O empate por 2 a 2 com o Hull City na terça-feira (21) selou o destino do Leicester City: rebaixamento para a terceira divisão inglesa. Dez anos após conquistar o título mais improvável da história da Premier League, as Raposas ocupam a 23ª posição da Championship com 42 pontos, impossibilitadas de alcançar a permanência.
A punição que acelerou a queda
A temporada 2025/26 foi marcada pela penalização de seis pontos por violação das regras de lucro e sustentabilidade. O Leicester infringiu as normas financeiras da liga inglesa, recebendo sanção considerada "desproporcional" pela diretoria. Essa dedução pontos foi determinante para o rebaixamento, considerando que o clube terminou apenas dois pontos abaixo da zona de segurança.
Quando descendeu da Premier League em 2023, o Leicester reduziu a folha salarial em 48%, mas ainda mantinha o maior orçamento da história da Championship. O retorno à elite em 2023/24 durou apenas uma temporada: nova queda com 17 pontos a menos que o 17º colocado.
Destino dos protagonistas de 2016
Riyad Mahrez, artilheiro daquela campanha histórica com 17 gols, atualmente defende o Al-Ahli, da Arábia Saudita, aos 34 anos. O argelino passou por Manchester City, onde conquistou quatro Premier League e uma Champions League antes de emigrar para o futebol árabe em 2023.
Jamie Vardy, aos 38 anos, permanece no Leicester mesmo após o rebaixamento. O atacante inglês, autor de 24 gols na temporada do título, vivenciou todas as quedas do clube e deve disputar a League One pela primeira vez na carreira. Sua permanência simboliza a lealdade em meio à derrocada institucional.
N'Golo Kanté construiu carreira brilhante após deixar Leicester. O volante francês conquistou Premier League pelo Chelsea (2017), Champions League (2021) e Copa do Mundo (2018) pela França. Atualmente joga no Al-Ittihad, também na Arábia Saudita, mantendo-se como titular da seleção francesa.
Análise tática da transformação
O Leicester de 2016 operava em sistema 4-4-2 com transições ofensivas verticais e compactação defensiva exemplar. A linha de pressão alta de Kanté e Drinkwater liberava Mahrez e Albrighton pelas laterais, enquanto Vardy explorava os espaços como pivô móvel.
Claudio Ranieri estruturava a equipe com 31% de posse de bola média, priorizando eficiência: 2,1 gols por jogo e apenas 36 gols sofridos em 38 partidas. A densidade no terço defensivo compensava a menor circulação de bola.
Segundo apuração do SportNavo, o atual Leicester perdeu essas características defensivas. A saída de peças-chave como Harry Maguire (Manchester United), Ben Chilwell (Chelsea) e James Maddison (Tottenham) desmantelou a estrutura tática que sustentava o projeto.
O presidente Aiyawatt Srivaddhanaprabha e o diretor Jon Rudkin são apontados como principais responsáveis pela crise institucional. A ex-CEO Susan Whelan deixou o cargo em outubro, evidenciando a instabilidade administrativa que precedeu o rebaixamento.
Na temporada 2026/27, o Leicester disputará a League One ao lado de Barnsley, Wigan Athletic, Reading e Huddersfield Town, competição três níveis abaixo da elite onde conquistou o título mais surpreendente do futebol inglês.

