Vinicius Júnior terminou a fase de grupos com nota 8,01 no Power Ranking da Copa do Mundo — e ainda assim ficou atrás de Lionel Messi. O paradoxo: o brasileiro marcou em todos os três jogos, foi o mais consistente da fase, e mesmo assim a distância para o argentino ainda é de 0,44 pontos. O que esse número esconde é exatamente o que a análise precisa revelar.

O número 8,01 e como Vini Jr. chegou até ele

A trajetória de Vinicius Júnior no ranking da Fifa ao longo da fase de grupos conta uma história de aceleração. Ele começou na 9ª posição após a primeira rodada, subiu para 5ª depois do segundo jogo e fechou a fase em 4º, com nota 8,01. Três partidas, três gols — contra Marrocos, Haiti e Escócia —, e uma subida de cinco posições que nenhum outro atacante do torneio reproduziu no mesmo período.

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O sistema da Fifa avalia os jogadores em três categorias: ataque, criatividade e defesa. As notas são calculadas automaticamente com base em estatísticas coletadas durante cada partida — gols, assistências, passes decisivos, desarmes e influência geral no jogo. Não há interferência humana no cálculo. Isso torna o ranking especialmente interessante do ponto de vista de análise de dados: ele captura consistência, não apenas picos.

E é exatamente aí que Vini Jr. se destaca. Enquanto outros atacantes dependeram de uma grande atuação para figurar no top 10, o camisa 7 do Brasil acumulou contribuições diretas em cada rodada. No futebol moderno, isso equivale a dizer que ele teve xG involvement positivo em todos os jogos — ou seja, participou ativamente das situações de gol esperadas pela equipe, seja finalizando, seja gerando as chances.

Messi com 8,45 — o hat-trick que distorceu a régua

Lionel Messi lidera o ranking de ataque com 8,45, seguido pelo alemão Deniz Undav (8,42) e pelo francês Kylian Mbappé (8,18). A liderança do argentino tem uma explicação direta: o hat-trick contra a Argélia na primeira rodada, que o fez saltar 24 posições de uma vez e igualar Miroslav Klose na artilharia histórica das Copas do Mundo. Segundo o The Athletic,

"Mesmo aos 39 anos, Messi continua demonstrando capacidade de brilhar neste palco."

Do ponto de vista de métricas avançadas, o hat-trick de Messi representa um pico de xG (expected goals) altíssimo em uma única partida — provavelmente acima de 2,5 gols esperados só naquele jogo. Isso infla a nota de forma significativa. Vini Jr., por outro lado, distribuiu seu impacto em três partidas diferentes, o que pode resultar em xG por jogo menor, mas com progressive passes recebidos e dribles completados consistentes ao longo de toda a fase.

A comparação direta entre os dois, então, não é tão simples quanto a diferença de 0,44 pontos sugere. Messi teve um jogo extraordinário e dois regulares. Vini Jr. teve três jogos bons. Qual perfil é mais valioso para um torneio de mata-mata? Essa é a pergunta que o ranking ainda não responde sozinho.

Seria injusto chamar o desempenho de Messi na fase de grupos de "era do argentino na Copa 2026" — mas para um jogador de 39 anos, foi uma era em escala de 90 minutos.

E quanto ao restante dos brasileiros? O cenário é mais amplo do que o top 10 deixa ver.

O Brasil além de Vini — o que os outros números dizem sobre a seleção

Vinicius Júnior foi o único brasileiro no top 10 do ranking de ataque, mas a seleção tem representantes espalhados pelas três categorias. Matheus Cunha, autor de três gols na fase de grupos, aparece na 12ª posição entre os atacantes — um desempenho que passou despercebido pelo grande público, mas que os dados capturam com clareza.

No ranking de defesa, Casemiro ocupa o 6º lugar global, o que reflete sua atuação em defensive actions — conjunto de desarmes, interceptações e bloqueios que o sistema da Fifa usa para medir impacto defensivo. Para um meio-campista de contenção, estar entre os seis melhores defensores de toda a Copa é um dado que merece mais atenção do que recebe.

Bruno Guimarães apresenta um perfil interessante: lidera a Copa em assistências, com três passes para gol, mas aparece apenas na 98ª posição em criatividade e na 113ª em desempenho ofensivo. Isso aponta para uma limitação do modelo da Fifa — ou para o fato de que Bruno atua de forma mais recuada, gerando chances a partir de uma posição que o ranking de criatividade não valoriza tanto quanto dribles e passes em zonas adiantadas. Em termos de xA (expected assists), ele provavelmente está entre os líderes do torneio; o ranking simplesmente não reflete isso de forma direta.

Lucas Paquetá aparece na 30ª posição em criatividade, e o próprio Vini Jr. figura na 67ª nessa mesma categoria — um dado que confirma que seu valor para a seleção está concentrado no setor de ataque puro, não na construção de jogadas. Sua função é receber o passe progressivo já em condições de finalizar ou criar desequilíbrio no último terço.

  • Vini Jr. — 4º em ataque (8,01) / 67º em criatividade
  • Matheus Cunha — 12º em ataque (nota não divulgada pela Fifa)
  • Casemiro — 6º em defesa
  • Lucas Paquetá — 30º em criatividade
  • Bruno Guimarães — 98º em criatividade / 113º em ataque

O Brasil estreia no mata-mata nesta segunda-feira, 29 de junho, às 14h, contra o Japão no NRG Stadium, em Houston. Se Vini Jr. continuar no ritmo da fase de grupos — gol em cada partida —, ele tem condições reais de ultrapassar Mbappé (8,18) e encostar em Undav (8,42) nas próximas rodadas. A distância para Messi (8,45) depende do que o argentino fizer nas oitavas, mas o Power Ranking da Fifa já deixou claro: o camisa 7 está entre os quatro melhores atacantes do planeta neste exato momento.