O lance já estava em curso quando Richardson saiu de campo. Eram 20 minutos do primeiro tempo no Estádio Heriberto Hülse, em Criciúma, e o técnico mandante já havia identificado o problema antes que ele virasse crise: a entrada de Júlio no lugar do volante reorganizou o meio de campo com uma velocidade que o Ceará não esperava. Quatro minutos depois, Fellipe Mateus convertia o único gol da partida, numa noite de terça-feira que a 13ª rodada da Série B de 2026 vai registrar com precisão.

O time mandante entrou pensando em

O Criciúma entrou no Hülse com uma proposta clara de pressão no campo adversário e transições rápidas. A ideia era explorar os espaços que o Ceará costuma deixar nas laterais quando avança com seus meias — padrão identificável nos últimos três jogos do clube cearense. O problema inicial foi que Richardson não estava entregando a cadência necessária para sustentar esse ritmo. Aos 20 minutos, a substituição precoce revelou algo que poucos técnicos admitem publicamente: às vezes, o plano de jogo precisa ser corrigido antes do intervalo, mesmo que isso signifique queimar uma peça cedo.

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A entrada de Júlio foi o gatilho. Com mais mobilidade no meio, o Criciúma passou a circular a bola com mais fluidez, e Waguininho — que operava pelo corredor direito — ganhou espaço para trabalhar. Aos 24 minutos, ele encontrou Fellipe Mateus em posição privilegiada dentro da área. O chute com o pé direito não deu chance ao goleiro: 1 a 0. O gol não foi uma casualidade — foi a consequência direta de uma ajuste tático que funcionou dentro de uma janela de quatro minutos.

O time visitante entrou pensando em

O Ceará cruzou a fronteira catarinense com a necessidade de pontuar fora de casa para se manter no grupo de acesso. A campanha do clube até aqui na Série B de 2026 é irregular — oscilações que lembram o que o próprio Ceará viveu na edição de 2012 da Série B, quando terminou a primeira metade da competição com apenas 40% de aproveitamento antes de reagir na reta final e garantir o acesso. Naquela temporada, o clube somou 12 pontos nas primeiras 10 rodadas. O paralelo é incômodo porque os números atuais seguem trajetória semelhante.

A proposta visitante era de equilíbrio: não tomar gols fora de casa e aproveitar bolas paradas. A substituição de Richardson no Criciúma, porém, desestruturou o plano antes que ele pudesse ser executado. O Ceará não soube responder ao ajuste adversário com velocidade suficiente, e o gol sofrido aos 24 minutos colocou a equipe numa condição que raramente consegue reverter: precisar correr atrás do placar fora de casa contra um time organizado no Hülse.

O ponto de inflexão que deu certo para um e não para o outro

A substituição de Richardson por Júlio aos 20 minutos é o ponto de partida da análise, mas não é a história completa. O que ela revelou é que o Criciúma tem uma bancada com capacidade de alterar o padrão de jogo sem perder a estrutura defensiva — e isso tem valor financeiro e esportivo num contexto de Série B. Elencos com essa profundidade custam caro para montar; conforme registrado pelo SportNavo em coberturas anteriores do mercado da segunda divisão, clubes que chegam à metade da competição com rotatividade funcional no meio-campo tendem a sustentar campanhas de acesso com mais consistência do que os que dependem de um núcleo fixo.

O time mandante entrou pensando em Fellipe Mateus decide no Hülse e Criciúm
O time mandante entrou pensando em Fellipe Mateus decide no Hülse e Criciúm

O gol de Fellipe Mateus, assistido por Waguininho, sintetizou esse ponto: foi um gol de construção coletiva, não de inspiração individual. O chute com o pé direito foi preciso, mas o espaço que Waguininho encontrou para dar o passe foi consequência direta do posicionamento de Júlio, que pressionou o meio cearense e abriu o corredor. O Ceará, do outro lado, não teve resposta tática para o ajuste. A equipe tentou pressionar no segundo tempo, mas sem efetividade real nas finalizações — a defesa do Criciúma controlou sem grandes sustos.

O que sobra para cada um daqui

Para o Criciúma, a vitória por 1 a 0 no Heriberto Hülse tem peso duplo: mantém o clube vivo na briga por posições no G-4 da Série B e valida a estratégia de gestão de elenco que a diretoria vem executando nesta temporada. A capacidade de fazer substituições eficientes antes do intervalo — algo que parece simples, mas exige coragem técnica e confiança na bancada — é um diferencial que poucos times da segunda divisão conseguem demonstrar com regularidade.

Para o Ceará, o resultado aprofunda uma crise de aproveitamento fora de casa que precisa ser resolvida com urgência. O clube tem pela frente uma sequência de rodadas que vai definir se a campanha de 2026 terá fôlego para o acesso ou se vai repetir o padrão de anos em que a segunda metade da competição chega tarde demais para corrigir o que foi perdido na primeira. A próxima rodada, a 14ª do Brasileirão Série B, será o próximo teste — e o Ceará precisará de pelo menos 57% de aproveitamento nas rodadas restantes para manter viva a candidatura ao acesso.