A nota 9,4 no Sofascore para Lucas Paquetá após a goleada de 4 a 1 sobre o Independiente Medellín não foi acaso. O meio-campista brasileiro, em parceria com Giorgian de Arrascaeta, demonstrou no Maracanã uma sintonia tática que pode ser a chave para resolver os problemas criativos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
Com 71 ações no jogo e 98% de aproveitamento nos passes (54 de 55 tentativas), Paquetá ocupou a função de segundo volante com liberdade para subir ao ataque. A dupla ditou completamente o ritmo inicial da partida, garantindo mais de 70% de posse de bola nos primeiros 15 minutos e criando superioridade numérica constante no meio-campo.
Sistema tático libera potencial ofensivo
Leonardo Jardim confirmou Pedro como centroavante fixo, decisão que permite a Paquetá atuar em posição mais livre entre as linhas.
"O Pedro é o atacante dessa equipe, já reforcei isso algumas vezes. É um jogador que segura mais", explicou o técnico português após a partida.
Essa configuração tática criou espaços ideais para a movimentação de Paquetá. O brasileiro apareceu na entrada da área aos 15 minutos, ajeitou de cabeça erguida e finalizou no canto para abrir o placar. Durante os 77 minutos em campo, completou 31 passes no campo de ataque com 100% de precisão.
Arrascaeta, por sua vez, operou como organizador mais recuado, distribuindo jogo e criando amplitudes. O uruguaio foi responsável pelo cruzamento que resultou no segundo gol de Bruno Henrique e pelo passe que antecedeu seu próprio gol na segunda etapa.
Compactação defensiva permite transição rápida
A linha de pressão alta do Flamengo forçou erros do Medellín, gerando recuperações no campo ofensivo. Mesmo após sofrer o empate aos 39 minutos em contra-ataque colombiano, a dupla manteve a compactação e recompôs rapidamente a vantagem antes do intervalo.
Segundo apuração do SportNavo, essa capacidade de alternar entre posse controlada e transições verticais representa exatamente o que falta ao meio-campo da Seleção Brasileira. A parceria entre Paquetá e Arrascaeta oferece soluções tanto para quebrar defesas fechadas quanto para explorar espaços em jogos mais abertos.
Comparação com opções da Seleção
Na Seleção, Paquetá tem atuado em posições mais avançadas, função que limita sua capacidade de ditado de jogo. A experiência no Flamengo mostra que o ex-jogador do West Ham rende mais quando tem liberdade para aparecer em diferentes zonas do campo.
Douglas Luiz e Bruno Guimarães, as principais alternativas no meio-campo brasileiro, não oferecem a mesma versatilidade posicional. A sintonia natural com Arrascaeta - que, embora uruguaio, demonstra padrões táticos similares aos exigidos por uma seleção sul-americana - sugere que o modelo Flamengo poderia ser adaptado com outros meio-campistas brasileiros.
A confirmação de Pedro como pivô fixo também libera espaços para segundo atacantes móveis, característica que falta às formações recentes da Seleção. O volume de jogo criado pela dupla (mais de 120 ações combinadas) indica capacidade de controlar partidas em alto nível.
O Flamengo volta a campo no domingo, às 19h30, contra o Bahia no Maracanã pela 12ª rodada do Brasileirão. A performance de Paquetá neste confronto pode consolidar sua posição como titular absoluto e fortalecer seus argumentos por uma vaga na próxima convocação da Seleção.

