Quando os portões do Allianz Parque se abriram na noite desta quinta-feira (23), entre os 35 mil torcedores que adentraram o estádio estava um rosto familiar que há muito tempo não pisava naquele gramado sagrado. Paulo Nobre, 58 anos, ex-presidente do Palmeiras entre 2013 e 2016, voltou a assistir a uma partida do Verdão após oito anos de ausência, cumprindo uma promessa que nasceu no calor da emoção durante a virada histórica contra a LDU na Libertadores de 2024.
A promessa que trouxe o ex-presidente de volta
A última vez que Nobre havia presenciado o Palmeiras jogar foi no dia 27 de novembro de 2016, quando o clube conquistou o título brasileiro diante da Chapecoense, em uma das noites mais especiais da história recente alviverde. De lá para cá, transformou-se naquilo que ele próprio define como um "torcedor de sofá e de tablet", acompanhando os jogos à distância, longe dos holofotes e da pressão que marcaram seus anos de gestão.

"Virei um torcedor de sofá e de tablet, quando viajo. Esse camarote quem frequenta são meus amigos. Uma dessas pessoas, depois que a gente perdeu de 3 a 0 para a LDU ano passado, teve a brilhante ideia de me propor uma promessa: se o Palmeiras reverter, você iria a um jogo no estádio de novo? Falei: está fechado"
A virada contra a LDU, que terminou 5 a 3 para o Palmeiras após estar perdendo por 3 a 0, foi um dos momentos mais dramáticos da campanha libertadores do clube. Segundo apuração do SportNavo, a promessa foi selada no calor daquele momento de desespero, quando poucos acreditavam na recuperação palmeirense. O amigo de Nobre ligou após o jogo, cobrando o cumprimento da aposta, mas o ex-dirigente foi categórico: voltaria quando quisesse, no jogo que escolhesse.
A vitória contra o Jacuipense e as emoções do retorno
O jogo escolhido por Nobre foi a partida de ida das oitavas de final da Copa do Brasil contra o Jacuipense, que o Palmeiras venceu por 3 a 0 com dois gols de pênalti de Sosa e um de Felipe Anderson. A goleada praticamente garantiu a classificação para a próxima fase, já que o time pode perder por até dois gols de diferença no jogo de volta, marcado para o dia 13 de maio, no Estádio do Café, em Londrina.
Para o ex-presidente, que comandou o clube durante a conquista da Copa do Brasil de 2015 e do Brasileirão de 2016, o retorno ao estádio trouxe uma mistura de nostalgia e estranhamento. A transformação física do Allianz Parque, que agora terá naming rights do banco Nubank, simboliza as mudanças profundas pelas quais o clube passou desde sua saída.
"Senti muita emoção, porque passei mais de 20 anos militando na política do Palmeiras. É estranho voltar, ver um jogo como torcedor. Foi tudo muito novo voltar a um lugar em que vivi os momentos mais especiais da minha vida"
O Palmeiras de hoje sob o olhar do ex-gestor
Durante sua entrevista, Nobre aproveitou para avaliar o elenco atual, especialmente a dupla de ataque formada por Vitor Roque e Flaco López. O uruguaio, que entrou no segundo tempo após a lesão de Vitor Roque, tem sido uma das surpresas positivas da temporada sob o comando de Abel Ferreira.
"Eu não esperava do Flaco que conseguisse dar essa volta por cima. Tiro meu chapéu para o Flaco, tiro meu chapéu para o Vitor Roque, tem meu respeito. A gente não tem hoje um superídolo, mas tem um conjunto muito bom"
A análise de Nobre reflete a evolução do clube desde os tempos de sua gestão, quando revelou jogadores como Gabriel Jesus e Dudu. Hoje, sob a presidência de Leila Pereira (2022-2027) e após o período de Maurício Galiotte (2017-2021), o Palmeiras consolidou-se como uma potência continental, conquistando três Libertadores e dois Brasileiros nos últimos seis anos.
De presidente a espectador eventual
Apesar da emoção do retorno, Nobre foi enfático ao afirmar que não pretende fazer disso um hábito. O homem que por mais de duas décadas esteve envolvido na política palmeirense prefere manter-se afastado dos holofotes, observando de longe a trajetória vitoriosa do clube que ajudou a reerguer nos anos mais difíceis.
A presença de Nobre no Allianz Parque serviu como uma ponte entre diferentes eras do clube. Seus dois mandatos como presidente (2013-2014 e 2015-2016) marcaram o início da reconstrução que culminou na dinastia atual, com conquistas que ele acompanha agora apenas pela televisão, exceto quando uma promessa feita no calor da emoção o obriga a sair do conforto do sofá.
O Palmeiras volta a campo no próximo sábado (26), às 18h30, contra o Red Bull Bragantino, fora de casa, pelo Campeonato Brasileiro, enquanto na terça-feira (29) enfrenta o Cerro Porteño, no Paraguai, pela Libertadores, em busca de mais uma classificação rumo aos sonhos continentais.

