Quando Robinho — o pai — tinha 18 anos, já havia estreado pelo Santos e estava prestes a ser vendido ao Real Madrid por cerca de 24 milhões de euros. O filho, Robinho Junior, chegou aos 18 anos com um caminho diferente: ainda construindo espaço no time principal, mas com uma cláusula de rescisão de 50 milhões de euros inserida no contrato que assinou em agosto de 2024 — valor que, por si só, conta mais sobre a aposta do clube do que qualquer estatística desta temporada.

Onde ele pode estar em 2027

O Santos atravessa uma reestruturação após o rebaixamento de 2023 e a volta à Série A. Nesse contexto, jovens de base com cláusulas altas funcionam como ativo duplo: servem ao elenco e ao balanço financeiro. Se Robinho Junior confirmar regularidade no segundo semestre de 2026, o clube terá argumento concreto para renegociar o contrato — ou para receber uma proposta europeia que justifique a cláusula.

O cenário mais realista para 2027 é um atacante com pelo menos uma temporada completa na Brasileirão Série A, números suficientes para aparecer em relatórios de scout e, possivelmente, uma primeira convocação para seleções de base. A cláusula de 50 milhões de euros — valor próximo ao que clubes como Ajax e Benfica pagam por jovens sul-americanos de alto potencial — não é acidente: é sinalização intencional do Santos ao mercado externo.

O que precisa acontecer até lá

Na temporada atual, Robinho Junior soma 14 jogos, 0 gols e 1 assistência na Série A. O número de partidas é positivo para um atacante de 18 anos recém-chegado ao profissional; a ausência de gols, no entanto, é o dado que precisa mudar. Jogadores que estreiam no Brasileirão entre os 17 e 18 anos raramente são cobrados por volume ofensivo imediato — mas o relógio começa a contar a partir do momento em que a cláusula de 50 milhões de euros se torna pública.

Tecnicamente, o perfil é de atacante que também opera como meia ofensivo — versatilidade que pode ser trunfo ou armadilha. Treinadores de Série A tendem a usar jovens polivalentes em funções táticas secundárias, o que limita exposição e, consequentemente, estatísticas. Para Robinho Junior, o próximo passo é conquistar minutagem como titular — e não apenas como opção de banco.

A camisa 7 — o mesmo número que o pai usou no Santos — foi entregue em julho de 2025, pouco depois do registro para o Brasileirão daquele ano. É um gesto simbólico do clube, mas que também cria expectativa pública difícil de administrar para um adolescente.

O que já aconteceu na trajetória

Robson de Souza Júnior nasceu em 17 de dezembro de 2007, em Santos — época em que o pai atuava no Real Madrid. Entrou nas categorias de base do clube em maio de 2022, aos 14 anos, e assinou contrato de formação um mês depois. A progressão foi metódica: sub-17 em 2023, regularidade em 2024, promoção ao sub-20 e à Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2025.

O ponto de virada veio no Campeonato Paulista Sub-17 de 2024 — a única competição em que seus números individuais estão documentados: 9 gols em toda a campanha, artilharia compartilhada com Lucca Amaro, e título estadual. Foi esse desempenho que acelerou a decisão do clube de registrá-lo no profissional em fevereiro de 2025 e assinar o contrato com cláusula de 50 milhões de euros em agosto de 2024.

A estreia oficial no time principal aconteceu em julho de 2025, na Série A. Antes disso, em 10 de julho, havia entrado no segundo tempo de um amistoso contra a Desportiva Ferroviária — vitória por 3 a 1 — e já havia fornecido uma assistência para Diego Pituca, repetindo o número que hoje aparece na temporada atual. Conforme apurado em matéria do SportNavo, o registro no elenco principal para o Paulistão de 2025 foi o primeiro passo formal de uma transição que o clube já planejava há pelo menos seis meses.

Os obstáculos no caminho

O sobrenome é o obstáculo mais visível — e o menos técnico. Filhos de jogadores famosos carregam uma comparação que raramente é justa: o pai foi revelado pelo Santos, vendido ao Real Madrid, convocado pela Seleção Brasileira e construiu uma das carreiras mais vistosas da geração dos anos 2000. Qualquer temporada de Robinho Junior será medida contra esse espelho, independentemente da fase da carreira.

No plano técnico, a altura de 170 cm — abaixo da média para atacantes da Série A — exige que o jogador compense com velocidade, leitura de jogo e mobilidade. O perfil existe no futebol brasileiro — Everton Ribeiro e Gabriel Barbosa, por exemplo, operam em faixas similares — mas demanda consistência ofensiva que ainda não aparece nos dados desta temporada.

Há também o fator institucional: o Santos de 2026 ainda equilibra reconstrução de elenco com pressão por resultados na Série A. Jovens de 18 anos em clubes nessa situação enfrentam oscilação de minutagem — às vezes escalados por necessidade, às vezes preteridos por experiência. Para Robinho Junior, essa instabilidade pode atrasar o desenvolvimento ou, se bem administrada, acelerar a maturidade.

A cláusula de 50 milhões de euros protege o Santos de uma venda barata. Mas também cria um teto de expectativa que o jogador precisa, em algum momento, começar a justificar com gols.

50 milhões de euros. 18 anos. 0 gols na Série A. O Santos acredita — agora é a vez de Robinho Junior provar.