Voltou. Mas com cronômetro na mão. Lionel Messi retorna ao gramado nesta terça-feira pelo amistoso final da Argentina antes da Copa do Mundo, diante da Islândia no Jordan-Hare Stadium — e a quantidade de minutos que ele acumular nessa partida pode ser o dado mais importante que Lionel Scaloni coletará antes de definir sua escalação para o Mundial.
A lesão que forçou Scaloni a repensar o elenco inteiro
O problema de Messi surgiu em 24 de maio, durante a partida do Inter Miami contra o Philadelphia Union pela MLS. Uma contratura muscular provocada por fadiga acumulada no fim da temporada americana o tirou do amistoso de sábado contra Honduras, disputado no histórico Kyle Field, onde a Argentina venceu por 2 a 0 com gols de Lautaro Martinez e Giuliano Simeone. Messi ficou no banco observando.
O problema é que ele não está sozinho. Scaloni revelou, após a vitória sobre Honduras, que o grupo carrega uma série de lesões simultâneas. Leonardo Balerdi foi cortado após se machucar durante a semana de treinos, e outros quatro nomes estão em situação delicada: Leandro Paredes, Gonzalo Montiel, Nahuel Molina e Nico González. Nico Paz e Julián Álvarez, segundo o técnico, estão quase recuperados e não correm risco de perder o Mundial.
"Não quero assustar ninguém, mas não estamos a 100% com muitos jogadores. Talvez a decisão sobre o Balerdi não seja apenas sobre um zagueiro central. Vamos esperar e tomar as decisões finais com base no que a equipe precisar. Se agirmos com pressa, pode ser a decisão errada. Não vamos decidir nada até o jogo de terça-feira."
A declaração de Scaloni gerou alerta imediato entre torcedores e analistas argentinos. O prazo para fechar a lista definitiva é de 24 horas antes da estreia, marcada para 16 de junho contra a Argélia — o que significa que o amistoso contra a Islândia funciona, simultaneamente, como treino coletivo, teste físico e peneira de última hora.
Quantos minutos Messi precisa para estar pronto contra a Argélia?
A pergunta não é retórica — ela tem uma resposta técnica que Scaloni ainda está calculando.
O técnico confirmou que Messi jogará, mas com carga controlada:
"Ele vai jogar; o que não sei é quantos minutos. Ainda preciso conversar com ele, ainda temos o treino de hoje. Vamos ver quantos minutos para evitar qualquer tipo de risco, e decidiremos então. Mas em princípio, sim, ele terá minutos."
Scaloni também antecipou que o time contra a Islândia será amplamente modificado em relação ao que enfrentou Honduras — a rotação serve para distribuir carga física antes da estreia e, ao mesmo tempo, observar jogadores que disputam posições no grupo. Esse tipo de gestão de minutos foi aplicado pela comissão técnica argentina antes do Catar em 2022, quando Messi entrou aos 45 minutos do segundo tempo no último amistoso para preservar condição física. A Argentina estreou naquele Mundial perdendo para a Arábia Saudita — e depois se recuperou para ser campeã.
O histórico contra a Islândia e o que muda em 2026
O confronto desta terça-feira carrega memória afetiva incômoda. A última vez que Argentina e Islândia se encontraram foi na fase de grupos da Copa de 2018, na Rússia. O resultado foi 1 a 1, com Messi desperdiçando um pênalti — imagem que ainda circula em memes esportivos. Naquele jogo, o astro entrou em campo com pressão máxima e saiu com a sensação de derrota moral mesmo sem perder pontos.
Oito anos depois, o cenário é radicalmente diferente. A Argentina chega ao duelo como atual campeã mundial, com Messi aos 38 anos e um papel menos dependente de explosão física — seria injusto chamar de era de gestão de carreira, mas é uma era em escala de precisão cirúrgica. Scaloni não precisa que ele corra 11 quilômetros por jogo. Precisa que ele esteja lúcido, posicionado e disponível para os 90 minutos que importam de verdade, a partir de 16 de junho.
O cronograma de minutos contra a Islândia, portanto, não é detalhe logístico. É dado clínico. Se Messi suportar entre 45 e 60 minutos sem nenhuma sobrecarga muscular, Scaloni terá a confirmação que precisa para escalá-lo como titular contra a Argélia. Se houver qualquer sinal de desconforto, o técnico pode optar por preservá-lo para o segundo jogo da fase de grupos, redefinindo o papel de Lautaro Martinez como referência ofensiva na estreia.
A Argentina enfrenta a Islândia nesta terça-feira no Jordan-Hare Stadium, em Auburn, Alabama. Depois disso, a delegação viaja para o local da estreia na Copa do Mundo, onde defronta a Argélia em 16 de junho — e Scaloni terá menos de 24 horas após o jogo desta terça para bater o martelo na lista final.








