Uma peça foi retirada do tabuleiro. Lionel Scaloni chega ao Kyle Field, em College Station (Texas), neste sábado (6), sem Leonardo Balerdi — zagueiro titular do Olympique de Marseille, convocado com regularidade nos últimos 18 meses — para o amistoso contra Honduras que encerra a preparação argentina para a Copa do Mundo de 2026. A ausência por lesão força o técnico a tomar uma decisão que vai muito além de um simples rearranjo de nomes: trata-se de definir quem ocupará a zaga da atual campeã mundial quando o torneio começar de verdade.

O vazio deixado por Balerdi e os candidatos a preenchê-lo

Balerdi consolidou-se como titular da Argentina ao longo da última temporada europeia, acumulando mais de 3.200 minutos em campo pelo Marseille na Ligue 1 2025/2026 — número que o coloca entre os zagueiros com mais minutagem em toda a competição francesa. Sua ausência não é apenas numérica: ele representava o equilíbrio entre saída de bola e marcação física que Scaloni havia calibrado cuidadosamente ao lado de Cristian Romero, do Tottenham.

Os candidatos naturais para a vaga são Germán Pezzella, Nicolás Otamendi e Facundo Medina. Otamendi — 37 anos, mais de 110 jogos pela seleção — carrega a experiência do título no Catar, mas tem sido usado com parcimônia nos últimos ciclos justamente para preservá-lo para momentos decisivos. Medina, do RC Lens, é a aposta mais jovem: 25 anos, 28 partidas na Ligue 1 nesta temporada, com apenas 1,3 faltas cometidas por jogo — índice mais baixo que o de qualquer outro zagueiro convocado no grupo.

O vazio deixado por Balerdi e os candidatos a preenchê-lo Scaloni redesenha a za
O vazio deixado por Balerdi e os candidatos a preenchê-lo Scaloni redesenha a za
"Temos alternativas de qualidade. Quem entrar vai estar preparado", declarou Scaloni em coletiva antes do embarque para os Estados Unidos, sem revelar o nome do substituto.

O esquema tático que Scaloni precisa validar contra Honduras

A Argentina tem operado predominantemente no 4-4-2 com variações para o 4-3-3 — esquema que Scaloni testou em 14 das últimas 20 partidas da seleção. O ponto crítico, com a ausência de Balerdi, é a compatibilidade do substituto com Romero na marcação de linha alta. Romero, acostumado a adiantar a marcação pelo Tottenham, precisa de um parceiro que leia o espaço nas costas com velocidade de reação: Balerdi fazia isso com naturalidade; Otamendi, mais experiente, tende a recuar mais cedo.

Honduras — que não se classificou para o Mundial e usa o amistoso como preparação para a Nations League da Concacaf, prevista para setembro — apresenta um estilo de jogo que, paradoxalmente, é o pior cenário para testar essa fragilidade. Os hondurenhos apostam em transições rápidas, com atacantes que exploram o espaço entre a linha defensiva e o goleiro. Nos últimos quatro amistosos da seleção de Honduras, ao menos dois gols foram marcados em situações de contra-ataque com mais de 40 metros percorridos em menos de seis segundos — uma estatística que coloca o espaço nas costas da zaga argentina diretamente sob pressão.

O esquema tático que Scaloni precisa validar contra Honduras Scaloni redesenha a
O esquema tático que Scaloni precisa validar contra Honduras Scaloni redesenha a
"Honduras vai tentar surpreender nos contra-ataques. A velocidade da Concacaf é real", avaliou o analista Henrique Neves, da Voz do Esporte, ao contextualizar o jogo.

O que a escolha de Scaloni revela sobre o plano para a Copa

A decisão desta noite — independentemente do resultado — funcionará como radiografia das intenções de Scaloni para o torneio. Se optar por Otamendi, o recado é de conservadorismo: experiência acima de tudo, com Medina como reserva imediato. Se escalar Medina desde o início — algo que o técnico evitou nos últimos três amistosos —, sinaliza confiança em um perfil mais moderno e fisicamente mais apto para os 90 minutos de alta intensidade que a Copa exige.

Há um dado que torna a escolha ainda mais delicada: nas últimas quatro edições da Copa do Mundo, todas as seleções campeãs mantiveram a mesma dupla de zagueiros titular em pelo menos cinco dos sete jogos do torneio — o que sugere que estabilidade na zaga é variável estatisticamente associada ao título. A Argentina de 2022 usou Romero e Otamendi em seis dos sete jogos. Balerdi havia sido construído como o sucessor natural de Otamendi nessa equação — e sua ausência agora, a menos de dez dias da estreia, comprime o tempo de Scaloni para encontrar uma resposta definitiva.

Quem jogar ao lado de Romero neste sábado, no Kyle Field, não estará apenas cumprindo protocolo de amistoso. Estará, na prática, disputando uma vaga de titular na Copa do Mundo. A bola rola às 21h (de Brasília), e a resposta de Scaloni — registrada em matéria do SportNavo — chegará ainda esta noite. A estreia argentina no Mundial está marcada para a semana seguinte, e o técnico não terá mais nenhum ensaio para corrigir eventuais falhas.