8 dias. Esse é o intervalo entre o protocolo do pedido de liminar no tribunal federal do Distrito de Columbia e a data marcada para o evento mais comentado do ano no MMA — o UFC Freedom 250, agendado para 14 de junho de 2026 no gramado sul da Casa Branca. O prazo é curto, a decisão é urgente e o que está em jogo vai muito além de uma noite de lutas.

O processo que chegou na véspera do maior evento da história do UFC

Na noite de sábado, 6 de junho, o Public Integrity Project — escritório de advocacia anticorrupção sediado em Washington — protocolou uma ação no tribunal federal do Distrito de Columbia contra o Departamento do Interior e o Serviço Nacional de Parques. A alegação central é direta: ao autorizar um evento esportivo privado em propriedade pública, os órgãos federais violaram normas do serviço de parques e agiram fora dos limites legais.

WHAT DID HE HIT HIM WITH 💀 #ufcwhitehouse

Na manhã seguinte, um pedido de liminar de urgência foi protocolado no mesmo tribunal. O advogado Brendan Ballou, representante do Public Integrity Project, foi categórico ao explicar a motivação da ação.

"Consideramos isso um profundo abuso de nossos monumentos nacionais sagrados para ganho privado. Acreditamos que isso precisa ser interrompido, pois infringe a lei", afirmou Ballou, acrescentando que espera uma decisão sobre a liminar ainda nesta semana.

O processo aponta três frentes de violação. A primeira diz respeito às normas do serviço de parques, que proibiriam eventos esportivos privados em áreas federais. A segunda envolve a construção da estrutura física do UFC no gramado sul — obra que, segundo os autores da ação, exigiria autorização expressa do Congresso por se tratar de espaço federal. A terceira é ambiental: o processo afirma que não houve avaliação de impacto ambiental antes de uma "ação federal importante" que afeta significativamente o entorno.

O que o governo Trump e o UFC têm a dizer

A resposta do governo veio rápida e em tom agressivo. Um funcionário da administração Trump enviou uma declaração por e-mail à ESPN descrevendo o processo como "obstrucionista, infundado e protelatório".

"Este evento icônico não é diferente dos vários outros eventos realizados na Casa Branca, no gramado sul, e dos eventos devidamente autorizados no Ellipse e no National Mall ao longo do ano", dizia o comunicado, classificando a ação judicial como uma tentativa de impedir "um dos eventos esportivos mais históricos da nossa nação durante as comemorações do nosso cinquentenário".

O UFC, o Departamento do Interior, o Serviço Nacional de Parques e o Departamento de Justiça não responderam às solicitações de comentário da ESPN até o fechamento desta reportagem. A coletiva de imprensa do evento está programada para a sexta-feira à noite, em frente ao Lincoln Memorial — local também citado no processo —, com pesagem no sábado e as lutas no domingo, data que coincide com o 80º aniversário do presidente Donald Trump.

Dana White e a aposta nos números do Super Bowl

Quem não tem cão caça com gato — e Dana White nunca esperou que o MMA fosse convidado para a festa. Construiu o convite na marra, ao longo de décadas, e agora quer cobrar o preço máximo por isso. Em entrevista à TNT Fight Sports, o CEO do UFC descreveu o evento como algo que transcende qualquer outra produção já realizada pela organização.

"É definitivamente um evento único. E quando você pensa em de onde viemos, como esse esporte começou, como era malvisto nos Estados Unidos, e agora estar indo para a Casa Branca é bastante surreal", disse White.

Quando o assunto é audiência, White não mede palavras. A projeção é de números comparáveis ao Super Bowl LX, realizado em fevereiro de 2026, que registrou média de 124,9 milhões de espectadores nos Estados Unidos. Para ter noção do tamanho da ambição, o evento de MMA mais assistido da história americana até hoje é o card da Ronda Rousey vs. Gina Carano na Netflix, em maio de 2025, que atingiu 9 milhões de espectadores domésticos — menos de 8% do que White projeta para o UFC Freedom 250.

Quando fala em produção, White coloca o UFC Freedom 250 acima até do evento no Las Vegas Sphere, em 2024, realizado em celebração à Independência do México, que custou à organização cerca de 20 milhões de dólares. Quando fala nos lutadores, ele adianta que os atletas do evento principal farão suas entradas saindo diretamente do Salão Oval — detalhe que, por si só, já entraria para os livros de história do esporte.

O que a liminar pode mudar — e o que acontece se o evento for barrado

Quando uma liminar de urgência é concedida em casos como esse, ela tem efeito imediato e pode paralisar toda a logística do evento enquanto o mérito da ação é analisado. Com a pesagem marcada para sábado e as lutas para domingo, o prazo para uma decisão judicial é de, no máximo, cinco dias a partir desta segunda-feira, 9 de junho.

O impacto de um eventual cancelamento seria histórico em todos os sentidos negativos. O UFC já investiu um valor descrito como "significativamente superior" aos 20 milhões de dólares gastos no Sphere, segundo informações da própria organização. Transmissoras, patrocinadores e a logística de um evento com expectativa de público massivo já estão mobilizados. O próprio calendário do America 250 — projeto federal de celebração dos 250 anos da fundação dos Estados Unidos — seria afetado.

O advogado Ballou indicou que espera uma resposta do tribunal ainda nesta semana. Se a liminar for negada, o UFC Freedom 250 acontece no domingo, 14 de junho. Se for concedida, Dana White e o governo Trump terão de decidir se recorrem imediatamente ou se buscam um acordo que permita a realização do evento com ajustes nas condições de autorização. A decisão do juiz federal do Distrito de Columbia é o único obstáculo que ainda pode impedir que o octógono seja montado no gramado mais famoso do mundo.