Os tambores já estão aquecendo no Pelourinho. Só que desta vez, quando a imagem cortar para Salvador no dia 13 de junho, o logotipo no canto da tela não vai ser o da Globo. O Olodum chegou ao Copa do Mundo de 2026 com nova emissora, novo contrato e o mesmo narrador de sempre: Galvão Bueno, que levou o grupo baiano consigo quando saiu da Globo após mais de 40 anos.
O acordo é exclusivo. O Olodum instalará telões no Pelourinho, em Salvador, e interagirá ao vivo com Galvão diretamente da capital baiana durante os pré-jogos da Seleção Brasileira no SBT — emissora que volta a exibir uma Copa do Mundo depois de quase três décadas de ausência.
Como 2002 criou um ritual que durou 24 anos na Globo
A história começa numa decisão de bastidores durante a campanha do pentacampeonato. Antes de um jogo do Brasil na Copa de 2002, Galvão pediu uma entrada ao vivo do Olodum. O que era uma ideia improvisada virou superstição, e a superstição virou tradição. Nas edições seguintes do Mundial, a presença do grupo baiano no pré-jogo passou a ser tratada como ritual obrigatório — quase um amuleto, nas palavras do próprio narrador.
"Para Galvão, a presença da banda é um verdadeiro amuleto nas Copas", conforme registrado por SportNavo com base nas informações da coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo.
Com o tempo, o que era uma entrada de TV se transformou num evento físico de escala impressionante. A Torcida Brasil Olodum — que tecnicamente existe desde 1990 — ganhou proporção nos últimos Mundiais e chegou a reunir mais de 20 mil pessoas no Pelourinho durante os jogos da Seleção. Nenhuma outra manifestação popular ligada à cobertura televisiva de Copa chegou perto desse número no Brasil.
O que muda nas próximas semanas com o SBT transmitindo
A estreia acontece já no dia 13 de junho, quando o Brasil enfrenta o Marrocos — equipe que chega à Copa sem seu principal desequilibrador, Abdessamad Ezzalzouli, o que altera bastante o perfil ofensivo marroquino. Para o SBT, receber o Olodum nesse jogo inaugural é um ganho simbólico considerável: a emissora não apenas transmite futebol, ela carrega um elemento que ajudou a construir a identidade afetiva das transmissões brasileiras ao longo de mais de dois décadas.
A divisão de trabalho no canal está definida: Tiago Leifert narrará 22 partidas, enquanto Galvão ficará com 10 — incluindo a abertura, a final e todos os jogos da Seleção. Os direitos foram adquiridos em parceria com o canal N Sports, por cerca de US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 134,5 milhões). Importante: não há exclusividade em TV aberta, então a Globo também transmitirá jogos do Mundial — mas os pré-jogos do Brasil com o Olodum são território do SBT.
- Galvão Bueno (SBT) — 10 partidas, incluindo abertura, final e todos os jogos do Brasil
- Tiago Leifert (SBT) — 22 partidas ao longo do torneio
- Direitos compartilhados — Globo também transmite jogos, sem exclusividade em TV aberta
- Investimento — US$ 25 milhões em parceria com o N Sports
O que esperar da interação Galvão e Olodum no Pelourinho a partir de 13 de junho
Galvão chega à sua 14ª Copa do Mundo como narrador — um número que por si só já é uma anomalia estatística no jornalismo esportivo global. A dinâmica com o Olodum sempre funcionou como um contraponto emocional à narração: enquanto Galvão controlava o ritmo da transmissão do estúdio, os tambores baianos criavam uma camada sonora e visual que conectava o evento televisivo a algo genuinamente popular. Essa tensão entre o controle narrativo do narrador e a energia incontrolável do Pelourinho é exatamente o que tornou o formato reconhecível.
Com os telões instalados na praça, a interação tende a ser mais elaborada do que nas edições anteriores — a tecnologia de transmissão ao vivo evoluiu consideravelmente desde 2002, e o SBT tem interesse claro em maximizar o impacto desse diferencial frente à concorrência. A torcida que se reunir no Pelourinho no dia 13 saberá que está num palco que agora pertence a outra emissora, mas com o mesmo ritual de sempre.
O mapa da temporada muda para quem?
Para a Globo, a perda do Olodum é mais simbólica do que operacional — a emissora mantém direitos de transmissão de jogos do torneio e uma estrutura de cobertura própria. Mas há 24 anos de memória afetiva construída em torno dessa imagem específica: os tambores, o Pelourinho, Galvão ao vivo. Esse pacote agora pertence ao SBT.
É o mesmo cenário que a Band viveu em 2014, quando tentou construir uma identidade de cobertura da Copa do Mundo no Brasil e ficou sem os elementos simbólicos que o público já associava a outras emissoras — só que agora a aposta é diferente: o SBT não está improvisando uma identidade, está importando uma pronta, com 24 anos de rodagem e estreia marcada para a próxima sexta-feira.








