Em 22 de abril, policiais de Tijeras, no estado do Novo México, prenderam Tim Means, welterweight do UFC, após sua filha de 14 anos ligar para a polícia relatando agressão física dentro de casa. A acusação formal é de abandono ou abuso de menor, e o boletim de ocorrência detalha um episódio de violência que começa com uma discussão sobre tarefas domésticas e termina com marcas no rosto e no pescoço da adolescente.
O que diz o boletim de ocorrência
Segundo o Albuquerque Journal, veículo que teve acesso ao registro policial, a garota relatou que o pai a atingiu com uma cabeçada no nariz, tentou estrangulá-la e ainda arremessou uma batata em sua direção. Quando ela tentou escapar, levou um soco. Os policiais encontraram sangramento no nariz, hematomas no rosto e marcas visíveis no pescoço, compatíveis com os relatos de tentativa de estrangulamento.

"Havia sangue em volta e dentro do nariz dela, onde ela foi atingida por uma cabeçada, e várias marcas vermelhas indicavam que ela foi golpeada no rosto e na bochecha", consta no relatório policial citado pelo Sherdog.
O próprio Means, conforme apuração do canal de TV KOAT, admitiu perante as autoridades que a discussão com a filha aconteceu, mas afirmou que apenas a "conteve para que ela não agredisse". A versão contradiz diretamente as lesões documentadas no boletim.
Liberado, mas longe de estar livre
Na sexta-feira, 24 de abril, Means compareceu ao tribunal e foi liberado. A investigação, no entanto, segue aberta, sem data definida para o próximo retorno ao tribunal. A situação jurídica de Means é, tecnicamente, a de um réu em liberdade sob investigação ativa por crime contra menor.
A análise do SportNavo mostra que esse tipo de acusação — envolvendo menor de idade e evidências físicas documentadas — costuma ter tramitação mais rígida no sistema judicial norte-americano, o que reduz significativamente as chances de arquivamento sem consequências legais.
Uma carreira que já estava em declínio
Tim Means tem 42 anos e coleciona uma trajetória longa no UFC, organização à qual retornou em 2014 e desde então não saiu mais. O apelido "Dirty Bird" ficou famoso nos meio-médios, categoria com limite de 77 kg. Sua última luta foi em outubro de 2024, quando foi derrotado por Court McGee — sua segunda derrota consecutiva no octógono, o que já colocava o futuro do lutador na organização em xeque antes mesmo do episódio criminal.
Means nunca foi um contendor ao cinturão, mas manteve relevância na divisão por anos graças ao estilo agressivo e ao histórico de finalizações. Ao longo da segunda passagem pelo UFC, acumulou vitórias sobre nomes como Belal Muhammad em 2017 e Mike Perry em 2019, intercaladas com derrotas. O registro atual na organização está longe de justificar uma nova contratação caso o UFC decida rompê-la.
O UFC e o protocolo para casos de violência doméstica
O UFC possui uma política explícita de conduta para atletas, alinhada à chamada UFC Athlete Conduct Policy, que prevê suspensão ou rescisão contratual em casos de violência doméstica, mesmo antes de condenação judicial. O precedente mais conhecido é o de Jon Jones, afastado temporariamente em 2015 após envolvimento em acidente de fuga em Albuquerque — curiosamente, a mesma cidade onde o caso de Means se desenvolve.
A organização ainda não emitiu nota oficial sobre o caso de Means até o fechamento desta reportagem. Mas o histórico da empresa mostra que episódios com evidências físicas documentadas e envolvimento de menor raramente passam sem resposta institucional. A rescisão contratual, antes improvável por conta do calendário de lutas, agora é o desfecho mais plausível para o "Dirty Bird".

Com investigação em aberto, sem data de retorno ao tribunal e carregando duas derrotas consecutivas no currículo, Means precisará apresentar uma versão convincente perante a Justiça do Novo México antes de pensar em qualquer retorno ao octógono. O próximo passo legal depende da conclusão da investigação policial, que ainda não tem prazo definido pelas autoridades locais.








