Três dados: um único jogo apitado envolvendo a Seleção Brasileira em toda a carreira, uma detenção policial em operação contra tráfico de drogas e armas, e quatro jogadores do Real Madrid que o criticaram publicamente na última Champions League. Esses três números resumem quem é Slavko Vincic, o árbitro esloveno de 46 anos confirmado pela FIFA para comandar Copa do Mundo 2026 — especificamente Brasil x Marrocos, no MetLife Stadium em Nova Jersey, neste sábado (13), às 19h (horário de Brasília).
O único jogo do Brasil que Vincic apitou foi numa Copa sub-17 em 2017
A experiência de Vincic com a Seleção Brasileira é praticamente nula em termos de seleção principal. O esloveno apitou apenas uma partida envolvendo o Brasil em toda a sua trajetória: um jogo da fase de grupos da Copa do Mundo sub-17, em 2017, quando a Amarelinha venceu a Coreia do Norte por 2 a 0. Naquela equipe estavam nomes que se tornariam conhecidos no futebol nacional, como o goleiro Gabriel Brazão, o zagueiro Vitão, os meio-campistas Marcos Antônio e Paulinho, e o atacante Yuri Alberto. Quase uma década depois, Vincic reencontra o Brasil em um contexto radicalmente diferente — a fase de grupos de um Mundial com 48 seleções, diante de um Marrocos que, em setembro de 2023, venceu o Brasil por 2 a 1 em amistoso disputado na África, com gols de Abdelhamid Sabiri e Boufal, descontando Casemiro.
Na atual edição da Champions League 2025/2026, Vincic apitou nove partidas, o que o coloca entre os árbitros mais utilizados na competição. O jogo de maior repercussão foi a vitória do Bayern de Munique sobre o Real Madrid por 4 a 3, nas quartas de final — resultado que eliminou os espanhóis. No confronto de volta, na Alemanha, Vincic expulsou o meio-campista Eduardo Camavinga após dois cartões amarelos recebidos em um intervalo de apenas oito minutos, com o jogador em campo por somente 25 minutos. A decisão gerou reação imediata de quatro jogadores merengues.
Fede Valverde, Vini Jr, Carvajal e Bellingham foram os mais críticos após a expulsão de Camavinga
Ainda no gramado, Fede Valverde, Vinícius Júnior, Dani Carvajal e Jude Bellingham não esconderam a insatisfação com a arbitragem de Vincic. As críticas foram feitas tanto no campo quanto em conversa com jornalistas após o apito final. Para um árbitro que será escalado para um jogo da Seleção Brasileira — e que tem Vinícius Júnior como um de seus protagonistas —, o episódio ganha contornos ainda mais delicados. O atacante do Real Madrid já demonstrou publicamente que não hesita em cobrar árbitros, e um histórico de atrito com Vincic é um dado que a comissão técnica brasileira certamente não ignora.
Quem garante que um árbitro pressionado por um ambiente hostil de Copa do Mundo vai reagir de forma diferente do que reagiu numa semifinal de Champions?
No Brasil, diz o ditado popular, quem não tem cão caça com gato — e a FIFA, ao escalar Vincic para um jogo desta magnitude, parece ter feito exatamente isso: optou por um nome com currículo europeu sólido, mas com histórico de polêmicas que dificilmente passaria por um filtro mais rigoroso de reputação extracampo.
A detenção na Bósnia em 2020 e o que Vincic declarou às autoridades eslovenas
Em maio de 2020, Vincic foi detido durante uma operação policial em Bijeljina, na Bósnia, em ação que investigava suspeitas de tráfico de drogas, armas e prostituição. No momento da abordagem, o árbitro estava em uma propriedade rural acompanhada de 26 homens e nove mulheres. As autoridades locais confirmaram a apreensão de cocaína, dez pistolas, medicamentos e aproximadamente 10 mil euros — equivalentes a cerca de R$ 16 mil na cotação da época. Vincic foi conduzido à delegacia, prestou depoimento e não foi acusado formalmente, sendo inocentado após as investigações.
"Estava neste rancho por acaso. Tenho minha própria empresa e estava na Bósnia para uma reunião de negócios. Aceitei um convite para almoçar, o que acabou sendo meu maior erro", declarou Vincic ao jornal esloveno Vecer.
"Eu estava sentado à mesa com meus sócios, de repente, a polícia chegou. Não tenho nada a ver com o grupo que foi preso. Fomos levados para a delegacia e interrogados como testemunhas. Quando se constatou que não os conhecíamos, fomos liberados", completou o árbitro.
A FIFA, ao confirmar a escalação, manteve a equipe de arbitragem composta inteiramente por europeus: as bandeiras ficarão com os também eslovenos Tomaz Klancnik e Andraz Kovacic, o quarto árbitro será o suíço Sandro Schaerer — que apitou a vitória do PSG por 5 a 4 sobre o Bayern de Munique nas semifinais da Champions 2025/2026 — e o árbitro reserva será o também suíço Stephane de Almeida. Uma equipe tecnicamente experiente, mas que concentra toda a carga de controvérsia na figura central, conforme registrado pelo SportNavo.
O Brasil estreia no Grupo C diante do Marrocos neste sábado (13), às 19h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Após o duelo com os africanos, a Seleção ainda enfrentará Escócia e Haiti na fase de grupos. A escalação prevista pelo técnico tem Alisson no gol, Alex Sandro e Danilo nas laterais, Gabriel Magalhães e Marquinhos na zaga, e Lucas Paquetá — único remanescente do amistoso de 2023 entre os jogadores do Flamengo presentes no elenco — disputando posição no meio com Bruno Guimarães. Com Vincic no centro do campo e Vinícius Júnior no ataque, o potencial para tensão está dado desde o apito inicial.








