John Textor quebrou o silêncio e admitiu pela primeira vez a possibilidade de deixar o Botafogo. O empresário americano, que comanda a SAF alvinegra desde 2022, revelou em entrevista ao ge que os entraves societários podem forçar sua saída do clube carioca.

O momento crítico chegou após o fracasso da Assembleia Geral Extraordinária desta terça-feira (21), que não teve quórum suficiente para deliberar sobre a capitalização urgente. Textor quer injetar US$ 25 milhões (cerca de R$ 127 milhões) via equity, emitindo novas ações para evitar o aumento da dívida.

"Eu prefiro ser arrastado para fora do prédio chutando, gritando e meio morto antes de deixar esse clube. Se eu não consigo fazer isso legalmente e outra pessoa quiser pagar, é o melhor para a torcida. Não é sobre mim, é sobre o Botafogo"

Eagle Bid ausente complica negociações

A ausência de representantes da Eagle Bid na assembleia evidenciou as fraturas internas na estrutura societária. O grupo, que detém participação minoritária na SAF, não compareceu à reunião que definiria o futuro financeiro do clube.

Textor não poupou críticas à condução do processo e cobrou transparência dos demais acionistas. Segundo o SportNavo apurou, o clima de tensão se intensificou nas últimas semanas, com acusações mútuas entre as partes envolvidas.

"Chega de advogados, atividades nas sombras. Venham para a reunião, apresentem soluções ou saiam do caminho"

Conflito com Ares Management trava investimentos

O empresário revelou um conflito direto com a Ares Management, empresa que administra fundos ligados à Eagle Holdings. Textor acusou a gestora de priorizar os interesses do Lyon, da França, em detrimento do Botafogo.

A Ares Management controla tanto investimentos no clube francês quanto na SAF brasileira, criando um cenário de conflito de interesses. Textor alega que a empresa estaria sacrificando o Botafogo para proteger o time europeu de problemas financeiros.

"Eles estão fazendo o melhor para proteger o time da França e sacrificar o do Brasil"

Cenário financeiro preocupante

O Botafogo enfrenta restrições no mercado de transferências e necessidade urgente de fluxo de caixa. A situação se agravou após investimentos pesados em contratações que não geraram o retorno esportivo esperado na última temporada.

Uma análise do SportNavo mostra que a SAF alvinegra precisa equilibrar as contas rapidamente para evitar problemas com fornecedores e funcionários. O modelo de equity proposto por Textor seria a solução menos onerosa para o clube.

A nova assembleia foi marcada para 27 de abril, quando os acionistas voltarão a discutir a emissão de ações e alternativas para capitalização. O prazo apertado aumenta a pressão sobre todas as partes envolvidas no impasse societário do Glorioso.