11 de junho de 2026. Há exatamente 16 anos, nesta mesma data, Siphiwe Tshabalala recebia a bola pela esquerda no Soccer City, em Johanesburgo, e acertava um chute no ângulo de Óscar Pérez que parou o planeta. Era a abertura da Copa de 2010, e a África do Sul entrava para sempre na história do futebol mundial com aquele gol que valia mais do que três pontos. Hoje, curiosamente, os mesmos protagonistas daquele momento inaugural se reencontram — desta vez com os papéis invertidos: o México recebe os sul-africanos no Estádio Azteca, às 16h (horário de Brasília), para o jogo que inaugura a Copa do Mundo 2026, a maior da história, com 48 seleções e 104 partidas distribuídas por três países.

Mas antes de a bola rolar, o Azteca se transforma em palco de espetáculo. A partir das 14h30 (Brasília), a cerimônia de abertura promete uma festa que combina o alcance global da música pop com a profundidade da cultura mexicana — referências indígenas, folclore, dança e elementos visuais que a FIFA anuncia como homenagem ao país-sede e a seus dois parceiros neste Mundial tripartite: Canadá e Estados Unidos.

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O elenco musical que vai abrir o maior Mundial da história

O cast confirmado para a cerimônia no Azteca funciona como uma cartografia sonora do continente americano e além. Shakira, que já havia se tornado voz permanente de Copas ao cantar em 2010 com o hit Waka Waka, retorna ao palco do Mundial com o peso de quem carrega na memória coletiva do torcedor uma associação quase pavloviana entre sua voz e o cheiro de gramado molhado. Ao lado dela, o nigeriano Burna Boy representa a África com a força do afrobeats — um gênero que, nos últimos cinco anos, deixou de ser nicho para dominar playlists globais, e cuja presença na abertura é um aceno simbólico ao continente que estreia justamente contra o México nesta tarde.

A lista de artistas é longa e geograficamente diversa: Alejandro Fernández, herdeiro de uma das maiores dinastias da música ranchera mexicana; Belinda, ídolo pop de duas gerações de jovens latino-americanos; Danny Ocean, o venezuelano que conquistou o mundo com Me Rehúso; J Balvin, um dos nomes mais reconhecidos do reggaeton internacional; Lila Downs, que carrega nas canções a mistura de línguas indígenas e blues do sul dos Estados Unidos; Los Ángeles Azules, embaixadores da cumbia mexicana; Maná, a banda de Guadalajara que por décadas foi a maior exportação do rock em espanhol; e Tyla, a sul-africana que em 2024 ganhou o Grammy com o gênero amapiano — presença que fecha o círculo com a seleção adversária do jogo inaugural.

A cerimônia tem a estrutura de um temporal que chega sem aviso mas com precisão cirúrgica — cada artista ocupa seu espaço como frente de ar que empurra a próxima, construindo pressão até o momento em que o árbitro apita e o futebol retoma o controle do espetáculo.

Onde assistir ao vivo à abertura e ao jogo inaugural

A transmissão da cerimônia e do jogo México x África do Sul está garantida em múltiplas plataformas, cobrindo TV aberta, fechada e streaming. Na TV aberta, Globo e SBT dividem os direitos — uma novidade desta Copa que amplia o acesso ao torcedor brasileiro sem assinatura de pacotes pagos. Na TV fechada, SporTV e N Sports cobrem o evento. Para quem prefere o digital, a transmissão está disponível no Globoplay (via Ge TV) e na CazéTV, pelo YouTube, conforme registrado pelo SportNavo ao longo das últimas semanas de preparação para o torneio.

  • 14h30 (Brasília) — Cerimônia de Abertura no Estádio Azteca
  • 16h (Brasília) — México x África do Sul, Grupo A, jogo inaugural
  • Onde assistir — Globo, SBT (aberta); SporTV, N Sports (fechada); Globoplay, CazéTV/YouTube (streaming)

Mais tarde nesta mesma quinta-feira, às 23h (Brasília), Coreia do Sul e República Tcheca completam a programação do dia de abertura, pelo mesmo Grupo A.

O México como sede e o peso simbólico do Azteca

Há algo de grandioso e ao mesmo tempo vertiginoso em escolher o Azteca como palco inaugural desta Copa. O estádio, inaugurado em 1966, é o único no mundo a ter sediado duas finais de Copa do Mundo — 1970 e 1986 — e carrega em seu gramado memórias que transcendem o futebol: o gol de mão e o gol do século de Diego Maradona, ambos contra a Inglaterra em 22 de junho de 1986, nas quartas de final. Nenhum outro estádio do planeta acumula tanto peso histórico numa única estrutura de concreto e aço.

O ex-técnico da seleção sul-africana Joel Santana, que comandou os Bafana Bafana entre 2008 e 2009, declarou à Agência Brasil que acredita no crescimento técnico da equipe sul-africana ao longo da última década.

"Depois que nós, brasileiros, fomos lá, o nível do futebol deles tem subido gradativamente. Vou apostar neles até o final", afirmou Santana.

A Copa de 2026 inova ao distribuir as cerimônias de abertura pelos três países-sede. Canadá e Estados Unidos terão seus próprios eventos inaugurais na sexta-feira, antes dos jogos de seus respectivos países-sede. É um formato sem precedente na história do torneio, reflexo direto da expansão para 48 seleções e 16 cidades-sede — 11 nos Estados Unidos, três no México e duas no Canadá. A final está marcada para 19 de julho no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

A FIFA também implementou mudanças nas regras para esta edição: cobranças de lateral e tiro de meta passam a ter limite de cinco segundos, substituições têm tempo máximo de dez segundos e o VAR ganha competência para corrigir erros em escanteios e segundos cartões amarelos. O objetivo declarado é aumentar o tempo efetivo de jogo — uma tentativa de tornar as 104 partidas ainda mais densas em ação.

"Pra quem impôs tantas condições, como dona Fifa impôs, tanto ao Brasil quanto a todos os demais países, até que chegasse na terra de Tio Sam, é realmente surpreendente a humildade dele", disse o jornalista Juca Kfouri, em referência ao presidente da entidade, Gianni Infantino, e à relação da FIFA com o governo norte-americano nesta edição do torneio.

O Brasil estreia no torneio no sábado, às 19h (Brasília), contra Marrocos, em Nova Jersey, pelo Grupo C — que reúne ainda Haiti e Escócia. Antes disso, porém, a festa começa hoje, às 14h30, quando as luzes do Azteca se acendem e Shakira sobe ao palco para lembrar ao mundo que, antes de qualquer gol, a Copa do Mundo é também uma celebração da cultura que nos une.