A Uefa definiu suspensão de seis jogos para Gianluca Prestianni por conduta homofóbica contra Vinicius Jr. O atacante do Benfica foi punido após confessar ter usado o termo "maricón" contra o brasileiro durante Benfica 1x2 Real Madrid, em 17 de fevereiro, pelas oitavas da Champions League.

O Departamento de Controle, Ética e Disciplina baseou a decisão na confissão do próprio argentino. Prestianni negou ter proferido "mono" (macaco), como inicialmente denunciado por racismo, mas admitiu a ofensa homofóbica durante depoimento.

Estrutura da punição e aplicação prática

A sanção divide-se em duas partes: três jogos efetivos e três suspensos por período probatório de dois anos. Como Prestianni já cumpriu um jogo provisoriamente na partida de volta no Bernabéu, restam dois jogos pendentes.

O atacante cumprirá a suspensão remanescente em competições organizadas pela Uefa ou em partidas oficiais da seleção argentina. Com o Benfica eliminado das competições europeias, os dois jogos serão descontados caso seja convocado para compromissos da Albiceleste.

A Uefa solicitou à Fifa extensão da punição para âmbito mundial. Essa medida pode afetar a participação de Prestianni na Copa do Mundo 2026, onde desfalcaria a Argentina nas primeiras partidas caso seja convocado.

Protocolo antidiscriminação em ação

O incidente ocorreu após o golaço de Vini Jr. no início da segunda etapa. Durante a comemoração, o brasileiro se envolveu em confusão com Prestianni, que chegou a cobrir a boca durante a discussão.

O árbitro Benoît Bastien ativou o protocolo antirracismo da Uefa. O jogo ficou paralisado por 10 minutos enquanto jogadores do Real Madrid ameaçaram abandonar o campo. Capitães Otamendi e Valverde foram acionados para mediar a situação.

Vini Jr. e Mbappé conversaram diretamente com José Mourinho logo após o ocorrido. O técnico português orientou seus jogadores sobre os procedimentos durante a pausa forçada.

Precedente no combate à homofobia

Segundo apuração do SportNavo, esta representa a primeira punição específica por homofobia na Champions League nos últimos cinco anos. A Uefa tradicionalmente enquadrava ofensas similares como "conduta antiesportiva" genérica.

A entidade europeia intensificou protocolos antidiscriminação após casos envolvendo Vini Jr. na Liga Espanhola. O brasileiro sofreu ataques racistas em Valencia, Mallorca e outros estádios espanhóis na temporada 2022/23.

Estrutura da punição e aplicação prática Uefa pune Prestianni por homofobia cont
Estrutura da punição e aplicação prática Uefa pune Prestianni por homofobia cont

A confissão de Prestianni estabelece jurisprudência para casos futuros. Anteriormente, punições dependiam de evidências audiovisuais ou testemunhais, dificultando comprovações em campo.

Impacto na carreira e seleção argentina

Prestianni, de 21 anos, perdeu protagonismo no Benfica após o incidente. O atacante disputou apenas 180 minutos nas últimas oito partidas da equipe portuguesa antes da eliminação europeia.

Para a seleção argentina, a suspensão representa problema logístico significativo. Caso Lionel Scaloni convoque o jogador para eliminatórias ou amistosos antes da Copa 2026, precisará considerar os dois jogos de gancho pendentes.

O precedente da Uefa pode influenciar outras confederações no tratamento de casos similares. A Conmebol monitora desenvolvimentos para eventual aplicação de protocolos equivalentes nas competições sul-americanas.

Prestianni retorna aos gramados em competições nacionais portuguesas, mas carrega suspensão europeia até 2026. O Benfica enfrenta o Porto no próximo domingo pelo Campeonato Português, com o atacante liberado para atuar.