A exclusão de Neymar Jr. do álbum oficial da Copa do Mundo 2026, revelada através das primeiras edições distribuídas na Espanha, marca um capítulo inédito na história das figurinhas da Seleção Brasileira. Em 94 anos de tradição da Panini na produção de álbuns esportivos, raras vezes um jogador com o currículo do atacante santista — 128 jogos e 79 gols pela Seleção — ficou de fora por questões técnicas e físicas.
A metodologia centenária da Panini
Fundada em 1961, a Panini estabeleceu seus critérios de seleção baseados em três pilares fundamentais: probabilidade de convocação, performance recente e relevância comercial. O processo de decisão ocorre entre 8 e 12 meses antes do torneio, período em que a empresa italiana analisa dados fornecidos por scouts em parceria com a FIFA. Para a Copa de 2026, essas definições aconteceram entre maio e setembro de 2025, quando Neymar acumulava apenas 3 jogos pelo Santos após retornar de lesão no ligamento cruzado.
Carlo Ancelotti, técnico da Seleção desde janeiro de 2025, nunca convocou o atacante em suas 8 listas oficiais. O italiano priorizou nomes como Vinícius Jr. (24 gols em 47 jogos), Rodrygo (12 gols em 31 jogos) e Raphinha (14 gols em 28 jogos) no setor ofensivo. Segundo apuração do SportNavo, a ausência sistemática de Neymar nas convocações pesou decisivamente na escolha da Panini.
Precedentes históricos revelam padrão rigoroso
A história dos álbuns da Copa apresenta casos similares de exclusões controversas. Em 1978, a Panini deixou de fora Leivinha, que havia disputado a Copa de 1974 e marcado 7 gols em 33 jogos pela Seleção, por não integrar os planos de Cláudio Coutinho. Ronaldinho Gaúcho, Ballon d'Or de 2005, ficou ausente do álbum de 2006 devido às incertezas sobre sua convocação por Carlos Alberto Parreira.
O caso mais emblemático ocorreu em 1994, quando Bebeto quase ficou de fora do álbum por questões contratuais com a CBF. A inclusão de última hora do atacante, que seria artilheiro da Copa com 3 gols, obrigou a Panini a reimprimir 2,3 milhões de álbuns na América do Sul. A empresa estabeleceu desde então protocolos mais rígidos para evitar alterações tardias.
Contradições técnicas geram polêmica
A presença de Rodrygo no álbum, apesar de sua lesão no menisco lateral confirmada em dezembro de 2025, expõe contradições nos critérios da Panini. O atacante do Real Madrid sofreu a contusão durante o El Clásico de 15 de dezembro e tem previsão de retorno apenas para maio de 2026, um mês antes da Copa. Sua inclusão baseou-se no histórico de convocações regulares por Ancelotti e na expectativa de recuperação a tempo do Mundial.
Neymar, por outro lado, disputou 17 partidas pelo Santos em 2025, marcando 11 gols e distribuindo 8 assistências. Os números superam a produtividade de outros atacantes presentes no álbum, como Endrick (6 gols em 15 jogos pelo Real Madrid) e João Pedro (9 gols em 23 jogos pelo Brighton). A discrepância estatística alimenta debates sobre a real metodologia aplicada pela editora italiana.
Impacto comercial e simbólico
A exclusão de Neymar representa perda comercial significativa para a Panini, considerando que o atacante foi o jogador brasileiro mais colecionado nos álbuns de 2018 e 2022. Pesquisas da empresa indicam que suas figurinhas geravam 23% mais trocas entre colecionadores em comparação com outros jogadores da Seleção. O marketing da Copa de 2026 perde assim um de seus maiores ativos publicitários no mercado brasileiro.
Na avaliação do SportNavo, a decisão reflete mudança geracional na Seleção e confirma o distanciamento definitivo entre Neymar e o projeto de Ancelotti. A convocação final da Copa será anunciada em 18 de maio de 2026, mas a exclusão do álbum antecipa um desfecho já desenhado nos bastidores da CBF desde o início da gestão do técnico italiano.

