Oito tentativas de visto. Dois filhos pequenos. Uma mãe que poderia simplesmente dizer não. Esses três números resumem a logística familiar mais inusitada desta Copa do Mundo antes mesmo de a bola rolar.

A conta que não fechava para Léo Pereira

Léo Pereira, zagueiro do Flamengo convocado por Carlo Ancelotti para defender a Seleção Brasileira no Mundial, queria o que qualquer pai quer num momento histórico: ter os filhos por perto. Helena, de 7 anos, e Matteo, de 5 anos, frutos do seu relacionamento com Tainá Militão, estão no Brasil enquanto o torneio se aproxima. O problema era simples na enunciação e complicadíssimo na solução — nenhum familiar próximo do zagueiro possui o visto necessário para viajar ao exterior com as crianças.

A avó paterna não tem o documento. A irmã do jogador, tampouco. A babá da família, a alternativa mais natural para esse tipo de situação, foi alvo de oito pedidos de visto negados consecutivos — e uma nona tentativa estava em curso quando o assunto veio a público, conforme registrado pelo SportNavo a partir das declarações dadas ao podcast PodDelas.

"O pai das crianças não tem ninguém que tenha o visto. A avó não tem visto, a irmã não tem visto, então não tem ninguém pra levar. A babá a gente tentou tirar oito vezes. Estamos tentando de novo agora", revelou Tainá no PodDelas.

Esse cenário burocrático, que poderia soar banal para quem está de fora, tem peso real: sem um adulto responsável com documentação em ordem, Helena e Matteo simplesmente não embarcam. Léo Pereira estaria em campo, representando o país num torneio que acontece a cada quatro anos, sem a presença dos filhos nas arquibancadas.

A decisão de Tainá e o que ela revela sobre co-parentalidade

Tainá Militão está grávida de Éder Militão, zagueiro do Real Madrid e ex-capitão da Seleção Brasileira que ficou fora da Copa após sofrer uma lesão nas semanas anteriores à convocação. A situação já carregava camadas suficientes de complexidade emocional — e foi exatamente nesse contexto que a influenciadora tomou uma decisão que surpreendeu as redes sociais: ela própria acompanhará as crianças ao torneio, para que os filhos possam estar ao lado do pai.

"E aí não tem ninguém pra levar as crianças. Se não for eu, ele não consegue ficar também. E tem que ser humana nessas horas porque é difícil. Primeira Copa dele, momento especial, com certeza ele quer as crianças lá. Se precisar da minha ajuda também vou ajudar ele, com certeza, para levar as crianças", declarou Tainá no mesmo podcast.

A frase "tem que ser humana nessas horas" condensa uma postura que vai na contramão do que se vê com frequência em separações que envolvem famosos. Tainá deixou claro que teria preferência por outras opções — a avó paterna, a irmã do jogador ou a babá —, mas que, diante do impasse documental, não cogitou usar a situação como moeda de barganha. Decidiu.

Há um dado contextual que amplifica a nobreza do gesto: Léo Pereira namora atualmente Karoline Lima, ex-parceira de Éder Militão e mãe de Cecília, filha do zagueiro do Real Madrid. A teia de relações entre os quatro adultos é, objetivamente, das mais intrincadas do futebol brasileiro contemporâneo — e Tainá optou por atravessá-la pelo lado da praticidade, não do conflito.

A primeira Copa de Léo Pereira e o que está em jogo nos bastidores

Para entender a dimensão do que Tainá está facilitando, basta olhar para a trajetória do zagueiro. Léo Pereira chegou ao Flamengo em 2021, vindo do Athletico Paranaense, e demorou para se firmar como titular absoluto no clube. A convocação para a Copa do Mundo representa o ápice de uma construção que levou anos — e é, de fato, a primeira vez que ele disputará um torneio desta magnitude com a camisa da Seleção.

Jogadores que disputam sua primeira Copa costumam relatar, anos depois, que a memória mais forte não é necessariamente um gol ou uma defesa decisiva, mas um detalhe humano: a presença de quem amam nas arquibancadas. Pelé tinha 17 anos quando conquistou a Copa de 1958 na Suécia e nunca deixou de mencionar a carta que recebeu do pai, Dondinho, antes da decisão. Zico, que disputou três Copas sem conquistar o título, sempre citou o peso de ter a família presente como fator de equilíbrio emocional. A história do futebol brasileiro é repleta de relatos que confirmam: o suporte afetivo não é detalhe, é estrutura.

Para Léo Pereira, ter Helena e Matteo nas arquibancadas — ela com 7 anos, ele com 5, numa idade em que memórias começam a se fixar com nitidez — é uma janela que não se reabre. Copas do Mundo não esperam. E Tainá, que poderia invocar qualquer razão para não embarcar grávida numa viagem intercontinental para facilitar a vida do ex-marido, escolheu o caminho que priorizou as crianças.

"Crianças pequenas, não posso deixar meus filhos com qualquer pessoa", afirmou a influenciadora, explicando por que não cogitou enviar Helena e Matteo com alguém que não fosse de total confiança.

A logística final depende ainda da resolução do visto da babá — se a nona tentativa for aprovada, Tainá sinalizou que estaria disposta a ceder o acompanhamento. Mas, como o prazo se estreita, o cenário mais provável é que ela embarque junto. Seja qual for o desfecho documental, a decisão já foi tomada: os filhos de Léo Pereira estarão na Copa do Mundo. O resto é burocracia.

Uma partitura tocada por quatro instrumentos que, em tese, deveriam estar desafinados entre si — Tainá, Léo, Éder e Karoline — acabou produzindo, ao menos nesse movimento, uma harmonia inesperada. Às vezes, o que parece cacofonia nos bastidores é só o processo natural de afinação antes do concerto começar.