O salário de 70 milhões de dólares anuais de Max Verstappen representa apenas a ponta do iceberg financeiro que o holandês movimenta na Fórmula 1. Uma eventual aposentadoria precoce do tricampeão mundial criaria um buraco de centenas de milhões de dólares nos cofres da categoria, afetando desde contratos de transmissão até acordos de patrocínio da Red Bull que têm cláusulas específicas atreladas ao desempenho do piloto número 33.

Audiência em risco com saída do astro holandês

Os números de audiência da F1 cresceram 108% nos Países Baixos desde a estreia de Verstappen na categoria em 2015. A emissora holandesa Ziggo Sport paga 30 milhões de euros anuais pelos direitos de transmissão, valor que poderia despencar drasticamente sem o interesse local gerado pelo piloto da Red Bull. Na Alemanha, mercado vizinho, a audiência média subiu de 2,1 milhões para 4,8 milhões de telespectadores por corrida entre 2020 e 2023.

Segundo levantamento do SportNavo, a Liberty Media faturou 2,9 bilhões de dólares em 2023, sendo 1,2 bilhão proveniente de direitos de TV. O contrato global com a Sky Sports, avaliado em 4 bilhões de dólares até 2029, possui cláusulas de revisão de valores baseadas em métricas de audiência. Uma queda significativa nos números europeus poderia acionar esses gatilhos contratuais.

Red Bull perderia principal vitrine de marketing

A Red Bull investe 500 milhões de dólares anuais em sua operação de F1, valor que se justifica pelo retorno em exposição de marca. O tricampeonato consecutivo de Verstappen gerou 2,8 bilhões de impressões de mídia para a marca austríaca apenas em 2023. Os patrocinadores da equipe, como Oracle (40 milhões anuais) e Bybit (50 milhões anuais), têm contratos com cláusulas de performance vinculadas aos resultados do piloto principal.

Audiência em risco com saída do astro holandês Saída precoce de Verstappen custa
Audiência em risco com saída do astro holandês Saída precoce de Verstappen custa

Jenson Button, campeão mundial de 2009, foi categórico sobre o futuro de Verstappen na categoria.

"Não acho que ele seja um piloto que tiraria um ano de folga. Na minha opinião, ou ele corre ou não corre. Se ele quiser parar, vai encontrar outra coisa que o faça feliz"
, declarou o britânico à Sky Sports.

Precedentes históricos mostram impacto devastador

A aposentadoria de Michael Schumacher em 2006 causou queda de 23% na audiência alemã da F1 na temporada seguinte. A RTL perdeu 1,8 milhão de telespectadores por corrida, forçando uma renegociação de 180 milhões de euros no contrato de transmissão. No Brasil, a saída de Ayrton Senna em 1994 resultou em declínio de audiência que durou uma década, com a Globo reduzindo investimentos na cobertura da categoria.

O próprio Verstappen demonstra descontentamento crescente com as mudanças regulamentares.

"Não é como se, ao parar aqui (na Fórmula 1), eu não fosse fazer mais nada. Sempre vou me divertir. E também em muitas outras coisas na minha vida"
, afirmou à BBC, sinalizando interesse em outras categorias do automobilismo como as 24 Horas de Nürburgring.

F1 precisa de plano de contingência urgente

A Liberty Media estuda implementar um sistema de franquias similar à NFL para reduzir dependência de pilotos individuais. O projeto prevê distribuição mais equilibrada de receitas entre equipes e criação de novos formatos de corrida para manter o interesse do público. O investimento de 240 milhões de dólares em novos circuitos urbanos nos Estados Unidos faz parte dessa estratégia de diversificação geográfica.

Com contrato válido até 2028, Verstappen mantém a Red Bull e toda a F1 em suspense sobre seus planos futuros. A próxima corrida será o GP de Miami, entre os dias 1º e 3 de maio, onde mudanças regulamentares implementadas após reclamações dos pilotos serão testadas pela primeira vez, podendo influenciar decisivamente o futuro do tricampeão na categoria.