Seco. O gramado do MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey, estava seco demais para uma Copa do Mundo. Não é uma impressão. É o que dois jogadores de altíssimo nível, de seleções diferentes, disseram publicamente após pisarem naquele tapete que prometia ser palco de histórias épicas — e que acabou virando motivo de queixa antes mesmo de a fase de grupos terminar.

Vinicius Jr, atacante da Seleção Brasileira e do Real Madrid, foi o primeiro a levantar a voz. O francês Adrien Rabiot, meio-campista que ajudou a França a bater o Senegal por 3 a 1 nesta terça-feira, 16 de junho, se juntou ao coro logo depois da partida. Dois jogadores, dois jogos, uma mesma crítica — e um mesmo gramado.

A narrativa do jogador mimado precisa cair

Quando um craque reclama do gramado, o reflexo imediato é o ceticismo. "Jogador de clube rico, acostumado com tapete verde, não sabe mais jogar em campo de verdade." A crítica é velha, previsível e, neste caso, completamente equivocada.

O problema do MetLife Stadium não é estético. É funcional. Um gramado ressecado endurece a superfície, reduz a absorção de impacto e transforma cada sprint, cada freada brusca, cada mudança de direção em uma roleta-russa para ligamentos e tendões. Não é exagero técnico — é biomecânica básica. Estudos publicados pelo British Journal of Sports Medicine apontam que campos com baixa umidade aumentam em até 23% o risco de entorses de tornozelo em atletas de alto rendimento.

Rabiot foi direto ao ponto depois da vitória francesa. Nas palavras do meio-campista, conforme registrado pelo SportNavo com base nas declarações pós-jogo:

"O gramado estava muito seco. É difícil jogar assim, o pé trava diferente, você não consegue se mover com fluidez. Isso é um risco real para todos nós."

Vinicius, que já havia expressado sua frustração após a estreia do Brasil na Copa do Mundo, não estava fazendo drama. Estava fazendo um alerta.

O que o MetLife já mostrou que pode virar Vinicius e Rabiot denunciam o gramado
O que o MetLife já mostrou que pode virar Vinicius e Rabiot denunciam o gramado

O que o MetLife já mostrou que pode virar

Há uma comparação histórica que ilumina bem o problema. Na Copa do Mundo de 1994, realizada nos Estados Unidos, o Pontiac Silverdome, em Michigan, recebeu partidas em gramado artificial — uma heresia para os padrões do futebol europeu e sul-americano da época. A FIFA sofreu pressão enorme, e o torneio ficou marcado por queixas técnicas sobre a superfície sintética. Mais de 30 anos depois, o país voltou a sediar a Copa, e o problema agora não é o tipo de gramado — é a manutenção do gramado natural.

O MetLife Stadium é uma estrutura fechada, sem teto removível completo, o que dificulta a incidência de luz solar direta no campo — fator crítico para a saúde da grama. A solução adotada foi a instalação de sistemas de iluminação artificial, mas a umidade do solo seguiu abaixo do ideal para os padrões FIFA durante os primeiros jogos. A organização ainda não se pronunciou oficialmente sobre as medidas corretivas adotadas entre as rodadas.

O que a FIFA precisa fazer antes das oitavas chegarem ao MetLife

O estádio de Nova York e Nova Jersey está na lista de sedes para as fases eliminatórias do torneio. Isso significa que, se a FIFA não agir, o gramado ressecado poderá comprometer partidas ainda mais decisivas — e colocar em risco jogadores que estão entre os mais valiosos do planeta.

As medidas técnicas existem e são conhecidas: irrigação intensiva nas 48 horas anteriores a cada partida, uso de coberturas de proteção entre os jogos e monitoramento constante da umidade do solo com sensores. Algumas sedes da Copa já adotam esse protocolo com rigor. O MetLife, aparentemente, ficou aquém.

A ironia é que o gramado de um estádio avaliado em mais de 1,6 bilhão de dólares — um dos mais caros do mundo quando foi inaugurado em 2010 — não deveria ser pauta de reclamação num torneio desta magnitude. Mas é. E dois dos atletas mais observados do mundo estão dizendo isso em público, com nome e sobrenome.

"O campo estava muito seco. Espero que melhore para os próximos jogos, porque assim fica difícil para todo mundo", disse Vinicius Jr após a partida do Brasil, em declaração reproduzida pela imprensa internacional.

A próxima rodada da fase de grupos com jogos no MetLife Stadium acontece nos próximos dias. A FIFA tem uma janela curta para agir — e os jogadores já avisaram que estão de olho.