A especulação sobre uma possível migração de Max Verstappen para o World Endurance Championship ganhou força após declarações de Robin Frijns, piloto da BMW. O holandês da Schubert Motorsport acredita que o tricampeão mundial da Red Bull seguirá o caminho de outros grandes nomes da Fórmula 1 que encontraram nova motivação nas corridas de resistência, particularmente na categoria Hypercar.
Frijns, que recentemente competiu na terceira etapa da Nürburgring Langstrecken-Serie ao lado de Marco Wittmann e Phillip Eng no BMW M4 GT3, vê semelhanças entre Verstappen e pilotos que já fizeram essa transição com sucesso.
"Max poderia correr hipercars do WEC em alguns anos", afirmou o piloto da BMW, sugerindo que a categoria seria a escolha natural do atual líder do campeonato.
O precedente de Fernando Alonso
Fernando Alonso representa o exemplo mais emblemático dessa transição. O espanhol conquistou duas vitórias consecutivas em Le Mans (2018 e 2019) pela Toyota Gazoo Racing, tornando-se apenas o segundo piloto ativo da F1 a vencer a clássica francesa desde 1998. Durante sua passagem pelo WEC entre 2018 e 2019, Alonso demonstrou que é possível conciliar ambas as categorias sem comprometer o desempenho.
Os números de Alonso no WEC impressionam: além das duas vitórias em Le Mans, conquistou o título mundial de pilotos em 2018/19 ao lado de Sébastien Buemi e Kazuki Nakajima. A experiência do asturiano provou que pilotos da F1 podem não apenas adaptar-se rapidamente às corridas de resistência, mas também dominá-las. Segundo apuração do SportNavo, Alonso manteve médias de volta consistentemente competitivas durante seus stints, raramente ficando mais de 0,5s acima do pace dos companheiros de equipe especializados em endurance.
Hülkenberg e a nova geração de crossover
Nico Hülkenberg oferece outro modelo interessante para Verstappen. O alemão competiu em Le Mans pela Porsche entre 2015 e 2017, conquistando uma vitória na categoria LMP1 em 2015. Sua capacidade de alternar entre a F1 e o WEC demonstrou a viabilidade dessa dupla carreira, especialmente considerando as demandas físicas e mentais distintas de cada categoria.
Brendon Hartley, ex-piloto da Toro Rosso, encontrou no WEC não apenas uma segunda chance, mas uma nova identidade profissional. Bicampeão mundial com a Porsche (2015 e 2017) e atual piloto da Toyota Gazoo Racing, Hartley exemplifica como ex-pilotos da F1 podem reinventar suas carreiras no endurance racing. Seus tempos de volta na temporada 2023 do WEC mostram consistência notável: gaps raramente superiores a 0,3s entre os companheiros de equipe nas sessões de qualificação.
A atração da categoria Hypercar
A nova regulamentação Hypercar, implementada em 2021, criou um ambiente mais atrativo para pilotos vindos da F1. Com chassis menos complexos que os antigos LMP1, mas ainda oferecendo desafios técnicos significativos, a categoria permite adaptação mais rápida. Os atuais hipercars desenvolvem aproximadamente 670 cv e pesam no mínimo 1030 kg, criando dinâmicas de pilotagem diferentes mas não completamente alienígenas para quem domina os monopostos de 800 cv da F1.
Peugeot, Ferrari, Toyota, Porsche e BMW disputam atualmente o WEC, oferecendo múltiplas oportunidades para pilotos de elite. Na avaliação do SportNavo, a presença de fabricantes premium torna a categoria especialmente atrativa para pilotos que buscam novos desafios sem abrir mão do prestígio esportivo.
O timing ideal para Verstappen
Aos 27 anos e com três títulos mundiais conquistados, Verstappen encontra-se em posição similar à de Alonso quando iniciou sua jornada no WEC. A diferença está no contexto: enquanto Alonso buscava alternativas devido à falta de competitividade da McLaren, Verstappen ainda domina na Red Bull. Porém, o holandês já demonstrou interesse por outras categorias, participando regularmente de corridas de simracing e eventos especiais.
O calendário atual do WEC, com oito etapas anuais, permitiria a Verstappen manter compromissos na F1 caso optasse por uma transição gradual. Le Mans 2025 está marcado para 14-15 de junho, coincidindo com a pausa de verão da F1, oferecendo uma janela perfeita para uma eventual estreia do tricampeão mundial nas 24 Horas mais famosas do mundo.

