Os números não mentem quando se trata do retorno de Neymar ao Santos. Enquanto a torcida ainda se divide entre a nostalgia e a realidade, os dados concretos revelam uma discrepância brutal entre o ídolo que deixou a Vila Belmiro em 2013 e o jogador que voltou em 2025. Na derrota por 3 a 2 para o Fluminense no último domingo, essa diferença ficou ainda mais evidente, com o camisa 10 desperdiçando chances claras e sendo vaiado pela própria torcida.
Na primeira passagem pelo Santos, entre 2009 e 2013, Neymar acumulou números impressionantes: 136 gols em 225 jogos, média de 0,60 gol por partida. Além disso, registrou 64 assistências no período, participando diretamente de 200 gols em quatro temporadas completas. Em 2026, após 12 jogos no Brasileirão, o atacante possui apenas 3 gols e 4 assistências, média de 0,25 gol por partida - menos da metade da produtividade anterior.
Investimento milionário sem retorno proporcional
Segundo apuração do SportNavo, o contrato de Neymar com o Santos prevê salários que podem chegar a R$ 6 milhões mensais, incluindo bonificações por metas. O valor representa um investimento anual de aproximadamente R$ 70 milhões, considerando apenas a remuneração do jogador, sem contar luvas e outros benefícios contratuais. Para efeito de comparação, em sua primeira passagem, Neymar custava ao clube cerca de R$ 500 mil mensais em 2012, seu último ano antes da transferência ao Barcelona.
O especialista Fábio Sormani foi direto ao avaliar a performance contra o Fluminense.
"O Neymar fez um péssimo jogo! Poderia ter feito 3x2 em dois momentos da mesma jogada. Na primeira ele não teve coragem de chutar para o gol e eu não sei porquê", declarou o jornalista em seu canal no YouTube, destacando duas oportunidades desperdiçadas que poderiam ter mudado o resultado.
Comparativo técnico revela declínio físico
A análise estatística mostra que Neymar de 2026 percorre em média 8,2 quilômetros por partida, contra os 10,4 quilômetros de média registrados entre 2011 e 2013. A velocidade de pico também caiu drasticamente: dos 32,8 km/h alcançados regularmente na juventude para os atuais 28,1 km/h. Os dribles bem-sucedidos, marca registrada do jogador, despencaram de 7,2 por jogo para 3,8 na atual temporada.
O impacto dessas limitações físicas se reflete diretamente no desempenho coletivo do Santos. Com Neymar em campo nesta temporada, o Peixe venceu apenas 25% dos jogos (3 vitórias em 12 partidas), enquanto na era dourada do jogador, o aproveitamento era de 68% (102 vitórias em 150 jogos com Neymar como titular). O time atual ocupa a 15ª posição no Brasileirão, com 13 pontos, situação que contrasta brutalmente com os títulos Paulista de 2010, 2011 e 2012, além da Libertadores de 2011.
Pressão da torcida aumenta com cada jogo
A paciência dos torcedores santistas chegou ao limite após a derrota para o Fluminense. Manifestações nas arquibancadas incluíram frases como "Fora todo mundo, diretoria omissa e elenco vagabundo" e "Ei, Teixeira, vai tomar no c*", direcionadas ao presidente Marcelo Teixeira. O próprio Neymar demonstrou o desconforto ao deixar o gramado com os dedos nos ouvidos, tentando não escutar as vaias que ecoavam da Vila Belmiro.
Gabriel Barbosa, artilheiro do time com 15 gols na temporada, representa o único ponto positivo ofensivo do Santos atual. O centroavante encerrou jejum de um mês sem balançar as redes justamente contra o Fluminense, mas recebeu o terceiro cartão amarelo e está suspenso para o próximo compromisso contra o Bahia, marcado para sábado (25), na Arena Fonte Nova.
O Santos retorna aos gramados precisando urgentemente de uma vitória para se afastar da zona de rebaixamento. Com Gabigol suspenso e Neymar em baixa, a responsabilidade recai sobre um elenco que ainda busca encontrar sua identidade tática sob o comando técnico atual. O confronto contra o Bahia pode ser decisivo para definir se o projeto de reconstrução santista terá continuidade ou precisará de ajustes mais drásticos.

