Os números não mentem: Neymar está vivendo o pior momento técnico de sua carreira profissional. Na derrota de 3 a 2 para o Fluminense, na Vila Belmiro, o camisa 10 perdeu a posse de bola 34 vezes e errou 15 passes, estatísticas que superam qualquer partida documentada em suas passagens pelo Barcelona e Paris Saint-Germain. O Santos permanece a apenas um ponto da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.

Comparativo estatístico revela queda abrupta

Levantamento exclusivo do SportNavo com dados das últimas cinco temporadas mostra que Neymar nunca havia perdido a posse mais de 28 vezes em uma única partida durante seus períodos na Europa. No PSG, entre 2017 e 2023, a média de perdas de bola por jogo ficava em 22,3, enquanto no Barcelona (2013-2017) esse número era ainda menor: 19,8 por partida. No Santos atual, essa média saltou para 31,2 perdas por jogo.

A precisão nos passes também despencou drasticamente. Na França, Neymar mantinha 87% de acerto nos passes, percentual que caiu para 72% desde o retorno ao Peixe. Contra o Fluminense, foram apenas 15 passes errados dos 28 tentados no primeiro tempo, aproveitamento de 54% que seria impensável em suas melhores fases europeias.

Fatores físicos comprometem rendimento

Fontes próximas ao departamento médico santista revelam que Neymar ainda não recuperou completamente a forma física ideal. Aos 32 anos, o atacante carrega no corpo as sequelas de lesões recorrentes no tendão de Aquiles e no joelho direito, problemas que limitaram sua participação em apenas 29 jogos pelo PSG na temporada 2023-24.

O preparador físico Antônio Carlos, que trabalhou com o craque no Barcelona, explica que a perda de explosão muscular é natural após longos períodos de inatividade. Durante a última passagem pela França, Neymar ficou 128 dias afastado dos gramados por diferentes lesões, período que coincide com o início da queda em seu aproveitamento técnico.

Sistema tático expõe limitações do camisa 10

A análise tática mostra que o esquema 4-2-3-1 utilizado pelo técnico Fábio Carille não favorece as características atuais de Neymar. Posicionado como meia-atacante centralizado, o jogador recebe a marcação de dois volantes adversários em todas as jogadas de construção, situação que não enfrentava no PSG, onde atuava pela ponta esquerda com maior liberdade de movimentação.

"Não tem ser humano que aguente", desabafou Neymar em vídeo publicado no Instagram após as críticas da torcida santista.

Os dados de corrida também preocupam: Neymar percorreu apenas 8,2 quilômetros contra o Fluminense, distância 23% menor que sua média no PSG (10,7 km por jogo). A velocidade de pico registrada foi de 28,4 km/h, muito abaixo dos 33,1 km/h que mantinha na Europa.

Comparativo estatístico revela queda abrupta Números revelam declínio técnico de
Comparativo estatístico revela queda abrupta Números revelam declínio técnico de

Pressão financeira aumenta cobrança sobre desempenho

O contrato de Neymar com o Santos prevê salário mensal de R$ 3,2 milhões até dezembro de 2025, valores que representam 34% da folha salarial total do clube. Essa disparidade financeira intensifica a pressão por resultados imediatos, cenário agravado pela proximidade da zona de rebaixamento.

Dirigentes santistas, em conversas reservadas, admitem preocupação com o retorno sobre investimento. O clube investiu R$ 47 milhões em luvas e comissões para viabilizar o retorno do ídolo, montante que precisa ser justificado com performances em campo que ainda não se materializaram.

O próximo desafio será na quinta-feira, contra o Grêmio, na Arena do Grêmio, onde Neymar terá nova oportunidade de reverter as estatísticas negativas que marcam seu retorno ao futebol brasileiro.