Confesso: eu subestimei Heung-min Son como artilheiro de seleção em 2022. Achei que os 47 gols que ele tinha à época eram o teto de um jogador brilhante, mas limitado pelo nível coletivo da Coreia do Sul. Hoje, com 56 gols marcados pela seleção e uma Copa do Mundo começando em 11 de junho, entendo o porquê de ter errado: Son não é o produto de um sistema — ele é o sistema.

Quem chega ao torneio com recordes nacionais ainda vivos

A Copa do Mundo de 2026 reúne 48 seleções e, com elas, 48 histórias de artilharia acumuladas ao longo de décadas. Boa parte dos maiores artilheiros históricos de cada país já encerrou a carreira — Benni McCarthy (30 gols), maior goleador da África do Sul, não joga mais desde 2012; Jan Koller (55 gols), recordista da Tchéquia, pendurou as chuteiras há mais de uma década; Miroslav Klose (71 gols pela Alemanha) e Didier Drogba (63 gols pela Costa do Marfim) também estão longe dos gramados. O que torna 2026 diferente é a quantidade de artilheiros ativos que chegam ao torneio com marcas ainda abertas.

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Son lidera esse grupo. Com 56 gols, o atacante do Tottenham supera qualquer compatriota sul-coreano e chega à Copa como o jogador ativo com mais gols por sua seleção entre todos os 48 classificados. Cada gol que marcar em solo norte-americano será, por definição, um novo recorde pessoal — e possivelmente histórico para o futebol coreano.

Jonathan David, do Canadá, é outro nome que entra no torneio em plena ascensão. Com 39 gols pela seleção canadense — recorde nacional —, o atacante de 24 anos vem de uma temporada 2025/2026 de alto nível pela Juventus, clube que o contratou em janeiro de 2026. O Canadá estreia em casa, e David chega com apetite de quem ainda tem muito a construir.

Memphis Depay (55 gols pela Holanda) e Almoez Ali (55 gols pelo Catar) completam o quarteto mais próximo de ampliar marcas expressivas. Depay, aos 32 anos, vive fase irregular nos clubes, mas mantém regularidade pela seleção holandesa. Ali, por sua vez, defende o país-sede, o que adiciona uma camada extra de pressão e expectativa ao seu desempenho.

O caso Chicharito e o vazio que um recorde não preenche

Javier Hernández, o Chicharito, é o maior artilheiro da história do México com 52 gols — e não estará na Copa do Mundo de 2026. A ausência do centroavante, que não foi convocado pelo técnico Javier Aguirre, abre uma lacuna difícil de quantificar: quem, dentro do atual grupo mexicano, tem condições de ameaçar essa marca nos próximos anos? A pergunta não tem resposta clara, o que transforma o recorde de Chicharito em algo parecido com uma parede de ferro — sólida, mas construída por uma geração que não tem continuidade óbvia.

"Chicharito é o maior artilheiro da história do México e provavelmente ficará assim por muito tempo", avaliou o portal Placar ao mapear os recordistas das 48 seleções classificadas.

O México abre a Copa exatamente contra a África do Sul, no Estádio Azteca, em 11 de junho, às 16h (horário de Brasília). Para os mexicanos, o jogo carrega simbolismo duplo: é o retorno ao palco mais icônico do futebol nacional e a primeira oportunidade de mostrar que a geração pós-Chicharito tem identidade própria.

A situação da África do Sul é análoga: Benni McCarthy, com 30 gols, é o maior artilheiro da história do país, mas nenhum jogador ativo da atual geração está sequer perto de ameaçar esse número. O recorde existe mais como patrimônio histórico do que como alvo concreto.

Os números que a Copa pode reescrever em tempo real

Além de Son, David, Depay e Ali, outros artilheiros ativos chegam ao torneio com marcas relevantes. Enner Valencia, com 49 gols pelo Equador, pode alcançar o patamar dos 50 gols em Copas — número simbólico para qualquer seleção. Edin Džeko, com 73 gols pela Bósnia e Herzegovina, é o recordista entre todas as 48 seleções classificadas entre jogadores ainda ativos, mas aos 39 anos chega como opção secundária no elenco.

O Brasil tem em Neymar seu maior artilheiro histórico, com 79 gols — número que o coloca como o maior artilheiro das Américas entre os classificados para 2026. A situação do camisa 10 brasileiro, porém, segue indefinida em função de lesões recorrentes, e qualquer projeção sobre sua participação no torneio depende de recuperação física confirmada.

Quem chega ao torneio com recordes nacionais ainda vivos Son está a um torneio d
Quem chega ao torneio com recordes nacionais ainda vivos Son está a um torneio d

Nos Estados Unidos, Clint Dempsey e Landon Donovan dividem o recorde histórico com 57 gols cada — ambos aposentados. A seleção americana chega à Copa como co-sede e sem um artilheiro ativo próximo dessa marca, o que torna o recorde conjunto um capítulo fechado da história do futebol norte-americano.

Em matéria do SportNavo publicada para acompanhar a abertura do torneio, o levantamento completo dos 48 artilheiros históricos revela um padrão claro: as seleções com maior tradição tendem a ter seus recordes protegidos por gerações passadas, enquanto países em desenvolvimento — como o Catar, o Canadá e Marrocos (Ayoub El Kaabi, 35 gols) — ainda têm seus artilheiros históricos em atividade, o que torna a Copa de 2026 uma janela rara para reescrever múltiplos recordes nacionais simultaneamente.

A Copa começa em 11 de junho com México x África do Sul no Azteca. Heung-min Son e a Coreia do Sul entram em campo no Grupo A, e cada gol do capitão sul-coreano será monitorado não apenas como contribuição tática, mas como dado histórico. Com 56 gols e uma Copa inteira pela frente, Son está a um torneio — ou menos — de reescrever definitivamente a história da seleção sul-coreana.