O silêncio de São Januário na última terça-feira ecoou como um déjà vu para quem acompanha o Vasco da Gama nos últimos anos. Com cinco jogos consecutivos sem vitória, o Cruz-maltino repete um padrão que se tornou recorrente na década: sequências negativas que expõem fragilidades estruturais semelhantes às crises de 2018, 2020 e 2023.
A atual má fase apresenta números alarmantes que remetem diretamente às piores sequências da era SAF. Nas últimas cinco partidas, o Vasco marcou apenas dois gols - média de 0,4 por jogo - e sofreu oito tentos, registrando defesa vazada em quatro das cinco apresentações. Para efeito de comparação, na sequência de sete jogos sem vencer entre setembro e outubro de 2020, a média ofensiva foi ainda pior: 0,3 gol por partida.
Números espelham crise histórica de 2018
A semelhança com a sequência negativa de agosto a setembro de 2018 é impressionante. Naquela ocasião, sob comando de Jorginho, o Vasco acumulou seis jogos sem vitória com aproveitamento de 16,6% - praticamente idêntico aos atuais 13,3%. Durante aquela crise, que culminou com a demissão do técnico, o time marcou cinco gols e sofreu nove, números proporcionalmente equivalentes aos da atual temporada.
O atacante Vegetti, artilheiro do time com 12 gols na temporada, atravessa jejum de quatro jogos sem balançar as redes. Sua última participação decisiva foi no empate por 2 a 2 contra o Criciúma, em 7 de setembro. Para contextualizar historicamente, nem mesmo Romário - que marcou 55 gols pelo Vasco em 2000 - escapou de sequências improdutivas similares, ficando cinco jogos sem marcar entre julho e agosto daquele ano.
Padrão defensivo se repete há seis anos
A fragilidade defensiva atual ecoa as estatísticas de 2023, quando o Vasco sofreu gols em 73% dos jogos no Campeonato Brasileiro. Nesta temporada, o percentual subiu para 78% na competição nacional, com destaque negativo para os gols sofridos nos minutos finais - três dos últimos oito tentos vazados aconteceram após os 80 minutos.
Maurício Barbieri, demitido em março de 2018 após sequência semelhante, deixou registrada uma reflexão que se aplica ao momento atual: "O Vasco precisa encontrar consistência emocional para não repetir os mesmos erros". A declaração, dada após derrota por 3 a 1 para o Atlético-MG, antecipava um padrão que se consolidaria nos anos seguintes.
"Não podemos aceitar essa irregularidade. O time tem qualidade, mas falta maturidade para sustentar boas performances", disse o técnico atual após a última derrota.
Recuperação histórica indica caminho possível
Por outro lado, o histórico vascaíno mostra capacidade de reação após crises profundas. A sequência negativa de 2020, que chegou a nove jogos sem vencer sob Vanderlei Luxemburgo, foi revertida com quatro vitórias consecutivas que garantiram a permanência na Série A. O ponto de virada foi a vitória por 1 a 0 sobre o Goiás, no dia 14 de janeiro de 2021, quebrando um tabu de 84 dias sem triunfos.
Similarmente, a crise de 2023 - seis jogos sem vitória entre maio e junho - foi superada através de ajustes táticos que priorizaram maior compacidade defensiva e velocidade nas transições. O resultado foi uma sequência de cinco vitórias em sete jogos, incluindo triunfos sobre Flamengo (2 a 1) e Botafogo (4 a 1).
O departamento de análise de desempenho do clube identificou que, em todas as recuperações históricas, o fator determinante foi a redução de erros individuais combinada com maior objetividade ofensiva. Nas sequências positivas de 2020 e 2023, o Vasco converteu 18% e 22% das finalizações, respectivamente, contra os atuais 11% da fase ruim.
O próximo compromisso será contra o Internacional, no domingo, em São Januário. Historicamente, o Vasco tem 47% de aproveitamento contra o Colorado em casa desde 2015, com 15 vitórias, 11 empates e 6 derrotas em 32 confrontos - estatística que oferece esperança de interrupção da sequência negativa atual.

