O silêncio constrangedor do Morumbi após o apito final contra o Juventude resumiu o momento delicado de Roger Machado no São Paulo. Mesmo com a vitória por 1 a 0 que garantiu vaga nas quartas de final da Copa do Brasil, o técnico foi vaiado pela torcida e enfrenta questionamentos sobre sua permanência no cargo. Os números dos primeiros 15 jogos revelam um aproveitamento de 53%, inferior aos últimos três antecessores que comandaram o Tricolor paulista.
Números que preocupam a diretoria tricolor
A análise comparativa dos primeiros 15 jogos de Roger Machado mostra um desempenho abaixo da média recente. Hernán Crespo, em 2021, obteve 67% de aproveitamento no mesmo período, com 10 vitórias, 2 empates e 3 derrotas. Fernando Diniz conseguiu 58% em sua primeira passagem, enquanto Rogério Ceni alcançou impressionantes 67% em 2022, igualando o argentino em eficiência inicial.
Os dados coletados pelo SportNavo mostram que Roger Machado conquistou 8 vitórias, 3 empates e 4 derrotas nos primeiros 15 compromissos. O retrospecto inclui eliminações precoces no Campeonato Paulista e oscilações no Brasileirão, onde o time ocupa a 13ª colocação com 22 pontos em 17 rodadas.
"O professor passa os vídeos, deixa desenhado o que a gente tem que fazer", defendeu Luciano após marcar o gol da vitória contra o Juventude, assumindo a responsabilidade pelos resultados irregulares.
Comparativo tático revela diferenças fundamentais
O modelo de jogo implementado por Roger Machado apresenta características distintas dos antecessores. Enquanto Crespo priorizava posse de bola e chegava a 62% de média nos jogos decisivos, o atual técnico trabalha com transições mais rápidas, resultando em 54% de posse média. A efetividade ofensiva também preocupa: 1,2 gols por partida contra 1,7 de Diniz no mesmo período inicial.
A defesa mostra maior solidez com Roger Machado, sofrendo 0,9 gols por jogo, número inferior aos 1,1 de Crespo e 1,3 de Diniz. Entretanto, a criação de chances claras despencou para 4,2 por partida, enquanto o argentino mantinha média de 6,1 finalizações perigosas nos primeiros 15 confrontos de 2021.
Pressão histórica e paralelos com crises passadas
A situação atual lembra outros momentos turbulentos da história recente são-paulina. Em 2019, André Jardine enfrentou contestação similar após 12 jogos, sendo demitido com aproveitamento de 50%. Vanderlei Luxemburgo, em 2020, resistiu até o 18º jogo com 48% de aproveitamento antes da saída inevitável.
Roger Machado, contratado em maio para substituir Thiago Carpini, herdou um elenco em reformulação e a pressão de recuperar o time na tabela. O retrospecto de 24 pontos conquistados em 15 partidas representa o terceiro pior início entre os últimos cinco comandantes, superando apenas Jardine e Luxemburgo em seus períodos críticos.
"Não vou desistir", declarou Roger Machado após as vaias no Morumbi, demonstrando determinação em reverter o cenário adverso apesar da cobrança intensa da arquibancada.
Fatores atenuantes e pontos de melhoria
A diretoria considera alguns aspectos positivos na avaliação de Roger Machado. A classificação na Copa do Brasil representa receita importante, estimada em R$ 8 milhões pela vaga nas quartas de final. O técnico também promoveu jovens da base como Bobadilla e Ryan Francisco, política alinhada ao projeto de renovação do clube.
Os próximos cinco jogos serão decisivos para definir a continuidade do treinador. O São Paulo enfrenta Flamengo, Atlético-MG e Vasco em sequência pelo Brasileirão, além do confronto de volta contra o Goiás pela Copa do Brasil. Um aproveitamento inferior a 60% neste período pode selar o destino de Roger Machado no comando tricolor.
O clássico contra o Flamengo, marcado para domingo no Maracanã, será o primeiro grande teste de fogo. Com 34 pontos de distância para o líder Botafogo, o São Paulo precisa vencer para manter vivas as chances de Libertadores e dar fôlego ao trabalho do técnico gaúcho.








