Todo mundo já sabe que o Catar vai à Copa do Mundo. O que ainda não está resolvido é se a seleção asiática chega ao torneio em condições mínimas de competir. O amistoso deste sábado (6), contra El Salvador, no BMO Stadium, às 17h de Brasília, é o último teste antes da estreia oficial — e chega num momento de alarme real para Julen Lopetegui.
Lopetegui diante de um jejum que incomoda
Cinco jogos sem vitória. Esse é o retrato recente de uma seleção catari que, nos últimos meses, perdeu para Palestina, Zimbábue e Irlanda, além de ter levado uma goleada de 3 a 0 da Tunísia. Para um time que integra o Grupo B da Copa ao lado de Canadá, Bósnia e Suíça, o nível de desempenho está longe do necessário para avançar de fase.
"Fora da Copa do Mundo, El Salvador servirá de teste para a seleção do Catar, que chega preocupada. Sem vencer há 5 jogos, perdeu para times como Palestina, Zimbábue e Irlanda, além de um 3x0 para a Tunísia. Nível está longe do necessário para realmente competir no Mundial", avaliou Leandro Barros, especialista em análise esportiva.
Lopetegui, técnico espanhol de currículo respeitável na Europa, enfrenta aqui um desafio de natureza distinta. Não é a qualidade individual dos jogadores que está em xeque — o elenco conta com nomes como Afif, referência técnica do ataque, e Khoukhi, líder da defesa. O problema é de coesão coletiva e de um ciclo preparatório que não produziu os resultados esperados. A escalação provável — com Abunada no gol, Miguel e Khoukhi na zaga, e o trio ofensivo formado por Junior, Ali e Afif — será o laboratório desta tarde.
Como o trânsito da Avenida Paulista às 18h de uma segunda-feira, o Catar acumulou pressão sem encontrar válvula de escape. Agora, o relógio não perdoa: a Suíça espera em 13 de junho.
El Salvador como espelho involuntário das fragilidades cataris
O adversário deste sábado não se classificou para a Copa do Mundo. El Salvador, sob o comando de Hernán Gómez, entra em campo pensando na Nations League da Concacaf — e não na Copa. Para a comissão técnica salvadorenha, o amistoso serve para testar variações táticas e dar ritmo a jogadores como C. Gil e Ordaz no ataque.
Os números defensivos de El Salvador, porém, tornam o duelo ainda mais revelador para o Catar. Nos últimos 10 jogos, a seleção centro-americana venceu apenas 1 e foi derrotada em 8. Ofensivamente, não marcou em 7 dessas 10 partidas — incluindo jogos contra Honduras, Panamá, Suriname e Coreia do Sul. A escalação provável de Hernán Gómez tem Gonzalez no gol, Sibrian e Cruz na zaga, e aposta em J. Henriquez e Martinez no meio para tentar organizar alguma saída de bola.
Para o Catar, portanto, vencer este jogo não seria propriamente uma conquista. Seria o mínimo esperado. A questão analítica relevante é outra: como a equipe de Lopetegui vai se comportar nos momentos de pressão, quando El Salvador fechar os espaços e exigir paciência na construção? Esse comportamento, mais do que o resultado, dirá algo útil sobre a prontidão catari para o Mundial.
O que a estreia contra a Suíça vai exigir que este amistoso não consegue simular
Há uma limitação estrutural em qualquer análise pré-Copa baseada em amistosos: eles raramente reproduzem a intensidade das fases eliminatórias ou mesmo da fase de grupos de um torneio do porte da Copa do Mundo. El Salvador, sem a pressão de uma competição oficial em curso, não é o mesmo El Salvador que entraria em campo numa decisão de Nations League.
A Suíça, por sua vez, é uma seleção de outra envergadura. Organizada taticamente, com jogadores atuando em ligas de alto nível na Europa, ela representa exatamente o tipo de adversário que expõe as fragilidades que o Catar demonstrou contra Zimbábue e Irlanda — equipes que, em tese, deveriam estar abaixo do nível de um país-sede de Copa do Mundo.
A partida deste sábado não terá transmissão confirmada no Brasil, conforme registrado pelo SportNavo. A ausência de cobertura televisiva no mercado brasileiro é, por si só, um indicador simbólico: o interesse comercial do amistoso é limitado, o que coloca ainda mais responsabilidade sobre o conteúdo técnico que o jogo precisa entregar para a comissão catari.
O Catar estreia no Grupo B da Copa do Mundo no dia 13 de junho, contra a Suíça. Uma derrota ou um empate sofrido neste amistoso contra El Salvador não muda o calendário — mas confirmaria um padrão de irregularidade que Lopetegui ainda não conseguiu reverter desde que assumiu o comando da seleção asiática. O técnico espanhol tem exatamente sete dias para encontrar respostas que cinco meses de preparação ainda não produziram.








