US$ 4 milhões. Esse é o valor que o Palmeiras colocou na mesa para arrancar Alexander Barboza do Botafogo antes do previsto — o defensor tem contrato com o clube carioca somente até dezembro de 2026, mas o clube paulista decidiu acelerar a negociação e já enviou a proposta formal, equivalente a cerca de R$ 20 milhões na cotação atual. Segundo informações da ESPN, resta apenas a parte burocrática para que a transferência seja oficializada assim que a janela de meio de ano abrir, em 20 de julho.
O desabafo e o que ele revela
A movimentação não passou despercebida. Após o empate em 2 a 2 do Botafogo com o Internacional pelo Brasileirão, Barboza usou as redes sociais para responder às críticas recebidas pela atuação. O tom foi de quem se sente acuado dentro e fora de campo.

"Podem me julgar por um erro, podem me criticar e até me insultar, mas nunca questionem meu compromisso dentro do gramado", escreveu o zagueiro argentino naturalizado uruguaio.
"Todo esse tempo provei ser um profissional e alguém que sempre se entrega para defender o escudo que representa. Hoje sou jogador do Botafogo e até que não me tirem do clube meu compromisso não vai mudar", completou.
A escolha das palavras é reveladora. "Até que não me tirem do clube" é uma declaração que, lida dentro do contexto de negociações avançadas com o Palmeiras, soa menos como lealdade e mais como um aviso. Fontes ligadas ao jogador indicam que Barboza perdeu a confiança de que o Botafogo seguirá competindo por títulos expressivos nas próximas temporadas, especialmente diante das indefinições em torno do projeto do clube — um detalhe que pesou decisivamente na recusa em renovar o contrato.
O peso tático de Barboza nos números do Botafogo
Para entender o tamanho do problema, basta observar o que Barboza representa dentro das quatro linhas. Na temporada atual, o zagueiro esteve em campo em 20 das 29 partidas disputadas pelo Botafogo — um aproveitamento de 69% de participação que, para um defensor que vem de uma sequência de desgaste físico, é bastante expressivo. Mais do que isso, contribuiu com dois gols e três assistências, números atípicos para a posição e que refletem sua liderança nas bolas paradas.
Campeão do Brasileirão e da CONMEBOL Libertadores em 2024, Barboza consolidou na última temporada sua condição de referência da linha de quatro do Botafogo. A análise do SportNavo mostra que, nos jogos em que o uruguaio atuou nos 90 minutos completos em 2025, o time carioca registrou média de gols sofridos inferior à registrada nos duelos em que ele saiu antes do intervalo ou foi poupado.
Alternativas limitadas e um corredor aberto
O problema real está no banco. O elenco botafoguense não oferece um substituto de nível equivalente para o posto de zagueiro central titular. Com o Cruzeiro também monitorando a situação — a Raposa fez contato inicial com a diretoria, mas o negócio não avançou —, ficou claro que Barboza é um ativo valorizado no mercado doméstico, o que reforça o impasse para o Glorioso: resistir à venda significa segurar um jogador desanimado; aceitar significa operar com uma lacuna defensiva sem reposição imediata de qualidade.
O Botafogo chegou a abrir conversas pela renovação do vínculo, mas o processo travou exatamente na desconfiança do atleta em relação ao projeto esportivo do clube. Sem uma contratação cirúrgica até julho, a diretoria do Botafogo precisará reconfigurar o setor defensivo às pressas, em um calendário que inclui frentes simultâneas no Brasileirão e na CONMEBOL Sul-Americana.
Calendário imediato e pressão crescente
A urgência do cenário fica ainda mais evidente quando se olha para a agenda botafoguense de curto prazo. O clube enfrenta o Independiente Petrolero em 28 de abril pela Sul-Americana, o Remo em 2 de maio pelo Brasileirão e o Racing em 6 de maio, novamente pela Sul-Americana — três compromissos em menos de dez dias, com grau crescente de exigência técnica. Jogar esse ciclo sem Barboza, ou com um Barboza mentalmente fora do clube, é um risco concreto que o técnico precisa administrar agora, muito antes de qualquer oficialização da transferência.








