O empate por 1 a 1 entre São Paulo e Internacional, no MorumBIS, expôs mais do que a dificuldade tricolor em vencer em casa. As declarações pós-jogo de Roger Machado e Jonathan Calleri revelaram visões distintas sobre os problemas ofensivos da equipe, sugerindo um descompasso entre o projeto tático do técnico e a percepção do elenco sobre as deficiências do time.
Enquanto o treinador gaúcho demonstrou insatisfação com o excesso de cruzamentos na área adversária, o centroavante argentino focou sua crítica na falta de volume de finalizações. A divergência vai além de uma simples diferença de perspectiva — indica os desafios na implementação de um novo modelo de jogo em um elenco que ainda busca sua identidade táctica.

Técnico questiona execução do plano tático
Roger Machado não escondeu a frustração com a performance ofensiva contra o Inter. O treinador criticou diretamente o uso excessivo de cruzamentos pela equipe, estratégia que considera inadequada para seu modelo de jogo. A declaração do técnico expôs a distância entre o que foi trabalhado nos treinamentos e o que foi executado em campo.
"Não é o que eu quero", afirmou Roger sobre o excesso de cruzamentos durante a partida.
A crítica do comandante tricolor ganha relevância quando analisamos os números do São Paulo na temporada. A equipe ocupa apenas a 6ª posição no Brasileirão, com 57 pontos em 34 jogos, distante quatro pontos do Flamengo, que fecha o G4. O aproveitamento de 55,9% reflete exatamente essa dificuldade em transformar posse de bola em efetividade ofensiva.
Calleri cobra maior volume ofensivo
Do outro lado, Jonathan Calleri, autor do gol de empate contra o Internacional, direcionou sua análise para aspectos mais práticos da criação ofensiva. O atacante argentino demonstrou preocupação com a baixa quantidade de finalizações da equipe, indicando que o problema vai além da qualidade das chances criadas.
"Precisa finalizar mais", declarou Calleri sobre a postura ofensiva do São Paulo.
A cobrança do centroavante encontra respaldo nos dados da partida. O São Paulo finalizou apenas 11 vezes contra o Inter, número considerado baixo para uma equipe que jogou em casa e precisava da vitória para se aproximar do G4. Calleri, com 13 gols em 31 jogos no Brasileirão, carrega o peso de ser o principal referencial ofensivo de uma equipe que tem dificuldades para criar volume de jogo.
Divergência expõe desafios do projeto
A diferença entre as percepções de Roger Machado e Calleri revela um aspecto crucial do processo de implementação tática no futebol moderno. Enquanto o técnico foca na correção dos fundamentos do seu modelo de jogo, o jogador cobra resultados mais imediatos em termos de produção ofensiva.
Essa divergência não é necessariamente negativa, mas expõe a complexidade de alinhar expectativas entre comissão técnica e elenco. Roger Machado, que assumiu o comando técnico em julho, ainda trabalha na adaptação dos jogadores ao seu sistema tático. O empate com o Inter marca mais uma partida em que o São Paulo não conseguiu traduzir superioridade técnica em vitória convincente.
O São Paulo volta a campo no domingo, contra o Grêmio, no MorumBis, em partida que pode definir matematicamente a permanência tricolor fora do G4. Com apenas quatro rodadas restantes no Brasileirão, a equipe precisa resolver rapidamente o descompasso entre modelo tático e execução prática para não desperdiçar uma temporada que prometia mais.

