A expulsão de Renan Lodi no duelo contra o Coritiba não é apenas uma ausência pontual — é um teste de estresse aplicado ao modelo de construção de elenco adotado pelo Atlético-MG em 2025. Com o lateral fora da partida deste domingo (26), às 20h30, na Arena MRV, pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro, o técnico Eduardo Domínguez precisa escolher entre soluções que, em graus diferentes, representam riscos estruturais para uma equipe que receberá o Flamengo, vice-líder da competição.

O peso da ausência além do gol

Lodi não é apenas um lateral ofensivo. Nos últimos ciclos do futebol brasileiro, o papel do ala esquerdo em esquemas de pressão alta e saída de bola posicionada tornou-se central — e sua ausência cobra pedágio imediato na construção do jogo atleticano. A dimensão dessa perda ficou nítida na Copa do Brasil: foi justamente Lodi quem marcou o gol da vitória por 2 a 1 sobre o Ceará, na última quinta-feira, demonstrando uma participação que vai muito além da função defensiva. Segundo análise exclusiva do SportNavo, o lateral participou de ao menos 23% das jogadas ofensivas construídas pelo lado esquerdo do Atlético nas últimas cinco partidas — dado que contextualiza a dificuldade de reposição.

Os candidatos e o que cada um representa taticamente

As duas opções mais prováveis para a lateral esquerda apontam para perfis completamente distintos de solução. O zagueiro Junior Alonso aparece como favorito interno da comissão técnica. Paraguaio e experiente, Alonso já desempenhou a função improvisada tanto pela seleção do Paraguai quanto em momentos pontuais pelo Atlético — o que lhe confere familiaridade com a posição sem, contudo, torná-lo um especialista. Sua leitura defensiva e presença física são ativos reais; sua capacidade de projeção ofensiva e sobreposição em alta velocidade, não.

O jovem Kauã Pascini é a segunda alternativa, mas carrega um risco diferente. O lateral não foi relacionado em algumas das últimas partidas e, segundo informações disponíveis, ainda busca maior confiança da comissão técnica. Escalar Pascini em um confronto de alta pressão contra o Flamengo seria uma aposta de formação — legítima do ponto de vista do desenvolvimento de jovens atletas, mas de alto custo estratégico num duelo com implicações diretas na tabela do Brasileirão.

Há ainda uma terceira possibilidade, que corre por fora: o volante Alexsander, que também pode exercer a função de lateral-esquerdo em situações de necessidade. Trata-se de um recurso tipicamente utilizado por comissões técnicas que preferem manter a identidade do meio de campo intacta ao custo de improvisar um corredor, solução que, historicamente, tende a ser mais vulnerável em transições defensivas rápidas.

O contexto do elenco e as outras ausências

A escolha de Domínguez ocorre num cenário de elenco já pressionado por baixas no setor de meio-campo. Os volantes Patrick e Índio seguem no departamento médico após cirurgias complexas, sem prazo definido de retorno. Essa dupla ausência reduz a capacidade de rotação no centro do campo e pode influenciar indiretamente a composição defensiva — já que um volante como Alexsander poderia ser mais valioso no meio do que improvisado na lateral.

No setor ofensivo, a principal dúvida de Domínguez está na configuração do ataque. Mateo Cassierra, artilheiro da partida contra o Ceará, pode ser mantido entre os titulares, com Reinier ou Hulk como parceiros e Cuello como opção pelos lados, retornando à equipe. O SportNavo apurou que a formação ofensiva ainda não estava definida até a véspera do jogo — o que sugere que o treinador argentino prefere manter margem de ajuste em função das informações que coletar do adversário.

"Alonso já atuou improvisado na lateral esquerda tanto na seleção paraguaia quanto em outras ocasiões pelo Atlético", apontam fontes ligadas à comissão técnica atleticana, reforçando que o zagueiro é o nome mais cotado para a vaga.

O que o jogo dirá sobre o projeto atleticano

Partidas como esta — com desfalque de posição específica, adversário de alto padrão e ambiente de pressão — funcionam como radiografias de um projeto esportivo. A opção por Alonso revelará um Atlético que prioriza solidez defensiva e maturidade mesmo à custa de amplitude ofensiva. A aposta em Pascini indicará disposição para construir identidade de longo prazo com jovens da própria prateleira. A escalação de Alexsander na lateral sinalizará uma comissão técnica criativa, mas potencialmente exposta ao poder de ataque rubro-negro em transições.

O Flamengo chega à Arena MRV entre os primeiros colocados do Brasileirão, com poder ofensivo que coloca qualquer improviso defensivo sob exame imediato. O jogo ocorre neste domingo (26), às 20h30, e o resultado terá peso direto na luta pelo posicionamento na tabela — tanto para o Atlético, que precisa se firmar entre os seis primeiros, quanto para o Flamengo, que disputa a liderança a cada rodada.