Os números não mentem: o Vasco de Renato Gaúcho vive sua pior fase defensiva em dois anos. Desde a chegada do técnico gaúcho, em outubro passado, o clube sofreu 1,8 gol por partida no Brasileirão, contra 1,3 na média dos últimos seis meses sob o comando anterior. A deterioração dos indicadores defensivos coincide com as cobranças públicas do presidente Pedrinho após a derrota por 2 a 0 para o Criciúma, resultado que mantém o time na 12ª posição com 43 pontos.
Indicadores defensivos em queda livre
O levantamento exclusivo do SportNavo revela que o Vasco sofreu 23 gols em 13 jogos sob Renato, uma média que representa aumento de 38,4% comparado aos números anteriores. No mesmo período de análise, o time concede 4,2 finalizações certas por jogo, contra 3,1 da gestão técnica precedente. A posse de bola também caiu de 54,7% para 48,3%, indicando menor controle das ações ofensivas adversárias.
Entre os números mais alarmantes está a eficiência dos oponentes: 42,3% dos chutes a gol contra o Vasco resultam em gol desde outubro, enquanto essa taxa ficava em 31,8% anteriormente. O setor defensivo vascaíno permite 2,1 grandes chances por confronto, número que supera equipes rebaixadas como Cuiabá (1,9) e Atlético-GO (2,0). Contra o Criciúma, foram sete finalizações adversárias, quatro delas consideradas claras oportunidades de gol.
Padrão tático expõe fragilidades estruturais
A análise tática mostra que Renato implementou um sistema mais ofensivo, com laterais subindo constantemente e meio-campo reduzido para três jogadores. Essa mudança, que deveria potencializar o ataque, criou espaços nas costas da defesa que adversários exploram sistematicamente. Lucas Piton e Paulo Henrique, os laterais titulares, participam de 68% das jogadas ofensivas, deixando Hugo Moura sozinho na cobertura defensiva em diversos momentos.

O atacante Vegetti, artilheiro do time com 12 gols no Brasileirão, teve sua média de finalizações reduzida de 3,4 para 2,8 por jogo desde a mudança técnica. Isso ocorre porque o argentino precisa recuar para ajudar na marcação, comprometendo sua função principal de finalização. Philippe Coutinho, recontratado em julho por R$ 6 milhões anuais, também sofre com a instabilidade defensiva, sendo forçado a marcar mais e criar menos.
"Precisamos melhorar defensivamente, não podemos tomar gols bobos como estamos tomando", declarou Pedrinho após o revés contra o Criciúma, em cobrança direta ao trabalho de Renato Gaúcho.
Pressão interna cresce com sequência negativa
Internamente, dirigentes questionam se Renato conseguirá corrigir as falhas defensivas a tempo de garantir uma vaga na Libertadores 2025. O Vasco está a seis pontos do G-6, com apenas quatro rodadas restantes no Brasileirão. Fontes do clube revelam que existe um prazo não oficial até o fim desta temporada para que o técnico demonstre evolução tática, especialmente na organização sem a bola.

A situação financeira também pesa nas decisões. O contrato de Renato Gaúcho, válido até dezembro de 2025, prevê multa rescisória de R$ 3 milhões caso seja demitido antes do prazo. Essa quantia representa 18% do orçamento mensal do departamento de futebol, calculado em R$ 16,8 milhões. Por isso, a diretoria prefere dar tempo para ajustes, mesmo com a crescente pressão da torcida.
O próximo teste será contra o Atlético-MG, na quinta-feira, na Arena MRV, em partida fundamental para as pretensões continentais vascaínas. Uma nova derrota pode acelerar mudanças que a diretoria espera evitar por questões orçamentárias, mas que se tornam inevitáveis diante da deterioração dos números defensivos.

