1.002 gols. Esse número — gravado na história como uma das marcas mais improváveis do futebol mundial — foi o passaporte que Romário usou, mais uma vez, para justificar o injustificável aos olhos de muita gente. Sentado diante das câmeras do canal ESPORTE. e depois em entrevista ao jornal EXTRA, o Baixinho não piscou. Não hesitou. Olhou para a câmera com aquela expressão de quem já ouviu todas as críticas possíveis e simplesmente não se importa mais.
A lista que Romário montou com a confiança de quem marcou gol em Copa do Mundo
Aos 60 anos, Romário não trocou a marra pela diplomacia. A lista que ele apresentou ao EXTRA começa onde todo mundo esperava — com Pelé no topo, intocável, fora de discussão — mas desanda para o polêmico logo no segundo lugar. Ele mesmo. Antes de Ronaldo. Antes de Maradona. Antes de Messi.
"Estou no top 3. Pelé, Garrincha... E eu e o Ronaldo estamos juntos ali. Garrincha era foda. Acho que nem precisa falar do Pelé. Tira o Pelé. Bota assim: Garrincha, Romário e Ronaldo."
O ranking final que o ex-atacante montou para o futebol brasileiro ficou assim: Pelé em primeiro, depois Garrincha, Romário, Ronaldo, Zico e Ronaldinho Gaúcho. Cinco nomes pedidos, seis entregues — porque Romário não cabia numa lista pequena nem dentro de campo.
A justificativa veio logo em seguida, com a frieza de quem debateu o assunto consigo mesmo há décadas. "O Romário era mais completo que o Ronaldo, fez mais gol do que o Ronaldo e acredito que, nos clubes em que jogou, o Romário se saiu melhor que o Ronaldo", disse o tetracampeão, falando de si próprio na terceira pessoa — um detalhe que, sozinho, já conta muito sobre quem é esse homem.
Romário contra Ronaldo — os números que ele usou como argumento
A comparação entre Romário e Ronaldo é um dos debates mais antigos e apaixonantes do futebol brasileiro. Os dois dividiram vestiário na Copa de 1994, quando o Brasil levantou o tetracampeonato nos Estados Unidos. Romário foi o grande nome daquele torneio: 5 gols em 7 jogos, Bola de Ouro do torneio, o homem que carregou o Brasil nas costas enquanto Ronaldo, então com 17 anos, mal saiu do banco.
A distância entre as carreiras dos dois, em termos de gols marcados, é algo parecido com a distância entre Recife e Brasília — enorme no mapa, mas nem sempre percebida por quem olha de longe. Romário encerrou a carreira com 1.002 gols oficiais, marca que ele mesmo perseguiu até os 42 anos. Ronaldo, o Fenômeno, marcou cerca de 400 gols em toda a carreira — um número extraordinário para qualquer ser humano, mas numericamente inferior ao do Baixinho… se você contar todos os gols, inclusive os de campeonatos menores e amistosos que entram na contagem de Romário.
Mas o argumento de Romário vai além dos números brutos. Ele jogou no Barcelona de Johan Cruyff, no PSV Eindhoven onde foi devastador na Eredivisie, no Flamengo, no Vasco — e em cada parada deixou uma marca indelével. Ronaldo, por sua vez, venceu duas Copas do Mundo (1994 e 2002), foi eleito melhor do mundo três vezes pela FIFA e destruiu defesas na Inter de Milão, no Barcelona e no Real Madrid. A comparação nunca vai ter um vencedor definitivo… e aí vem o problema.
O que essa declaração revela sobre o legado e a personalidade do Baixinho
Romário nunca foi um homem de meias palavras. Em 70 jogos pela Seleção Brasileira, marcou 55 gols — uma média absurda que poucos atacantes na história do futebol mundial conseguiram replicar. Mas o que define o Baixinho vai além das estatísticas. É uma postura. Uma identidade construída tijolo a tijolo desde os tempos do Olaria, no subúrbio carioca.
"Não tem um jogador que eu fale: pô, esse cara é f..."
Essa frase, dita por Romário em outra entrevista recente sobre a atual Seleção Brasileira, resume bem o personagem. Ele é o tipo de homem que se coloca no centro do debate não por acidente, mas por convicção. Colocar-se acima de Ronaldo, Maradona e Messi numa lista de melhores da história não é descuido — é Romário sendo Romário, com a mesma naturalidade com que driblava zagueiros na área.
A declaração ao canal ESPORTE. e ao EXTRA gerou reação imediata no meio esportivo brasileiro. Nas redes sociais, o debate se dividiu entre quem acha que o Baixinho tem razão — afinal, 1.002 gols não são invenção — e quem entende que Ronaldo, com dois títulos mundiais e três prêmios de melhor do mundo, está em outro patamar de reconhecimento global. A polêmica, como sempre quando Romário fala, foi exatamente o que ele queria provocar.
O próximo capítulo desse debate vai acontecer com ou sem a participação de Romário. A Copa do Mundo de 2026, que começa nos Estados Unidos, Canadá e México, vai reacender as comparações entre gerações — e o nome do Baixinho, inevitavelmente, vai aparecer toda vez que alguém tentar explicar o que é ser um centroavante de verdade.








