Placares de 49-45 em todos os três cartões dos juízes. Esse foi o veredicto unânime que encerrou o UFC Vegas 116 no Meta APEX, em Las Vegas, na noite de 25 de abril, com Aljamain Sterling sufocando Youssef Zalal em cinco rounds de controle total no chão. O ex-campeão do peso-galo, agora com retrospecto de 3-1 nos penas, saiu do octógono gritando o que a performance já havia dito em voz alta: ele quer o cinturão de Alexander Volkanovski.
O que a vitória prova — e o que ela não resolve
Sterling não simplesmente venceu Zalal. Ele desmontou um atleta que chegou ao confronto embalado por oito vitórias consecutivas no MMA. Repetidamente, o americano de 36 anos levou o marroquino ao chão, controlou as posições e castigou com ground and pound sistematicamente. O único momento de perigo real foi uma tentativa de guilhotina no terceiro round, bem defendida. Fora isso, Sterling ditou o ritmo da luta dos 15 metros iniciais até o último segundo do quinto round.
"Movsar [Evloev], estou vindo atrás de você. Volkanovski, você sabe que estou vindo. Me deem minha chance. Trabalhei duro demais para isso. Essa foi minha 23ª luta no UFC. Só lutei contra três caras sem ranking desde que me assinei aqui. Coloquem respeito no meu nome quando eu digo que sou o próximo da fila." — Aljamain Sterling, no octógono após a vitória
A argumentação mais usada contra Sterling é simples: ele perdeu para Movsar Evloev, que segue invicto e que vem de uma vitória sobre Lerone Murphy, outro nome de alto nível na divisão. Esse raciocínio tem lógica linear — quem perde para um contendor dificilmente salta à frente dele na fila. Mas o problema é que a fila dos penas não é linear. Diego Lopes também figura entre os contendores mais citados, e nenhum dos dois — Evloev ou Lopes — ainda provou, da forma que Sterling provou ao longo de 12 anos de UFC e 23 lutas, ter a consistência de um ex-campeão de nível mundial.
O caso Sterling contra o caso Evloev
A análise do SportNavo sobre o cenário dos penas aponta um dado que costuma ser negligenciado nesse debate: Sterling chegou aos 145 libras já como ex-campeão linear do peso-galo, cargo que conquistou ao derrotar Petr Yan em 2021 e defender com vitórias sobre T.J. Dillashaw e Henry Cejudo. Evloev, com todo o seu mérito de invicto no UFC, jamais esteve numa posição de pressão equivalente à que Sterling enfrentou ao longo da carreira. Isso não desqualifica o russo, mas coloca em perspectiva o peso de cada retrospecto.
A vitória sobre Zalal reforçou o que a comunidade do MMA já começou a admitir abertamente. O lutador e treinador Ramiz Brahimaj resumiu o sentimento coletivo dos profissionais que assistiram ao card: "Aljo só mostrando seu calibre de campeão, ajustes lindos e grappling de elite." Terrance McKinney foi na mesma direção, elogiando o QI de luta de Sterling e a resistência de Zalal. A leitura de quem vive o esporte é clara: Sterling ainda pertence ao topo.
"Ele estava mais rápido do que eu esperava, mas nos adaptamos. Tenho 36 anos. Quero tentar o título mais uma vez. Mereço esse shot." — Sterling, em declaração após o UFC Vegas 116
O que o UFC precisa decidir agora
Volkanovski espera o próximo desafiante com o cinturão na cintura. A divisão dos penas tem, hoje, pelo menos três nomes com argumentos reais: Evloev, que permanece invicto e bateu Murphy; Lopes, que vem acumulando vitórias expressivas; e Sterling, que acaba de vencer com autoridade um dos lutadores mais promissores da categoria. A questão não é quem merece — todos merecem atenção. A questão é qual confronto faz mais sentido esportivo e comercial para o UFC.
Evloev-Volkanovski é a luta com maior lógica de ranking. Sterling-Volkanovski é a luta com maior apelo comercial — dois ex-campeões, dois estilos contrastantes, uma narrativa de retorno ao topo que o público consomiu durante anos. O UFC raramente ignora esse segundo fator. A decisão de Dana White e da organização sobre o próximo desafiante ao cinturão dos penas deve ser anunciada nas próximas semanas, com o nome de Sterling agora mais alto do que estava antes do UFC Vegas 116.








