Quatro jogos. Três empates. Uma derrota. E agora Buenos Aires. O Santos chega ao Estadio Pedro Bidegain — o chamado Nuevo Gasómetro — na condição de time que precisa urgentemente de uma reação, diante de um adversário que há oito partidas não conhece o sabor da derrota. A 3ª rodada da Copa Sul-Americana, marcada para esta terça-feira (28) às 19h (horário de Brasília), tem peso de confronto decisivo muito antes do que a lógica de calendário sugeriria.

O momento de cada lado da balança

O San Lorenzo de Gustavo Álvarez vive um momento de consistência que poucos times do continente experimentam neste início de temporada. Os oito jogos de invencibilidade atravessam três competições — a Apertura, a Copa Sul-Americana e a Copa Argentina — e refletem uma organização tática que lembra, guardadas as proporções de contexto, o que times bem construídos da La Liga apresentam nas fases de grupos europeus: solidez defensiva combinada com transições rápidas. Na Sul-Americana especificamente, o time argentino tem quatro pontos: uma vitória (2 a 0 sobre o Deportivo Cuenca, em casa) e um empate.

O Santos, do outro lado, acumula um cenário que preocupa. Os 2 pontos conquistados na competição da CONMEBOL refletem a mesma instabilidade do Brasileirão: o último jogo terminou em empate por 2 a 2 diante do Bahia, fora de casa. Segundo análise exclusiva do SportNavo, o Peixe tem alternado momentos de qualidade individual com apagões coletivos que comprometem qualquer tentativa de pressing alto sustentado — exatamente o tipo de pressing que o futebol argentino de alto nível cobra como pedágio.

As escalações e os desfalques que pesam

Gustavo Álvarez deve mandar a campo o San Lorenzo com Gill na meta; Herrera, Romaña, Insaurralde e Tripichio na defesa; Barrios, De Ritis e Ladstatter no meio; e o trio Cuello, Auzmendi e Reali no ataque. O time argentino tem desfalques sensíveis — Luciano Vietto, Gastón Hernández e Cerutti estão fora por lesão —, mas a espinha dorsal permanece intacta, o que garante continuidade ao esquema.

Do lado santista, a lista de indisponíveis é igualmente preocupante. Brazão, Gabriel Menino, Willian Arão, Gustavo Henrique e Vinicius Lira estão lesionados. A provável formação traz Gabriel Brazão no gol — aparece nas escalações divulgadas apesar da incerteza sobre sua condição —, Igor Vinícius, Lucas Veríssimo, Luan Peres e Escobar na defesa, Oliva no meio e Gabigol como referência ofensiva, com Neymar e Barreal atuando nas proximidades. A dependência criativa em nomes específicos é, historicamente, um dos pontos de vulnerabilidade do modelo de jogo santista quando o adversário aplica um gegenpressing eficiente sobre a saída de bola.

"Precisamos de uma resposta coletiva, não individual. Esses jogos fora de casa na Sul-Americana exigem maturidade do grupo", disse o técnico do Santos, segundo declaração parafraseada pela assessoria do clube antes do embarque para Buenos Aires.

O que uma derrota significa na tabela

A aritmética do grupo é simples e implacável. Com 2 pontos em duas rodadas, o Santos ocupa posição delicada. Uma derrota para o San Lorenzo — que já soma 4 pontos — ampliaria a distância para 7 pontos antes da metade da fase de grupos, tornando a classificação matematicamente possível mas estatisticamente improvável. Na história recente da Sul-Americana, equipes que chegam à quarta rodada com 2 pontos ou menos raramente avançam de fase — o torneio tem margem de erro pequena, bem diferente da Premier League ou da Champions, onde ciclos longos permitem recuperação.

A vitória, por outro lado, igualaria os times em pontos e recolocaria o Santos na disputa direta pela liderança do grupo. O retrospecto histórico entre os clubes aponta equilíbrio: em quatro confrontos anteriores, o Santos venceu duas vezes, o San Lorenzo uma, com um empate. Nas palavras do departamento de análise do clube paulista, conforme apuração do SportNavo, o Peixe tem estudado especialmente a saída de bola argentina pelo lado direito, onde Herrera costuma aparecer com liberdade.

O momento de cada lado da balança Santos precisa vencer em Buenos Aires pa
O momento de cada lado da balança Santos precisa vencer em Buenos Aires pa
"San Lorenzo é um time que joga bem em casa, mas nós temos jogadores capazes de decidir qualquer partida", afirmou Gabigol em coletiva realizada na segunda-feira (27), antes da viagem à capital argentina.

A encruzilhada do Nuevo Gasómetro

Há algo de simbolicamente preciso em o Santos ter que encontrar sua melhor versão justamente em Buenos Aires — cidade que respira futebol com uma intensidade que poucos lugares no mundo replicam, comparável ao que se sente nos dias de El Clásico em Barcelona ou nos jogos noturnos de Champions em Stamford Bridge. O Nuevo Gasómetro não será uma catedral amistosa. O Santos precisará de organização, intensidade e, sobretudo, consistência nos 90 minutos — três elementos que têm faltado na recente sequência de quatro jogos sem triunfo.

Após este duelo em Buenos Aires, o Santos volta ao Brasil para a sequência do Brasileirão antes de retornar às disputas continentais na 4ª rodada da Sul-Americana. Uma eventual recuperação no grupo depende inteiramente do que acontecer nesta terça à noite no Gasómetro — resultado que, dependendo do placar, pode definir toda a trajetória do Peixe na competição da CONMEBOL nesta temporada.