Austrália, no dia 28 de fevereiro, será nova oportunidade para estas jovens promessas consolidarem a transição que já está em curso.