R$ 150 milhões adicionais. Esse é o mínimo que o Flamengo vai embolsar até 2029 após fechar acordo com a Libra e encerrar a batalha judicial que travava o repasse de direitos de transmissão do Brasileirão para todos os clubes do bloco. O valor representa uma injeção de pelo menos R$ 37,5 milhões por ano, com possibilidade de crescimento conforme as métricas de audiência — que, segundo fontes internas ao clube, têm favorecido o Mengão nas medições mais recentes.
Como chegamos aqui
A briga teve origem no contrato firmado com a Globo ainda na gestão de Rodolfo Landim. O presidente atual, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, não aceitou os termos e foi público ao criticar o acordo. Nas palavras do mandatário, o vínculo havia sido firmado por pessoas que "não tinham conhecimento de como funciona o mercado dos direitos de transmissão" — e que, por isso, os clubes da Libra estavam, literalmente, perdendo dinheiro.
O Flamengo queria ser remunerado com base no cadastro de pay-per-view, critério que elevaria sua fatia para R$ 253 milhões anuais. A Libra reconhecia apenas R$ 200 milhões pelo critério padrão. Sem acordo, o clube entrou com ação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e bloqueou R$ 77 milhões em repasses. Outros R$ 13,3 milhões ficaram retidos no Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem (CBMA).
"O contrato havia sido firmado por pessoas que não tinham conhecimento de como funciona o mercado dos direitos de transmissão", disse Bap, presidente do Flamengo, em declaração aos bastidores do bloco.
Em março deste ano, os clubes se reuniram em sessão de arbitragem. O clima esfriou e as partes voltaram à mesa. O acordo final, ainda em fase de troca de minutas entre advogados, estabelece R$ 150 milhões extras distribuídos em parcelas iguais até 2029, com correção pelo IPCA a partir da próxima temporada. A expectativa dentro do Flamengo é que o valor final fique acima do piso negociado, podendo chegar a R$ 160 milhões.
O impacto direto nas contratações
A liberação dos valores bloqueados já é o primeiro efeito prático: R$ 21,1 milhões retidos no TJRJ e R$ 13,3 milhões no CBMA serão desbloqueados assim que o contrato for assinado, o que deve ocorrer até o fim desta semana, segundo o Estadão. O Flamengo, por sua vez, retira a ação da Corte Arbitral.
A análise do SportNavo mostra que a previsibilidade desse fluxo de caixa — R$ 37,5 milhões garantidos por ano, corrigidos pelo IPCA — é o ponto mais relevante para o planejamento esportivo. Não se trata só do montante, mas da segurança para assinar contratos plurianuais com atletas de alto custo sem comprometer o equilíbrio orçamentário.
O Flamengo encerrou 2024 com receita superior a R$ 1,2 bilhão e segue entre os clubes com maior base de torcedores engajados do país — mais de 44 milhões de seguidores somados nas redes sociais oficiais. Cada reforço anunciado gera picos de engajamento que retroalimentam o valor comercial do clube junto a patrocinadores. O dinheiro da Libra entra como complemento estratégico, não como boia salva-vidas.

Fair play financeiro no radar
A Conmebol reforçou em 2024 as exigências de fair play financeiro para participação na Libertadores. Clubes com dívidas acima de determinados patamares enfrentam restrições de inscrição de jogadores. O acordo com a Libra reduz a pressão sobre o caixa e amplia a margem para contratações sem risco de pendências junto à confederação.
"O Flamengo tem pretensão de receber R$ 253 milhões, com o critério a ser adotado sendo o cadastro de pay-per-view", informou o UOL Esporte ao detalhar os bastidores da disputa.
O levantamento do SportNavo aponta que o acréscimo anual de R$ 37,5 milhões equivale, em valores de mercado da última janela, a aproximadamente dois reforços de nível médio-alto para o elenco — ou à renovação de um atleta de referência que custaria salário na casa de R$ 3 milhões mensais. Nenhum clube do Brasil recebe mais da Libra do que o Flamengo depois desse acerto.
O próximo capítulo da Libra
Com a paz interna restabelecida, a Libra agora mira uma pauta maior: a aproximação com a FFU, outro bloco de negociação ligado à CBF, para viabilizar uma liga única de futebol no Brasil. O Flamengo, maior gerador de audiência do Brasileirão, sai fortalecido dessa negociação com capital político e financeiro para influenciar os próximos acordos de TV — cujos contratos serão discutidos antes de 2029.
Na quarta-feira (29), às 21h30, o Flamengo enfrenta o Estudiantes em La Plata, pela Copa Libertadores. O jogo é transmitido pela Globo no canal aberto e pelo Paramount+ no streaming — exatamente os mesmos parceiros cujo dinheiro acabou de ser redistribuído a favor do clube.








