O calendário da Seleção Brasileira para novembro de 2025 foi fechado com uma lógica que vai além do protocolo diplomático entre confederações. No dia 15, o Brasil enfrenta o Senegal no Emirates Stadium, em Londres, às 13h (horário de Brasília). Três dias depois, no dia 18, é a vez da Tunísia, no Decathlon Stadium, em Lille, na França, às 16h30. Dois amistosos, dois adversários africanos, e uma mensagem clara de Carlo Ancelotti para quem ainda não entendeu o que está sendo construído aqui: os últimos testes antes do Mundial precisam ser os mais duros possíveis.
A escolha de Ancelotti não foi protocolar foi cirúrgica
A CBF aguardou a confirmação da vaga do Senegal nas Eliminatórias Africanas para oficializar o amistoso — havia risco real de a seleção senegalesa não se classificar diretamente para a Copa do Mundo de 2026, o que tornaria o confronto menos relevante do ponto de vista tático. Com a vaga garantida, o jogo foi agendado. A Tunísia, por sua vez, liderava com folga o seu grupo nas Eliminatórias Africanas e o encontro já estava praticamente definido antes mesmo do anúncio oficial. Ancelotti pediu adversários que estarão nos gramados dos Estados Unidos, Canadá e México em 2026 — e a CBF entregou exatamente isso.
Essa escolha tem um pano de fundo tático preciso. As seleções africanas de ponta apresentam características que poucas equipes da América do Sul ou Europa conseguem replicar em treinos ou amistosos convencionais: velocidade nas transições defensivas para ofensivas, marcação por pressão alta em blocos compactos, e atacantes com capacidade física acima da média europeia. Senegal, semifinalista da Copa Africana de Nações em 2023 e campeã do torneio em 2022, tem em Sadio Mané — mesmo que em fase de carreira mais madura — um símbolo de exatamente esse perfil. A Tunísia, por sua vez, surpreendeu o Brasil na Copa do Mundo de 2022 no Catar, vencendo por 1 a 0 em uma partida que, embora sem consequências diretas na classificação, deixou um recado sobre a capacidade africana de neutralizar o jogo brasileiro.

O que os resultados recentes revelam sobre as necessidades do Brasil
A Data Fifa de outubro de 2025 jogou luz sobre fragilidades que Ancelotti precisa resolver antes de março, quando, segundo o próprio treinador, os amistosos serão disputados apenas com os jogadores já definidos para o Mundial. O Brasil goleou a Coreia do Sul por 5 a 0, resultado que animou, mas que precisa ser lido com cautela — a Coreia apresentou uma defesa desorganizada naquela noite. Já contra o Japão, o Brasil foi virado por 3 a 2 em Tóquio, resultado que expôs vulnerabilidades no setor defensivo e na capacidade de manter o resultado quando o adversário pressiona. Casemiro, ao comentar a derrota para os japoneses, lamentou a falta de consistência da equipe nos momentos em que o jogo exigiu mais controle.
"A seleção brasileira fechará o ano de 2025 com dois amistosos na Europa, em novembro. No dia 15, enfrenta Senegal no Emirates Stadium, em Londres, na Inglaterra, às 13h (de Brasília). Em seguida, no dia 18, encara a Tunísia, no Decathlon Stadium, em Lille, na França, às 16h30 (de Brasília)", detalhou a CBF no comunicado oficial.
Ancelotti já tem aproximadamente dois terços do elenco definido mentalmente para a Copa, mas vagas continuam abertas em todos os setores — da disputa pelo posto de terceiro goleiro às laterais, passando por posições no meio-campo. Isso significa que os amistosos de novembro carregam um peso enorme para os jogadores na faixa de corte: quem convencer o treinador italiano nessas duas partidas aumenta drasticamente as chances de embarcar para a Copa do Mundo de 2026.
Senegal e Tunísia como espelhos do que o Brasil pode encontrar em 2026
A Copa do Mundo de 2026 terá 48 seleções pela primeira vez na história, com a África representada por nove vagas — três a mais do que no formato anterior. Isso aumenta a probabilidade estatística de o Brasil cruzar com ao menos uma seleção africana antes das semifinais, especialmente considerando que o sorteio de grupos tende a distribuir as potências europeias e sul-americanas em chaves separadas nas fases iniciais. Jogar contra Senegal e Tunísia em novembro não é apenas um exercício de observação — é uma simulação de cenário real.
O Senegal, atual 18º colocado no ranking da FIFA, tem um elenco que combina experiência europeia — a maioria dos titulares atua em clubes da Premier League, Ligue 1 e Serie A — com uma identidade física e coletiva muito bem definida sob o comando do técnico Aliou Cissé, que está à frente da seleção desde 2015. A Tunísia, 26ª no ranking, é conhecida pela organização tática e pela capacidade de transformar blocos defensivos compactos em contra-ataques letais — exatamente o tipo de sistema que pode incomodar um Brasil que ainda busca consistência no controle de partidas.
Novembro decide quem vai ao Mundial e quem fica em casa
Ancelotti foi claro ao sinalizar que os amistosos de março de 2026 serão disputados com o grupo já fechado. Isso transforma os jogos de novembro em algo próximo de uma peneira final para os jogadores na borda da lista. Laterais, terceiro goleiro e algumas posições no ataque ainda estão em aberto — e o treinador italiano tem o hábito de observar comportamentos sob pressão, não apenas performances individuais em situações favoráveis. Enfrentar Senegal e Tunísia, adversários com intensidade física e organização coletiva acima da média, oferece exatamente o tipo de ambiente que revela caráter tático.
Os dois jogos acontecem na Europa, o que facilita a convocação dos atletas que atuam no Velho Continente e reduz o desgaste de viagem para a maioria do elenco. A sequência — Londres no dia 15, Lille no dia 18 — foi planejada para maximizar o tempo de observação com o mínimo de deslocamento. Ancelotti terá três dias entre um jogo e outro para ajustar, experimentar e decidir. O Brasil chega a novembro com a missão de fechar o ano sabendo, com clareza, quem são os 23 ou 26 nomes que vão brigar pelo hexacampeonato — está tomando forma a lista. Falta o crivo final.








