A Justiça reabriu o processo por violência sexual contra Dimitri Payet, ex-meia do Vasco da Gama, após a inclusão de novas alegações pela denunciante Larissa Ferrari, advogada que manteve relacionamento extraconjugal com o francês entre agosto de 2024 e março de 2025. O caso havia sido arquivado, mas voltou a tramitar com a juntada de documentos, imagens e registros de conversas que embasam acusações de violência física, psicológica e sexual.
As acusações e o perfil das alegações
Larissa Ferrari descreve episódios de agressão ocorridos durante a relação. Em depoimento registrado no processo, ela relatou abusos de natureza física durante relações sexuais.

"Durante o sexo, começou a me castigar, me bater e pisotear minha cara", afirmou a denunciante, acrescentando que se sentiu "emocionalmente violada".
As autoridades identificaram no material analisado "atitudes e comentários degradantes, bem como atos de humilhação e manipulação". A defesa de Larissa aponta que há provas documentais que sustentam as acusações nas três esferas — física, psicológica e sexual.
"Não tinha outra escolha, nem dignidade. Apenas uma imposição brutal e repugnante por parte de um homem que se achava no direito divino de me possuir, abusar de mim e me descartar", declarou Larissa em seu depoimento.
Cronologia do processo
O relacionamento entre Payet e Larissa durou aproximadamente sete meses, de agosto de 2024 a março de 2025 — período em que o jogador ainda atuava pelo Vasco da Gama, clube pelo qual passou entre 2023 e 2025 antes de se aposentar. A primeira abertura do processo precedeu a fase atual, mas o arquivamento foi revertido após a denunciante apresentar novos elementos à Justiça.
Segundo apuração do SportNavo, o jornal francês L'Équipe foi o primeiro veículo a reportar a reabertura do caso, detalhando que a inclusão de pedido de danos morais foi um dos fatores que motivou a reavaliação pelas autoridades. As próximas semanas serão decisivas: os magistrados deverão se pronunciar sobre a manutenção das acusações e o eventual avanço para julgamento formal.
A versão de Payet
Recém-aposentado do futebol profissional, Payet admite o relacionamento com Larissa Ferrari, mas nega categoricamente todas as acusações de violência. Sua defesa sustenta que as práticas descritas pela advogada eram consensuais e enquadradas dentro do que o próprio ex-jogador classifica como sadomasoquismo.
A linha argumentativa da defesa de Payet atribui à própria denunciante a iniciativa pelas práticas que ela hoje descreve como abusivas. A estratégia jurídica, portanto, se concentra na tese do consentimento — o que coloca o caso no âmbito de uma disputa probatória sobre a natureza das interações documentadas no processo.
Possíveis desdobramentos jurídicos
A reabertura do processo coloca Payet em situação processual relevante mesmo após o encerramento de sua carreira. Os elementos centrais da análise judicial incluem:
- Validade e interpretação dos documentos, imagens e conversas apresentados pela defesa de Larissa;
- Enquadramento jurídico das condutas descritas, especialmente a linha entre consentimento e coerção;
- Decisão sobre manutenção ou arquivamento definitivo das acusações nos próximos dias;
- Possível avanço para julgamento formal caso as provas sejam consideradas suficientes.
A denunciante mantém posição pública firme sobre o desfecho que espera do processo.
"Todos os dias suporto a vergonha e a humilhação. Espero que o Dimitri seja condenado. Quero que isto sirva de exemplo para todos aqueles que se calam perante os abusos", concluiu Larissa Ferrari.
Conforme análise do SportNavo, a reabertura do caso em território brasileiro — onde Payet residiu durante sua passagem pelo Vasco — pode gerar implicações jurídicas em mais de uma jurisdição, dado que o jogador é cidadão francês e o processo corre no Brasil. A decisão judicial sobre a continuidade da ação está prevista para os próximos dias.








