As lágrimas de Pri Daroit na Arena UniBH na noite desta sexta-feira (24) disseram mais do que qualquer estatística poderia registrar. A ponteira de 37 anos, 1,82m, que anunciou sua saída do Gerdau Minas após cinco anos na última temporada, se emocionou ao garantir a vaga na final da Superliga Feminina de Vôlei com a virada sobre o Osasco São Cristóvão Saúde por 3 sets a 2 — um resultado construído com caráter, inclusive quando as paulistas abriram 8 a 5 no tie-break.
A despedida que o elenco do Minas merecia protagonizar
Pri Daroit não escondeu o peso emocional do momento. A jogadora, que está confirmada na próxima temporada nos Estados Unidos, falou com a equipe de imprensa logo após o apito final com voz embargada.

"Eu ia falar que eu estou em paz, que já chorei muito. Mas estou em paz. Muitas coisas aconteceram, mas sou muito grata por tudo que eu vivi aqui, vou morrer de saudade. Nunca escondi o tanto que eu amo estar aqui. Quero muito fechar com chave de ouro a minha passagem pelo Minas."
Esta é a terceira passagem da ponteira pelo clube mineiro, a mais longa delas, com cinco temporadas consecutivas. Nesse ciclo, Pri consolidou números expressivos em pontos de ataque nas campanhas da Superliga, se tornando uma das referências ofensivas do sistema de jogo do Minas — especialmente nos cruzamentos pelo lado esquerdo da rede após levantamentos de tempo em zona 4.
Como o Minas virou o jogo contra o Osasco no tie-break
A virada sobre o Osasco no quinto set foi um teste de consistência coletiva. Com a desvantagem de 8 a 5 no tie-break, o Minas não recuou na linha de saque e sustentou a pressão no sistema defensivo até reequilibrar o placar. Pri Daroit descreveu a mentalidade do grupo no vestiário antes da partida.
"Foi um jogo muito duro, decidido no último set. As duas equipes mereciam isso, o campeonato merecia isso. A gente prometeu lá no vestiário que iria entregar tudo, iria deixar o coração aqui dentro. Então mesmo quando Osasco abriu um pouco o placar no tie-break a gente não desistiu."
Do ponto de vista tático, a capacidade do Minas de manter a qualidade de recepção sob pressão no tie-break foi determinante para neutralizar o momentum do Osasco. A eficiência de bloqueio nas zonas de conflito entre as passadoras e as ponteiras adversárias, aliada à variação no saque — alternando entre saque viagem e flutuante — impediu que o Osasco construísse sequências longas de ponto.
A outra semifinal e a decisão mineira no Ibirapuera
Enquanto o Minas decidia em Belo Horizonte, o Maracanãzinho, com quase 10 mil torcedores, assistia ao Praia Clube eliminar o Sesc Flamengo também por 3 sets a 2, com parciais de 25-23, 36-34, 22-25, 11-25 e 15-13. O segundo set, encerrado em 36-34, foi um dos mais dramáticos da temporada: o Praia salvou múltiplos set points do Flamengo antes de fechar. Fingall foi a maior pontuadora da partida com 31 pontos, sendo 24 deles concentrados nos dois primeiros sets. No tie-break, o ace de Caffrey no 11 a 8 foi o ponto de inflexão que o Flamengo não conseguiu reverter, apesar de dois bloqueios consecutivos de Lorena e Tainara reduzirem para 15 a 14.
A análise do SportNavo aponta que a decisão Praia Clube x Minas coloca frente a frente dois sistemas táticos distintos: o Praia, dependente da produção ofensiva de Fingall na posição de oposta para gerar pontos de ataque em pipe e diagonal longa, contra um Minas que distribui melhor a carga ofensiva entre ponteiras e distribui o pipe entre diferentes jogadoras para criar zonas de conflito no bloqueio adversário.
O que está em jogo para Pri Daroit em 3 de maio
Para Pri Daroit, a final do dia 3 de maio no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, será o último jogo com a camisa do Minas — e, possivelmente, o mais importante de sua carreira no clube. A ponteira soma três passagens por Belo Horizonte, mas ainda busca o título da Superliga como encerramento desse ciclo antes da transferência para os Estados Unidos.
A partida única que define o campeonato favorece equipes com maior consistência técnica sob pressão, exatamente o ambiente onde ponteias experientes como Pri, com leitura refinada do bloqueio adversário e tomada de decisão no ataque em velocidade alta, tendem a fazer a diferença. O Praia Clube chega à decisão com o histórico de ter superado um Sesc Flamengo respaldado por quase 10 mil torcedores — credencial de resistência que o Minas precisará neutralizar a partir do primeiro set no Ibirapuera.








