O São Paulo não saiu do zero diante do Millonarios na noite desta quarta-feira, em Bogotá. No imponente Estadio Nemesio Camacho El Campín, palco de grandes noites do futebol sul-americano, as duas equipes ficaram no empate por 0 a 0 pela terceira rodada da fase de grupos da Copa Sudamericana 2026. Um resultado que serve mais aos colombianos, donos da casa, do que ao Tricolor, que precisava de uma vitória para firmar sua posição no grupo.
Tensão desde o início e o protagonismo dos cartões
A partida, disputada a partir das 00h30 (horário de Brasília), foi marcada desde os primeiros minutos por um clima de disputa intensa e muita agressividade nas divididas. Não demorou para que o árbitro começasse a distribuir cartões. Aos 24 minutos, André Silva levou o amarelo — advertência que acabaria custando caro ao jovem, pois foi justamente ele quem entrou na segunda etapa em substituição a Damián Bobadilla. Aos 33 minutos, foi a vez de Nicolas ser advertido, esquentando ainda mais o ambiente no El Campín. Antes do intervalo, aos 45 minutos, o goleiro Carlos Coronel também foi amarelado, encerrando um primeiro tempo agitado nos bastidores disciplinares, mas pobre em termos técnicos e de criação ofensiva.
O El Campín, inaugurado em 1938 e reinaugurado em 1968, já recebeu clássicos históricos do futebol colombiano e partidas memoráveis de competições continentais. Nesta madrugada de abril, no entanto, a altitude de Bogotá — que fica a aproximadamente 2.600 metros acima do nível do mar — cobrou seu preço de ambas as equipes, especialmente do São Paulo, que demonstrou sinais evidentes de cansaço físico no decorrer do jogo.
Segunda etapa com mudanças e pouco volume ofensivo
Aos 56 minutos, o técnico do São Paulo promoveu duas alterações simultâneas que buscavam dar novo fôlego à equipe. Damián Bobadilla deu lugar a André Silva, enquanto Ferreirinha saiu para a entrada de Djhordney. As substituições sinalizaram uma tentativa de injetar velocidade e criatividade ao ataque paulista, mas o Millonarios soube administrar os espaços com competência defensiva, impedindo que o Tricolor criasse oportunidades claras de gol.
O time colombiano, treinado com disciplina tática, optou por um bloco médio-baixo após o intervalo, explorando os contra-ataques com seus jogadores mais rápidos. A estratégia funcionou para ao menos garantir o empate em casa, resultado que pode ser considerado positivo para o Millonarios diante de uma equipe brasileira da Série A.
Análise tática — desgaste, altitude e limitações ofensivas
Na avaliação do SportNavo, o São Paulo apresentou uma postura excessivamente cautelosa ao longo dos 90 minutos, talvez em razão das condições climáticas adversas de Bogotá. A equipe paulista raramente conseguiu conectar sequências de passes em velocidade no terço final, o que impediu a criação de situações de perigo real contra o goleiro do Millonarios. A posse de bola esteve mais nos pés do time brasileiro, mas a qualidade dessa posse deixou a desejar — muita circulação sem penetração efetiva.
O Millonarios, por sua vez, demonstrou solidez defensiva e aproveitou bem o fator casa. A pressão nos primeiros minutos obrigou o São Paulo a recuar mais do que o desejado. A linha de quatro defensores colombiana não deixou espaços para as jogadas pelas costas, neutralizando justamente o principal recurso de velocidade que o Tricolor tentou explorar com as entradas de Djhordney e André Silva. Um dado que reforça o padrão observado: em jogos fora de casa em altitude elevada, equipes brasileiras historicamente têm rendimento abaixo da média na Libertadores e Sudamericana.
Contexto histórico e o que o empate representa na tabela
O São Paulo tem um histórico respeitável na Copa Sudamericana — foi campeão da competição em 2012, quando bateu o Tigre na final. Aquele título, aliás, veio justamente com atuações consistentes fora de casa, incluindo partidas em altitudes desafiadoras. A geração atual, no entanto, ainda busca o mesmo nível de consistência continental. O histórico recente de confrontos entre clubes brasileiros e colombianos no torneio mostra um equilíbrio técnico, com vantagem leve para os times do Brasil em jogos em território neutro, mas maior dificuldade quando a altitude entra na equação.

Com o empate, o São Paulo soma mais um ponto na terceira rodada da fase de grupos, mas segue sem conseguir confirmar sua superioridade diante de adversários sul-americanos fora do Brasil. O Millonarios, time de maior tradição da Colômbia com dez títulos nacionais, mantém vivo seu interesse na classificação para a próxima fase. Conforme apurado pelo SportNavo junto à tabela do grupo, a situação do Tricolor exige pontuação nas próximas rodadas para garantir sua continuidade na competição.
A próxima partida do São Paulo pela Copa Sudamericana será em casa, no Morumbis, onde o time terá a obrigação de vencer para não complicar ainda mais sua situação na chave. O Tricolor não pode se dar ao luxo de ceder mais pontos em casa, especialmente após o tropeço em Bogotá. Para o Millonarios, o resultado fortalece a confiança do grupo e credencia a equipe colombiana como candidata real à classificação dentro do grupo.








