Uma hora e meia de ônibus separavam os jovens atletas do Flamengo do campo onde iriam jogar. Esse deslocamento diário do Ninho do Urubu até a Gávea, percorrido antes de cada partida das categorias de base, foi o estopim prático de uma mudança estratégica que o clube concluiu formalmente nesta semana: a partir desta quarta-feira (29), os jogos do sub-15 e sub-17 rubro-negro passam a ser realizados no campo 6 do próprio CT, contra o Madureira, em confronto válido pela sétima rodada da Taça Guanabara.
A conta que o Flamengo fez sobre tempo e desgaste
O trajeto entre o Ninho do Urubu e a Gávea, feito de ônibus, consome em média uma hora e meia — e isso em condições normais de trânsito na cidade do Rio de Janeiro. Em dias de semana, com o fluxo mais intenso, o tempo pode se esticar além disso. A comissão técnica exigia que jogadores e staff chegassem ao estádio da Gávea com ao menos uma hora e meia de antecedência em relação ao horário dos jogos. Na prática, isso significava que os atletas se apresentavam no CT, embarcavam no ônibus e chegavam ao local da partida já com o desgaste físico e mental do deslocamento. A lógica da mudança é simples: esse tempo de viagem passa a ser incorporado à programação de preparação dentro do próprio CT.
Segundo apuração do SportNavo, a decisão de transferir as partidas para o Ninho não foi tomada de uma hora para outra. A ideia começou a tomar corpo em abril do ano passado, quando Alfredo Almeida assumiu a direção do futebol de base do Flamengo. Almeida identificou no deslocamento repetitivo um fator de desgaste desnecessário para garotos que, em muitos casos, têm entre 14 e 17 anos e já acumulam uma rotina intensa de treinos.
Amistosos como laboratório antes da decisão oficial
Antes de oficializar o campo 6 do CT como sede de jogos competitivos, o Flamengo usou amistosos de categorias de idades inferiores para testar a viabilidade da mudança. Esses jogos serviram como laboratório operacional: a comissão técnica e o staff avaliaram desde o estado do gramado e a marcação dos campos até a logística de chegada e saída de delegações visitantes. Cada detalhe foi observado com o objetivo de identificar o que precisava ser ajustado antes que jogos oficiais fossem disputados no local.

O campo 6 do Ninho do Urubu oferece uma vantagem competitiva objetiva: os garotos treinam ali diariamente, conhecem cada centímetro do gramado, sabem como a bola quica naquela superfície e estão familiarizados com as dimensões e os referenciais visuais do espaço. Jogar em casa, no sentido mais literal da expressão, elimina a variável do ambiente desconhecido. Nas palavras da gestão do futebol de base, a ideia é que os garotos carreguem a vantagem técnica de atuar exatamente onde estão acostumados a treinar — um benefício que clubes europeus de formação exploram há décadas.
Estrutura completa antes e depois dos jogos
A transferência das partidas para o CT também garante aos atletas acesso integral à infraestrutura do Ninho do Urubu antes e depois dos confrontos. Academia, departamento médico, espaço específico para nutrição e refeitório ficam disponíveis no mesmo complexo, sem necessidade de deslocamento. Para categorias de base, onde o desenvolvimento físico e a recuperação pós-esforço são componentes críticos do processo formativo, essa disponibilidade de estrutura no próprio local do jogo representa um ganho concreto.

A análise do SportNavo sobre a movimentação do futebol de base rubro-negro indica que esta decisão está alinhada a um projeto mais amplo de valorização das categorias jovens iniciado pela gestão de Alfredo Almeida. O Flamengo investiu nos últimos anos em melhorias estruturais no CT e a utilização do campo 6 para jogos competitivos é o passo natural de um processo que começou com obras e termina com a formalização do espaço como sede oficial das categorias de formação.
Sem público por enquanto, mas com perspectiva de evolução
Por se tratar de um projeto em fase inicial de implementação, as partidas no Ninho do Urubu não terão acesso ao público em um primeiro momento. A decisão é deliberada: a diretoria quer observar as necessidades específicas de cada jogo realizado no local antes de avançar para a abertura ao torcedor. Pontos como controle de acesso, sinalização, fluxo de pessoas e demandas operacionais precisam ser mapeados e resolvidos antes que o espaço seja aberto a visitantes externos.
A estreia oficial acontece nesta quarta-feira (29), com os times sub-15 e sub-17 enfrentando o Madureira no campo 6, pela sétima rodada da Taça Guanabara. O resultado dessas primeiras partidas no novo formato — não apenas no placar, mas na avaliação logística e operacional — vai definir o ritmo com que o Flamengo expandirá o modelo para outras categorias do futebol de base.








