Três jogadores titulares do meio-campo do Flamengo, ausentes ao mesmo tempo, para um jogo fora de casa, em gramado sintético, contra um adversário de grande porte. Esse é o cenário com que Leonardo Jardim se deparou ao montar a lista de relacionados para o confronto deste domingo (26) contra o Atlético-MG, na Arena MRV, pela 13ª rodada do Brasileirão. Erick Pulgar, Lucas Paquetá e Nico de la Cruz — os três — não viajaram para Belo Horizonte.
O peso de cada ausência
Pulgar trata de lesão no ombro direito e sequer estaria disponível de qualquer forma: o chileno cumpriria suspensão imposta pelo STJD caso tivesse condições físicas de jogar. A situação do volante, no entanto, começa a preocupar pela ausência prolongada, e o prazo estimado para retorno aponta para o confronto contra o Estudiantes-ARG, ainda sem data definida para a convocação final do grupo.
Paquetá é o caso mais recente e, talvez, o que mais pesa taticamente. O camisa 20 sofreu edema muscular no tendão da coxa esquerda durante a derrota para o Bahia no último domingo (19) e segue no departamento médico. Há uma semana, portanto, o Flamengo já opera sem seu principal criador pelo lado esquerdo do meio-campo — o jogador de maior valor de mercado do elenco, avaliado em torno de 40 milhões de euros segundo levantamentos europeus recentes.
De la Cruz é o nome que torna a equação mais delicada. O uruguaio carrega um problema crônico no joelho e, historicamente, é preservado em partidas disputadas em gramado sintético. A Arena MRV, inaugurada em 2023 com capacidade para 46 mil torcedores, possui exatamente esse tipo de superfície — o que já era uma variável conhecida pela comissão técnica desde a divulgação do calendário. Jardim havia sinalizado publicamente essa possibilidade ainda na quarta-feira (22), após o triunfo sobre o Vitória pela Copa do Brasil.

"Externou a possibilidade de não contar com o camisa 18", registrou a cobertura da entrevista coletiva do técnico após a vitória sobre o Vitória.
As opções que Jardim tem à disposição
Com Carrascal também fora — o colombiano cumpre suspensão pelo STJD —, o Flamengo chega a quatro desfalques no setor de criação e armação. A lógica aponta para uma reconfiguração que passará, provavelmente, por Alcaraz como referência central do meio. O argentino, contratado por cerca de 18 milhões de euros junto ao Southampton em 2024, tem características mais dinâmicas do que Pulgar, mas não entrega o mesmo volume defensivo nem a mesma experiência em jogo de maior responsabilidade física.
A análise do SportNavo sobre os últimos cinco jogos do Flamengo com todos os titulares disponíveis revela que o trio Pulgar-Paquetá-De la Cruz foi responsável por 63% das progressões de bola no terço final do campo. Retirar os três simultaneamente não é apenas uma questão de substituição nominal — é uma mudança estrutural no modelo de jogo que Jardim vinha consolidando.
Outra alternativa para compor o meio é acionar Matheus Gonçalves em posição mais recuada, liberando espaço para Gerson ocupar a função de ligação entre defesa e ataque com maior frequência. O próprio Gerson, capitão e jogador mais experiente do setor, precisará elevar sua participação em termos de volume e qualidade de passe — algo que, nas últimas semanas, oscilou em função do rodízio de partidas entre Brasileirão e Copa do Brasil.
O gramado sintético como fator tático
A questão do sintético não é periférica. O piso da Arena MRV acelera a bola, reduz o tempo disponível para o jogador de posse e tende a favorecer equipes com maior intensidade de pressão — exatamente o perfil que o Atlético-MG busca impor dentro de casa. Para um Flamengo que precisará de mais toque e circulação para compensar a ausência de De la Cruz e Paquetá, a superfície representa um obstáculo adicional que não pode ser ignorado.
"De la Cruz tem problema crônico no joelho e costuma ficar fora de partidas no gramado sintético", confirmou o clube ao divulgar a lista de relacionados neste sábado (25).
O histórico do Flamengo em jogos na Arena MRV reforça a dificuldade: o estádio inaugurado pelo Atlético é um dos ambientes mais hostis para visitantes no Brasileirão, com o time mandante tendo aproveitamento superior a 70% em confrontos do campeonato nacional desde a abertura do estádio.

O que muda na expectativa para a partida
Jardim terá de escolher entre manter a estrutura de três volantes com menor poder ofensivo ou abrir mão de segurança para tentar criar situações de perigo com mais homens adiantados. Nenhuma das duas opções é confortável para uma equipe que, sem De la Cruz e Paquetá, perde os dois jogadores com maior capacidade de desequilíbrio individual no setor intermediário. O levantamento do SportNavo indica que, nos jogos em que ao menos um dos dois esteve ausente nesta temporada, o Flamengo marcou em média 0,8 gol a menos por partida.
A bola rola às 20h30 (de Brasília) deste domingo (26) na Arena MRV. A transmissão fica por conta do SporTV e do Premiere. Na sequência, o Flamengo terá compromisso continental pelo grupo da Copa Libertadores, o que torna a gestão do elenco neste ciclo ainda mais crítica — qualquer agravamento de lesão existente, ou novo caso clínico, pode comprometer o planejamento das próximas três semanas.








