Três nomes. Três posições. Três problemas que podem redesenhar a Argentina antes mesmo de ela pisar no gramado contra a Argélia, no dia 16 de junho. Leandro Paredes, Nahuel Molina e Gonzalo Montiel estão no departamento médico. E Leonardo Balerdi já não está mais no grupo — foi o primeiro corte oficial do Mundial.
O sábado em que Balerdi derrubou o plano de Scaloni
Foi num treino de sábado, 6 de junho, que a notícia chegou como um balde de água fria. Balerdi, que havia se apresentado à seleção argentina sem nenhum problema físico registrado, sentiu a musculatura e saiu do campo. Horas depois, o corte foi confirmado. O curioso — e o que deixou o staff de Scaloni ainda mais tenso — é que ele não estava sequer na lista de preocupações iniciais. Nenhuma bandeira amarela. Nenhum histórico recente de lesão. Foi o tipo de baixa que nenhum planejamento prevê.
O técnico preferiu não tomar decisões precipitadas sobre o substituto. Sua fala após a vitória por 2 a 0 sobre Honduras foi cirúrgica:

"Não quero alarmar, mas não estamos com muitos jogadores a 100%, e a melhor decisão não passa só por um zagueiro. Vamos esperar. Temos mais um jogo, e não vamos tomar nenhuma decisão até terça para ver como estão os outros meninos, isso é fundamental. Vamos esperar", disse Lionel Scaloni.
A frase revela mais do que parece. Scaloni não está apenas gerenciando a ausência de um zagueiro. Está segurando o quebra-cabeça inteiro enquanto espera saber quais peças ainda existem.
Quando o corredor lateral vira o ponto mais fraco da Argentina
A Argentina de Scaloni construiu seu tetracampeonato americano e seu tricampeonato mundial — Copa América 2021, Copa do Mundo 2022 e Copa América 2024 — com os corredores laterais como armas ofensivas. Molina à direita, Acuña à esquerda, funcionando como alas que alimentavam Lionel Messi e os meias por dentro. Agora, Molina e Montiel são dúvidas. É como se a Argentina de 1994, que dependia de Caniggia e Balbo pelas pontas, chegasse à Copa sem os dois em forma — um desastre de planejamento que ninguém quer repetir.
Sem Molina e Montiel disponíveis, a solução imediata apareceu contra Honduras: Giay, lateral-direito do Palmeiras, entrou como titular e teve atuação aprovada pelo staff. O jovem de 20 anos pode ser convocado para o Mundial caso as lesões dos titulares se confirmem. Scaloni tem esse trunfo na manga — e a regra da Copa do Mundo permite substituições na lista até a véspera da estreia, desde que com documentação médica comprovada.
No meio-campo, a ausência de Paredes representa um problema diferente. O volante do Roma é o organizador por excelência do esquema argentino — o jogador que dita o ritmo, distribui e protege a linha defensiva. Sem ele, o espaço entre a defesa e os meias de criação fica exposto. Numa Copa do Mundo, esse espaço custa caro.

O último teste antes da Argélia e o que Scaloni vai observar
Na terça-feira, 9 de junho, a Argentina disputa seu último amistoso preparatório — contra a Islândia, no Alabama. O jogo funciona como um laboratório clínico tanto quanto tático. Cristian Romero, que voltou aos gramados nos minutos finais contra Honduras após se recuperar de lesão, deve ganhar mais minutos. Messi e Nico González, que ficaram no banco na última partida, também podem aparecer.
O nome mais próximo de receber alta do departamento médico é o meia Nico Paz. Sua liberação antes da estreia representaria ao menos um alívio no setor criativo. A decisão final de Scaloni sobre reposições na lista só vem depois desse jogo — e depende diretamente de como Paredes, Molina e Montiel respondem ao tratamento nos próximos dias, conforme apurado em matéria do SportNavo.
A Argentina estreia no dia 16 de junho contra a Argélia. Se Scaloni precisar entrar em campo com os três titulares ainda fora de condição, o esquema muda. Os corredores ficam mais conservadores, o meio-campo perde profundidade e a pressão sobre Messi aumenta. Não é catástrofe — mas é a Argentina mais vulnerável dos últimos quatro anos chegando ao torneio que mais exige perfeição. O último amistoso, na terça em Alabama, é o termômetro final antes de o grupo embarcar para o que realmente importa.








